Cuiabá, Quarta-Feira, 1 de Abril de 2026
GABRIEL N. NEVES
29.06.2013 | 08h34 Tamanho do texto A- A+

Acorda meu país!

As perspectivas dos jovens, assim como os seus atos, são todos solitários

Divulgação

Ilustração

No momento em que começo a fazer essas reflexões, tomo ciência de que o movimento estudantil, que desencadeou essa chamada da população às ruas, acaba de se retirar das manifestações.

Declara que a única finalidade do movimento era lutar contra o aumento das passagens nos transportes coletivos e, que uma vez conseguido o seu objetivo, não mais havia razão para o chamamento.

Fenômeno absolutamente inédito, entre tantos outros que estamos presenciando num misto de orgulho e de apreensão.

Ao que parece, a solidão e o desencanto com os poderes constituídos a que foi condenada a nossa juventude nesses últimos anos, rechaça veementemente a possibilidade de um movimento global que inclua os seus representantes legais, já totalmente descredenciados para tal.

As perspectivas dos jovens, assim como os seus atos, são todos solitários, apenas se coletivizando nos seus anseios, quadro totalmente diverso ao do movimento de 1968 em que políticas ideológicas dividiam o país.

Isso é patente na observação de cartazes individuais de reivindicações em que predomina o anseio pelo fim da corrupção, no meio de tantos outros.

Claro que essa, como todas as outras, não dependem de uma simples e pura canetada por parte dos nossos governantes, mas sim, à votação imediata das reformas de base, há muito postergada, tais como: a política, a fiscal, a eleitoral, a contenção imediata com a orgia dos gastos públicos, a taxação das grandes fortunas, enfim tudo que tem sido omitido.

Evidente que tudo isso mexe com interesses muito poderosos - daí a dificuldade para a sua execução.

Pena que até o momento, o único pronunciamento que conseguimos ver e ouvir dos representantes dos poderes federal, estadual e municipal foi, além de muito truculento, com uma total ausência de comprometimento imediato com o que todos sabem ser necessário.

Não é hora de jogadas políticas de longo prazo, mas de atitudes corajosas que devolvam a justiça e a paz a todos os recantos desse país que, pela magnitude das suas riquezas, não pode deter o seu destino - o de se tornar uma das maiores potências mundiais.

O que o povo pede nas ruas é muito pouco, apenas que lhe seja devolvido, em termos de serviços, o que lhe é tirado através dos mais altos impostos do planeta.

E o fim da corrupção e impunidade.

GABRIEL NOVIS NEVES é médico em Cuiabá, foi reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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vicente araujo  30.06.13 09h53
O cidadão está querendo pegar uma carona no movimento? Ele, ao longo da vida, contribuiu para a edificação do edifício que começa a ser derrubado. Oportunismo e excesso de óleo de peroba.
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