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"NOVO" SHOPPING
17.02.2025 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Vendas desabam e comerciantes detonam taxa e associação

Movimento de clientes cai na estrutura provisória; várias bancas estão fechadas

Victor Ostetti/MidiaNews

Comerciantes do Shopping Popular sofrem com taxas altas e falta de clientes

Comerciantes do Shopping Popular sofrem com taxas altas e falta de clientes

LARISSA AZEVEDO
DA REDAÇÃO

Há dois meses instalados em uma estrutura provisória, os comerciantes do Shopping Popular reclamam do valor do condomínio, da falta de condições para tocar o negócio e da queda vertiginosa no faturamento. 

 

O Shopping Popular foi destruído por um grande incêndio no dia 15 de julho do ano passado.

 

Nesta semana a reportagem do MidiaNews esteve na estrutura provisória e conversou com comerciantes, além de verificar o cenário em que trabalham. No dia da visita, mais de 250 bancas estavam fechadas, e empreendedores explicam que o motivo é a inviabilidade financeira. 

 

Antes do incêndio, em julho do ano passado, o valor do condomínio cobrado pela Associação dos Comerciantes do Shopping Popular era de R$ 1.520. Já na nova estrutura, a taxa custa R$ 1.344, uma redução de apenas 11,6%, pouco diante da queda no faturamento.

 

O comerciante Ariovaldo Mundim, conhecido como Ari Capas, afirma que a cobrança é “indevida” e que a relação entre os associados e a Associação está complicada. 

 

“A administração está cobrando demais. A taxa da estrutura de antes, além de pagar pelos funcionários da Associação, era para o ar condicionado, o piso que tinha que limpar, os banheiros, uma estrutura confortável. Aqui você pode ver que não tem clientes e nem uma boa estrutura. Estamos sofrendo e sempre somos cobrados mais, mais, mais e mais”, desabafa o comerciante. 

Victor Ostetti/MidiaNews

Lojas provisórias do Shopping Popular

 

 

Para piorar, os associados e clientes estão usando provisoriamente os banheiros do ginásio Dom Aquino, que fica ao lado. No dia que a reportagem visitou o Shopping, dos 15 sanitários no feminino, cinco estavam funcionando; já no masculino, dois se encontravam em manutenção.

 

“Você não consegue pôr uma escada em um pé de manga quando você planta a semente. Tem que esperar crescer. Depois do incêndio, eu passei a dever vários bancos. Mas conversei com eles e me deram prazo para pagar. Menos a Associação. A Associação só cobra em vez de dar um fôlego para o associado, dar um prazo, parcelar as contas, conversar. Isso prejudica a gente”, reclama. 

 

Antes a taxa do condomínio podia ser parcelada em três vezes, com a data de vencimento no dia 25. Atualmente a Associação cobra o valor integral à vista até o dia 15. 

 

“Como você arrecada para pagar? Não tem como. E se não paga, negativa o seu nome”, esclarece Ari. 

 

Outra comerciante, que preferiu não se identificar, reclama da falta de transparência e prestação de contas. 

 

“Nós soubemos pela mídia que o prédio não tinha seguro. Foi uma decisão que o presidente Misael Galvão tomou sozinho, sem comunicar em assembleia. Ele não é transparente”, relata. 

 

“A gente está pedindo prestação de contas durante os últimos 10 anos. Nós [um grupo de associados] entramos na Justiça para ter a prestação de contas. Nós queremos saber o que pagamos e estamos pagando”. 

 

Ela ainda explica que há membros da diretoria que não pagam a taxa e exigem dos outros associados. 

 

“Enquanto isso tem dias que eu não vendo nada, nem o valor do meu almoço. As minhas vendas diminuíram 90%, mas sou obrigada a pagar essa taxa”, reclama a comerciante. 

 

“A gente junta dinheiro para comprar mercadoria conforme o cliente pede e às vezes não é o suficiente. Mas a administração fala que se a gente não tem dinheiro para o condomínio, é para sairmos e irmos para uma ‘feirinha’. Mas esse lugar é nosso”. 

 

O comerciante Júlio Martins é um dos poucos empreendedores que alugavam bancas antes do incêndio e voltaram para a estrutura provisória. Além do condomínio, ele também precisa pagar o aluguel ao dono. 

