Cuiabá, Terça-Feira, 3 de Fevereiro de 2026
VICENTE VUOLO
28.09.2018 | 23h33 Tamanho do texto A- A+

O legado de D. Pedro II

O imperador estabeleceu uma reputação internacional como patrocinador do conhecimento, cultura e ciências

Achei oportuno para o momento político abordar um tema dos mais significativos da história brasileira. O legado de D. Pedro II. O carioca que projetou o respeito e a ética na política do Brasil para o mundo. 

 

Eu tenho a percepção que a motivação de candidatos deve ter como “norte” princípios e valores que marcaram as ações de estadistas. E temos aqui no país um belo exemplo a ser seguido. Afinal, D. Pedro II, é reconhecido internacionalmente como “cidadão do mundo”. Essa é a Educação Política que tanto propagamos.

 

Oficialmente, o reinado de D.Pedro II vai de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889. Porém, a sua infância e educação não foi fácil como alguns pensam. Pedro II ficou órfão de mãe com apenas 1 ano de idade. No dia 2 de agosto de 1826, foi reconhecido como herdeiro da coroa do império brasileiro. No dia 7 de abril de 1831, seu pai Dom Pedro I, que vinha enfrentando severa oposição política, acusado de favorecer os interesses portugueses no Brasil, abdica do trono e embarca de volta para Portugal, deixando Pedro como “regente”, com apenas 5 anos de idade, tendo como tutor José Bonifácio de Andrada e Silva.

No momento sublime da democracia, a eleição, lembramos a grandeza de D. Pedro II para motivar os eleitores a pensarem no país e nos valores éticos, escolhendo políticos que pensem na próxima geração e não na próxima eleição

Durante a menoridade, Pedro II teve aulas com diversos mestres ilustres, escolhidos por José Bonifácio. Estudou caligrafia, literatura, matemática, latim, francês, inglês, alemão, hebraico, geografia, ciências naturais, pintura, piano, música, esgrima e equitação.

 

Enquanto isso, o país atravessava séria crise política entre os que defendiam o Império, os que preferiam a República e outros que queriam a volta de D. Pedro I. Com a morte de D. Pedro I em 1834 na Europa, começa a luta pela maioridade do imperador. No dia 23 de julho de 1840, Pedro é proclamado maior. E no dia 18 de julho de 1841 Dom Pedro II é coroado Imperador. 

 

Durante os primeiros anos, as suas experiências com intrigas palacianas e disputas políticas tiveram grande impacto na formação de seu caráter. Quando assumiu o Império, herdou um país no limiar da degradação. Mas, graças a sua alta Educação Política, teve a coragem e competência para pacificar a nação com o enfrentamento de revoltas. Sob seu governo, também, o país foi vitorioso em 3 conflitos internacionais (a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai). Reorganizou com maestria a política através de uma bipartidarização que colocou frente a frente o Partido Liberal e o Partido Conservador, além da instauração do parlamentarismo como forma de governo e a reativação do comércio internacional. Dom Pedro II consolidou a unificação do país.

 

Um dos assuntos principais desse período foi a escravidão. Pressionado pela elite cafeeira, o Governo resistia à ideia de abolição do tráfico de escravos e da escravidão em si. Apesar de D.Pedro II e a família imperial não terem escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos os imóveis da família. No entanto, a aproximação diplomática de longa data com a Inglaterra (que resguardou a Família Real Portuguesa na fuga para o Brasil e garantiu a Independência) forçou o Imperador a reconsiderar a decisão. No dia 04 de setembro de 1850 é promulgada a Lei Eusébio de Queirós, que instituía o fim do tráfego de escravos. Isso custou caro à Monarquia. Os proprietários de terra acabaram abandonando o Imperador.

 

Não tardou para que a escravidão também fosse abolida. Em 13 de maio de 1888, a sua filha, a princesa Isabel abole a escravidão através da Assinatura da Lei Áurea. 

