O alcoolismo é uma doença grave e aparentemente silenciosa.
Sim, digo aparentemente porque além dos efeitos físicos que são inerentes a essa condição, que podem demorar um pouco para aparecer, temos ainda um sintoma social muito grave que é apresentado na forma de estigma.
O estigma aproxima as pessoas do abuso e da dependência. Escondido atrás da negação, o estigma afasta as pessoas da prevenção, da identificação do problema e da busca por tratamento.
Nossa sociedade é responsável por isso. Nas últimas décadas, percebi que o silêncio pode ser tão perigoso quanto as propagandas que exaltam esse tipo de droga lícita.

Nesta batalha onde a publicidade das grandes companhias esconde os perigos do álcool, na qual as famílias preferem ignorar o risco ao deixar seus adolescentes e jovens consumirem essas substâncias, aliada à falta de políticas públicas adequadas para aplicar programas de prevenção, os Alcoólicos Anônimos são um instrumento importante ao lado da sociedade.
A história dos Alcoólicos Anônimos é repleta de lutas, desafios e, principalmente, vitórias.
O trabalho iniciado há 80 anos em Ohio, nos Estados Unidos, pelo corretor da bolsa de valores Bill e pelo médico cirurgião Dr. Bob, mostra que há saída para milhões pessoas em todo o planeta.
Nste mês, o A.A. completa 81 anos de existência. São 69 anos no Brasil e centenas de milhares de vidas transformadas todos os anos em nosso país.
Esse número pode ser multiplicado se levarmos em consideração que o alcoolismo e a toxicomania afetam diretamente as pessoas que estão em volta do dependente.
Nos últimos 20 anos, tenho trabalhado com prevenção em álcool e drogas. Acompanhei clínicas, casas de recuperação e fiz mais de 300 palestras.
Seja um empresário de uma grande corporação ou o estudante adolescente no ensino médio, todos são afetados pelo estigma. Muitos preferem ignorar o risco do que assumir que ele existe.
O aniversário de criação dos Alcoólicos Anônimos no Brasil deve ser comemorado por todos nós como um convite à ação, um convite.
Vamos falar sobre drogas? Vamos abrir os olhos e entender que a vida daqueles que amamos corre risco enquanto estamos dando risadas e festejando? Vamos tratar o álcool e as drogas com o devido cuidado que o tema merece?
Desejo que os Alcoólicos Anônimos, que começou com 12 passos, possa ainda percorrer milhares de quilômetros em nosso país e atingir a vida daqueles que estão precisando voltar a viver de verdade.
Agradeço a cada pessoa que se dedica a esse trabalho tão nobre e importante para nossa sociedade.
Espero que essa mesma sociedade saiba valorizar esse esforço e ofereça como presente ao A.A., pelo menos, uma reflexão lúcida sobre o estigma.
JOSÉ VIEIRA é palestrante, consultor especialista em programas de prevenção para o impacto do álcool e das drogas. Foi presidente do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (Conen-MT) e, nos últimos 20 ano,s fez mais de 300 palestras para 30 mil pessoas em empresas, escolas e órgãos públicos.
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