Cuiabá, Terça-Feira, 3 de Fevereiro de 2026
PEDIDO DE CASSAÇÃO
03.02.2026 | 17h50 Tamanho do texto A- A+

Vereadores se dividem entre “cautela” e “rigor” sobre Chico 2000

O parlamentar foi alvo de três operações em menos de um ano e afastada do cargo na última semana

Montagem/MidiaNews

Os vereadores Samantha Íris, Paula Calil, Michelly Alencar, Rafael Ranalli, Daniel Monteiro e Maysa Leão falaram sobre

Os vereadores Samantha Íris, Paula Calil, Michelly Alencar, Rafael Ranalli, Daniel Monteiro e Maysa Leão falaram sobre

GIORDANO TOMASELLI
DA REDAÇÃO

Os vereadores de Cuiabá se dividiram ao se manifestarem sobre a possibilidade de instauração de uma Comissão Processante que pode resultar na cassação do vereador Chico 2000 (sem partido).

 

Temos que esperar chegar o texto. Já vivemos esse episódio no ano passado, então não podemos sair ‘atirando pedra’

Chico foi alvo de três operações em menos de um ano: a Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Civil em abril do ano passado, da qual resultou seu afastamento do cargo por seis meses; a Operação Rescaldo, deflagrada em junho pela Polícia Federal; e, na última semana, a Operação Gorjeta, que culminou em novo afastamento por decisão judicial.

 

Na sessão desta terça-feira (3), foi lido em plenário um pedido de abertura de Comissão Processante contra o parlamentar, apresentado pelo ex-juiz Julier Sebastião.

 

Após a leitura, o documento foi encaminhado à Procuradoria da Câmara, que deverá emitir parecer sobre a constitucionalidade ou não do pedido.

 

Espera por parecer

 

Segundo a presidente Paula Calil (PL) ainda é "cedo" para cravar uma cassação. "É muito cedo para falarmos sobre a perda de mandato, acredito que a instalação de uma Comissão dá a oportunidade ao acusado de dar suas explicações. Caberá ao plenário decidir a instauração ou não", afirmou.   

 

Os vereadores Maysa Leão, Daniel Monteiro e Rafael Ranalli (PL) seguiram a mesma linha e defenderam cautela e avaliaram que ainda não é o momento de abrir uma investigação no âmbito do Legislativo. Eles argumentam que as apurações ainda estão em curso, correm sob sigilo e, até o momento, não haveria provas robustas que sustentem a abertura de uma comissão, além da necessidade de aguardar o posicionamento da Procuradoria da Casa sobre a materialidade do pedido.

 

Victor Ostetti/Midianews

Policiais da Operação Gorjeta na Câmara de Cuiabá

Policiais saem do prédio da Câmara no último 26 de janeiro após buscas em gabinetes durante Operação Gorjeta

 Segundo Ranalli, seria perigoso “sair atirando pedra”, uma vez que decisões judiciais podem ser revistas, como já ocorreu anteriormente.

 

“Temos que esperar chegar o texto. Já vivemos esse episódio no ano passado, então não podemos sair ‘atirando pedra’ para, daqui a pouco, não virar nada na Justiça, mandar pagar salário, voltar e pegar a cadeira de novo”, disse, referindo-se à decisão judicial que permitiu a Chico receber salários enquanto afastado e retornar ao cargo em setembro, após quase seis meses.

 

“Vamos aguardar o parecer da Procuradoria. Provavelmente, se vier a plenário, o processo dará continuidade, haja vista que são três operações seguidas, mas esperamos o resultado das investigações”, completou.

 

Daniel Monteiro e Maysa Leão também relembraram que o autor do pedido já apresentou representações anteriores que não possuíam materialidade jurídica.

 

“Precisamos analisar o documento, porque na primeira vez apresentada [pelo Julier, em situação anterior], não houve materialidade. Não somos justiceiros; estamos aqui para fazer Justiça dentro de um Parlamento que não é o Judiciário”, afirmou Maysa.

 

“Sem materialidade, não vai ser aberto. Não há medo de enfrentamento, mas precisamos ver quais elementos existem”, acrescentou.

 

Monteiro foi ainda mais crítico ao histórico do autor do pedido.


“Primeiro, preciso analisar o teor da denúncia. Ele fez uma no ano passado que não preenchia sequer os critérios de admissibilidade. O ex-juiz tentou ser candidato várias vezes; está na hora de entender que o jogo político não é feito na Justiça, e sim na urna. Se houver indícios robustos, provas e condenações, aí sim a Câmara tomará providências, dentro da legalidade”, disse.

 

“Sem passar pano”

 

Se a comissão for aberta, com embasamento legal, meu voto será pela legalidade, sem passar pano para ninguém

Já as vereadoras Samantha Íris (PL) e Michelly Alencar (União) afirmaram ver indícios suficientes para a abertura da Comissão Processante.

 

Elas destacam que o parlamentar foi alvo de três operações apenas em 2025 e avaliam que aguardar a conclusão das investigações judiciais pode levar muito tempo, diante da morosidade do sistema. 

 

“Se estiver dentro dos parâmetros exigidos pela Casa, o processo pode ir para frente e ser avaliado pelos vereadores. Isso não é a finalização da investigação, que cabe ao Judiciário; é um processo da Câmara e pode ser feito, desde que respeite as normas”, afirmou Samantha.

 

“A Câmara é uma Casa de 27 vereadores, todos têm seus posicionamentos em relação a essas questões, e durante o inquérito teremos a oportunidade de nos manifestar e votar ao final. A abertura do processo é válida”, completou.

 

Segundo Michelly, ela não passará “pano” para ninguém só por coleguismo.

 

“No caso do Chico, que já teve afastamentos e não é a primeira vez, acredito que há elementos, sim, para a abertura de uma Comissão Processante”, disse Michelly.

 

“Defendo a legalidade. Obviamente, não podemos permitir que práticas que combatemos diariamente fora daqui sejam acobertadas porque envolvem um parceiro dentro da Casa. Se a comissão for aberta, com embasamento legal, meu voto será pela legalidade, sem passar pano para ninguém”, concluiu.

 

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