Cuiabá, Segunda-Feira, 5 de Janeiro de 2026
VALOR DE R$ 110 MIL
03.01.2026 | 16h30 Tamanho do texto A- A+

TJ manda plano de saúde reembolsar paciente por negar UTI aérea

O caso teve origem após uma cirurgia emergencial de apendicite complicada, realizada em Cuiabá

Alair Ribeiro/TJMT

A desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, relatora do processo

A desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, relatora do processo

DA REDAÇÃO

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou o dever da operadora Bradesco Saúde S/A de reembolsar integralmente o valor de R$ 110 mil, acrescido de juros e correção monetária, referente à contratação de uma UTI aérea em favor de um paciente em situação de emergência. 

 

O entendimento foi firmado em julgamento relatado pela desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, que destacou que o direito à vida deve prevalecer sempre que houver risco real e comprovado ao paciente.

 

O caso teve origem após uma cirurgia emergencial de apendicite complicada, realizada em Cuiabá. Com o agravamento do quadro clínico, o médico responsável indicou a transferência imediata do paciente para uma unidade hospitalar fora do estado.

 

Diante da ausência de alternativa segura oferecida pela operadora, a Bradesco Saúde S/A negou a remoção aeromédica, levando a família a contratar, por conta própria, o serviço especializado de UTI aérea.

 

No voto, a relatora ressaltou que a cláusula contratual que exclui a cobertura de transporte aeromédico não pode ser aplicada em situações de urgência, quando há recomendação médica expressa e inexistem recursos adequados na rede credenciada. Nessas circunstâncias, a negativa de cobertura configura prática abusiva, à luz do Código de Defesa do Consumidor.

 

A Turma Julgadora ponderou, contudo, que embora o reembolso integral de R$ 110 mil, com incidência de juros e correção monetária, seja devido, a recusa da operadora decorreu de interpretação contratual divergente, o que afasta a caracterização de dano moral indenizável.

 

Isso porque não houve comprovação de agravamento do estado de saúde do paciente em razão da negativa.

 

Com esse entendimento, o colegiado decidiu reformar parcialmente a sentença apenas para excluir a condenação por danos morais, mantendo a obrigação da Bradesco Saúde S/A de ressarcir integralmente os valores desembolsados com a UTI aérea.

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