O delegado José Getúlio Daniel, responsável pelas investigações da Operação Codinome Fantasma III, deflagrada nesta terça-feira (24), afirmou que uma das estratégias dos líderes do esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que operava no norte do Estado, era a mudança constante de endereços.

Dois deles se mudaram de Cuiabá para o Espírito Santo e, à distância, continuavam comandando o esquema.
De acordo com o delegado, essa não é uma estratégia nova: “é um padrão desses criminosos, eles mudam continuamente e muitos têm mais de um endereço, isso é para despistar a continuidade das investigações”, afirmou.
Segundo ele, no entanto, a estratégia foi ineficaz, e o grupo vem sendo desmantelado por meio das investigações policiais.
“São investigados que cometiam crimes em Sinop, mas haviam mudado a sua residência aqui em Cuiabá com o principal intuito de realmente se desvencilhar das operações policiais. Mas a continuidade das nossas investigações conseguiu realizar essa vinculação”, afirmou.
Geslaine foi presa no Espírito Santo por já ter um mandado de prisão em aberto, e Ivonei foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Conforme apurou a reportagem, o casal seria proprietário de uma empresa de transportes em Várzea Grande, usada no esquema para movimentar valores oriundos do crime.
Montagem/MidiaNews
Geslaine e Ivonei, casal alvo de operação da Polícia Civil
De acordo com o delegado, o esquema movimentou cerca de R$ 8 milhões, valor identificado a partir de análise patrimonial realizada ao longo das investigações.
“Por meio dessa análise, conseguimos identificar tanto as pessoas que organizavam e distribuíam as drogas em Sinop quanto os valores que eram remetidos para esses líderes da organização criminosa”, disse.
Ainda conforme o delegado, esta fase da operação tem como foco principal atingir o poder financeiro do grupo.
“Nosso principal objetivo é atacar o tráfico de drogas no norte do Estado, mas o enfoque principal nesta fase foi a descapitalização dessa organização criminosa”, explicou.
Ele destacou que, nas fases anteriores, a Polícia Civil concentrou esforços na prisão dos envolvidos e na apreensão de drogas e armas.
“Conseguimos, inclusive, no começo do mês, uma grande apreensão de drogas na região de fronteira do Estado, com mais de 500 quilos de cloridrato de cocaína e pasta base, vinculados a essa operação”, afirmou.
Agora, segundo o delegado, o foco é recuperar os bens adquiridos de forma ilícita.
“Esse patrimônio, imóveis, veículos e outros bens, foi apreendido e sequestrado. Nos próximos meses, passará por avaliação judicial e poderá ser levado a leilão, para que os valores sejam revertidos em prol da sociedade”, concluiu.
A operação
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, sendo quatro mandados de prisão preventiva, 27 mandados de busca domiciliar, 30 bloqueios de contas bancárias, apreensão de veículos de carga e de passeio dos investigados, suspensão das atividades comerciais de quatro pessoas jurídicas, além do sequestro de nove imóveis adquiridos como fruto de lavagem de dinheiro, totalizando mais de R$ 10 milhões em apreensões.
As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Mato Grosso: Sinop, Santa Carmem, São José dos Quatro Marcos, Várzea Grande e Cuiabá. Fora do Estado, são cumpridos mandados nas cidades de Anápolis (GO) e Barra de São Francisco (ES).
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