 

Sem apoio, a Monarquia é derrubada em 15 de novembro de 1889. Estava proclamada a República no Brasil. No dia seguinte organizou-se um Governo Provisório, que determinou o prazo de 24 horas para Dom Pedro II deixar o país. No dia 16 de novembro de 1889, D. Pedro escreve: “ À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda minha família para a Europa amanhã, deixando a Pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de empenhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de Chefe de Estado. Ausento-me, pois, eu como todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”.    

 

Após 20 dias de viagem, D.Pedro II chega a Portugal. Logo em seguida, no mesmo mês, a imperatriz morreu. Pedro, com 66 anos, segue sozinho para Paris, onde fica hospedado no hotel Bedford (ainda existente nos dias de hoje) onde passava o dia lendo e estudando.

 

Um estadista. Um patriota. Defensor da ética na política. D. Pedro II recusou um auxílio de viagem de 2 mil contos de réis proposta pela Câmara dos Deputados para sua primeira viagem à Europa. Arcaria pessoalmente com todas as despesas da viagem, com um empréstimo bancário de 50 mil libras esterlinas feito em seu próprio nome.

 

Um poliglota. Um erudito. O Imperador estabeleceu uma reputação internacional como um vigoroso patrocinador do conhecimento, cultura e ciências.

 

Ganhou o respeito e admiração de estudiosos de personalidades de todo mundo tais como: o cientista Graham Bell; Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução por seleção natural; Victor Hugo, dramaturgo e estadista francês; Friedrich Nietzsche, filósofo e compositor prussiano. E cultivou amizade de outros tantos como: Richard Wagner, maestro, compositor e ensaísta alemão; Louis Pasteur, cientista francês que revolucionou a química e a medicina; Jean Martin Charcot, cientista francês, psiquiatra, neurologista e um dos maiores professores de medicina da França; Henry Wadsworth Longfellow, poeta americano, dentre outros. 

 

O escritor carioca Mauricio Torres Assumpção descreveu a despedida do Imperador, velado na Église de la Madeleine: “ No dia 09 de dezembro de 1891, Paris parou. Na única República da Europa, cercada de monarquias por todos os lados, milhares de pessoas saíram às ruas da capital para prestar sua última homenagem a um monarca. Não um Rei da França, e tampouco dos franceses. Mas, sim, um Rei dos trópicos. O único monarca do continente americano que reinara durante meio século, conquistando o respeito e a admiração de estadistas em todo o Ocidente. No féretro, escoltado por 80 mil soldados, o corpo de Dom Pedro de Alcântara, ex-imperador do Brasil, cidadão do mundo”.

 

Hoje, a lembrança de Pedro II tem como símbolo a melhor escola pública do país, o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. O melhor que um dirigente público poderia merecer!

 

Mas ante tantos exemplos de descaso e descaminhos que nossa vida construiu, resta-nos saber se merecemos a memória de Pedro II. Ele demonstrou, com sua vida e seu exemplo, o amor total a esta terra, ao nosso povo. A República, apesar de ser um sistema político superior, em poucos momentos produziu ou deixou que dirigentes se destacassem por valores éticos e por amor à Pátria.

 

No momento sublime da democracia, a eleição, lembramos a grandeza de D. Pedro II para motivar os eleitores a pensarem no país e nos valores éticos, escolhendo políticos que pensem na próxima geração e não na próxima eleição.

 

Eleger gatunos, corruptos, pessoas sem escrúpulos, deixará o Brasil mais pobre, em todos os sentidos, e mais próximo de se inviabilizar como Nação.

 

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
1 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

EUZE MARCIO SOUZA CARVALHO  28.09.18 16h47
Parabéns pela matéria! D. Pedro II foi o maior estadista que este País já teve. Pena que a sua biografia é pouco conhecida pelos Brasileiros. E a história oficial não faz justiça ao grande homem que ele foi.
11
1



Leia mais notícias sobre Opinião:
Fevereiro de 2026
03.02.26 05h30 » Iemanjá resiste
02.02.26 05h30 » A liga da justiça
02.02.26 05h30 » Toalhas ao vento
01.02.26 05h30 » O trabalho escravo ainda vive
01.02.26 05h30 » Princípios importantes