Cuiabá, Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
SOLTO PELO TJ-MT
15.02.2026 | 10h00 Tamanho do texto A- A+

Juíza impõe tornozeleira a policial que agrediu ex-esposa em Cuiabá

Sanderson Ferreira de Castro Souza também está proibido de se aproximar de Débora Sander

Reprodução

A personal trainer Débora Sander, que foi agredido pelo ex-marido

A personal trainer Débora Sander, que foi agredido pelo ex-marido

MARIANA LENZ
GAZETA DIGITAL

A juíza Gisele Alves Silva, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, determinou nesta quinta-feira (12) que o policial Sanderson Ferreira de Castro Souza utilize tornozeleira eletrônica, frequente grupo de reflexão para agressores de mulheres e não se aproxime da ex-companheira, a personal trainer Débora Sander. O policial foi solto recentemente após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). 

 

Conforme documento o qual o Gazeta Digital teve acesso, a magistrada considerou o pedido de medida protetiva de Débora diante do medo pela soltura do ex-companheiro, após apresentação de boletim de ocorrência relatando receio de perseguição por parte de Sanderson e de que o agressor comparecesse ao se local de trabalho e colocasse outras mulheres em perigo.

 

“Em sede de violência doméstica a palavra da vítima assume especial relevância bastando, portanto, suas declarações para justificar a aplicação das medidas protetivas previstas no art. 22, inc. III, alíneas a, b e c, e inc. V, da Lei n. 11.340/06. Quanto ao risco de dano, observa-se que os fatos narrados pela vítima em seu boletim de ocorrência demonstram a situação de risco por que passa, impondo-se o deferimento do pedido com vistas a colocá-la a salvo de eventuais novas investidas do autor da violência, justificando-se, portanto, a urgência na concessão das medidas colimadas”, avaliou a juíza.

 

Diante disso, a magistrada determinou a proibição de Sanderson de aproximar-se de Débora, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de 500 metros de distância; proibição de manter contato com ela ou testemunhas por qualquer meio; e ainda proibição de que ele frequente sua residência ou local de trabalho.

 

Foi também imposto monitoramento por tornozeleira eletrônica do autuado, pelo prazo de 90 dias e entrega de botão de alerta à vítima. Ele deve ainda frequente o grupo reflexivo Papo de Homem, da Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso, tendo de comprovar a sua participação nos autos, no prazo de 60 dias.

 

“Intime-se o autor da violência para que tome ciência desta decisão e a cumpra integralmente, advertindo-o no ato de que, não sendo apresentado recurso, a decisão será ratificada, mantendo-se as medidas protetivas enquanto persistir risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da requerente ou de seus dependentes. As medidas protetivas devem ser cumpridas da forma em que foram deferidas alertando o autor da violência de que, no caso de descumprimento desta decisão poderá ser decretada a sua prisão preventiva, sem prejuízo de aplicação de outras sanções penais cabíveis”, acrescentou a magistrada.

 

O caso

 

O policial Sanderson Ferreira de Castro Souza, foi preso em 1º de setembro de 2024, por espancar a namorada, a personal trainer Débora Sander. Na madrugada do dia 4 de agosto daquele ano a vítima acionou a polícia após ser agredida brutalmente pelo namorado na casa onde eles moravam em Cuiabá.

 

Segundo ela, em dois anos de relação ela sofreu 4 agressões e decidiu que não ficaria mais calada, além do boletim de ocorrência e medida protetiva ela expôs o caso nas redes sociais. Após o caso ganhar repercussão e Débora, o policial lotado na Polinter teve o mandado de prisão cumprido na manhã de domingo (1), em uma residência na Morada do Ouro.

 

Em maio de 2025, Sanderson foi condenado a cumprir 15 anos de prisão em regime fechado. Contudo, na última terça-feira (10) o policial foi posto em liberdade após decisão da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e teve pena reduzida a 1 ano e 9 meses em regime aberto, ao ser reformada a decisão que o condenava também por crime de estupro.

 

Débora foi às redes sociais expor novamente o caso e cobrar respostas das autoridades, além de buscar auxílio no Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

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