 

“Nós não conseguimos manter o pagamento dentro do mês, porque temos que manter o estoque na expectativa e na esperança de fazer a venda quando o cliente vem. É o almoço comprando a janta”, explica. 

 

A situação acaba deixando os empreendedores ainda mais endividados. 

 

Novo Shopping Popular

 

Diferente do imaginado por todos, a construção não está sendo bancada pela Associação do Shopping Popular, como é divulgado, e sim por alguns empresários que tinham bancas e novos investidores.

 

“Nós estamos atrás de novos parceiros para ajudar a reconstruir o Shopping, para investir e podermos levantar a estrutura o mais rápido possível. Está muito triste trabalhar dessa forma”, afirma Ari. 

Victor Ostetti/MidiaNews

Estrutura demolida do Shopping Popular

 

 

“Nós não somos oposição ao Shopping Popular, nós queremos ele mais lindo e mais forte. Agora, o tempo do Misael Galvão aqui já passou. Ele provou que não é um bom administrador, porque se ele fosse, teria seguro predial, ou fundos guardados para reconstruir outro Shopping. Que administrativo é esse? Quem colocaria para administrar a sua empresa alguém que não poupa? Hoje nós estamos sofrendo aqui por má administração”, diz o comerciante. 

 

Mais taxas

 

Além do condomínio, a Associação impôs a cobrança de um rateio de R$ 6.535, que alguns comerciantes já pagaram, porque foram avisados ser um valor obrigatório para continuar no local. 

 

No entanto, um grupo de associados está tentando impedir essa cobrança, e afirma que o valor exigido é para o pagamento de contas anteriores ao incêndio, que a administração já devia ter quitado. 

 

Houve uma assembleia na última sexta-feira (07) em que a Associação tentou implantar o rateio, mas o grupo conseguiu reverter porque os próprios membros favoráveis à administração não haviam pagado as taxas. Em assembleias, apenas os associados com todos os pagamentos em dia têm direito a voto. 

 

Apesar de todas as dificuldades, todos os comerciantes tentam se manter esperançosos. 

 

“O que nós esperamos é que os clientes também tenham um pouco de paciência, assim como nós estamos tendo. A gente conta com a presença dos cidadãos para vir nos prestigiar, que nos ajude a passar por essa fase difícil”, finaliza Júlio. 

 

Veja vídeo:

 

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COMENTÁRIOS
5 Comentário(s).

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Joaquim Melo  17.02.25 17h46
Vocês tem que tirar esse Misael Galvão !!!! Paga de bom moço, ilude e engana os associados.
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Paulo   17.02.25 13h11
Por não ter feito o seguro deveria prover todas as condições pros associados trabalhar, sem cobrar taxa até a construção do novo prédio. Deveriam pedir o apoio do ministério público pra auditar essa associação que na passa de uma empresa privada tirando vantagem do que é do público. Vergonhoso isso!
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Figueirinha  17.02.25 11h41
Pergunta que não quer se calar.... Dizem ter 600 bancas que pagam 1.500 mensais pu sejam a tal associação percebia 900.000 mensais sem prestar contas!!! Eita bom negócio hein para a Associação é claro.... Cadê a ação de prestação de contas?? Só assim para abrir a caixa preta. Estuma o MPE no presidente dessa Associação que o rastro do dinheiro aparece direitinho.
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Marco  17.02.25 11h07
Infelizmente era uma estrutura privada. Sinceramente não apoio colocar dinheiro público nisso ai. Afinal sempre que vou está mais caro que outros meios e a garantia do produto é bem menor. Ou seja estaria pagando para ajudar e o lucro não usufluo do "investimento". Prefiro que que governo invista em creches, hospitais, limpeza urbana, modernização dos sistemas públicos e etc....
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carrapato sem sangue  17.02.25 10h37
olha o tamanho da covardia dessa gestão do shopping popular , sabendo das dificuldades dos comerciantes no momento , fica nessa de cobrar taxa altas ,sendo que receberão verba da prefeitura , estado e federal , Misael galvão , ja era é só interesse pessoal .
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