Cuiabá, Domingo, 1 de Fevereiro de 2026
ALECY ALVES
23.10.2022 | 06h00 Tamanho do texto A- A+

A beleza da equidade

Não podemos reproduzir o modo machista de noticiar violência contra a mulher

Equidade é, sem dúvida, uma palavra linda na estética e representativamente.

 

Quer dizer igualdade, imparcialidade, isenção, retidão, conformidade...

 

Analisada etimologicamente, torna-se ainda mais bela.

 

Substantivo feminino, seu sentido é a adaptação da regra existente à situação concreta para tornar a realidade o mais próximo possível do justo entre as duas partes.   

 

Entendo que, de acordo com essa teoria, quando se trata do homem e da mulher, o emprego da equidade somente se concretiza pelo senso da igualdade de direitos.

 

Por que esse antelóquio?

 

Porque venho indignando-me, não de hoje, com a maneira com que o machismo estrutural, impregnado até em nós mulheres, transforma em afrontosas as argumentações, julgamentos, práticas e até nossa escrita jornalística sobre praticamente tudo em torno da mulher.

Noticiar sugestionando uma atitude da mulher como causa e/ou motivação para o assédio moral ou sexual e as diversas formas de violência, como sexual e física, é o mesmo que culpabilizar a vítima

Neste artigo em específico, limitarei ao nosso papel enquanto formadores de opinião.

 

Nós, jornalistas, não podemos continuar reproduzindo o modo machista de informar casos de violência contra a mulher e outras situações ou conjuntas do universo feminino.

 

Noticiar sugestionando uma atitude da mulher como causa e/ou motivação para o assédio moral ou sexual e as diversas formas de violência, como sexual e física, é o mesmo que culpabilizar a vítima.

 

O crime pode ter uma causa, sim, mas isso não quer dizer que o comportamento do outro obrigatoriamente moveu e transportou o criminoso para o desfecho da violência.

 

Excetuando a legítima defesa.

 

Ao fazermos conclusões em uma determinada notícia, se realmente essas forem necessárias, que seja para levar a reflexões e possíveis mudanças comportamentais de homens e mulheres. 

 

E, principalmente, que a notícia prime pela informação do fato.

 

Se a escrita for feminina, então, que não nos esqueçamos da empatia e da sororidade.

 

Se for masculina, que além de se ater ao fato, exercite a empatia e sensibilidade à luta pelo fim da violência contra a mulher.

 

Nem que seja pelo “simples” fato de ser fruto, pai, irmão, tio, primo, avô... de uma mulher.

 

Se histórias de luta e superação inspiram positivamente o leitor, o contrário também acontece, conforme fazemos as narrativas e contextualizações dos fatos.  

 

Além de externar frustrações, machismo e outros sentimentos próprios de comportamentos doentios, determinados comentários postados por leitores podem ser o termômetro de que precisamos para medir nossa capacidade de formar opinião.     

 

Alecy Alves é jornalista e bacharel em Serviço Social em Cuiabá

 

 

 

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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waldomiro lopes  23.10.22 12h34
ALECY ALVES - minha querida amiga, jornalista, que alegria em saber que você ainda está na ativa. Gostava muito quando você ia à delegacia colher noticias para o jornal em que trabalhava, Pode não se lembrar de mim, porém eu não te esquecí quando você, ia colher as noticias, com toda a educação e simplicidade que lhe é peculiar. Muito me alegra em sabê-la na ativa.
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