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04.04.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

Polícia quer reconstruir linha do tempo para desvendar crime em MT

Irmão e cunhada estão presos suspeitos do crime; eles apresentam versões contraditórias e PJC apura

Victor Ostetti/MidiaNews

A delegada Jéssica Cristina de Assis, da DHPP, responsável pelo caso

A delegada Jéssica Cristina de Assis, da DHPP, responsável pelo caso

LIZ BRUNETTO
DA REDAÇÃO

A Polícia Civil tenta reconstruir a linha do tempo do feminicídio de uma adolescente de 17 anos, encontrada no dia 11 de março em um córrego nos fundos da casa do irmão, no bairro Três Barras, em Cuiabá.

Estamos tentando entender se isso foi simultâneo, se houve algumas horas de lapso, se na ocultação teve a participação apenas de um deles

 

Marcos Pereira Soares, irmão da vítima, e a esposa dele, Mariane Mara da Silva, estão presos, suspeitos de terem cometido o crime. Ele foi detido no dia seguinte ao encontro do corpo, enquanto ela teve a prisão temporária cumprida no dia 26.

 

De acordo com a delegada Jéssica Cristina de Assis, responsável pelo caso, a principal dificuldade neste momento é fechar a janela de tempo entre o desaparecimento da adolescente, a morte e a ocultação do corpo.

 

“Como o corpo estava submerso, a gente não tem um tempo muito exato da morte dessa menina para fechar a linha do tempo. Então, a nossa principal função é entender quais foram os horários e os lapsos temporais tanto para matar quanto para ocultar o corpo”, explicou.

 

“Estamos tentando entender se isso foi simultâneo, se houve algumas horas de lapso, se na ocultação teve a participação apenas de um deles. Tudo isso está sendo apurado”, completou.

 

Os dois foram interrogados novamente e colocados frente a frente em acareação, mas as versões apresentadas foram contraditórias.

 

“Durante a acareação, um acusou o outro. Cada um tenta se eximir da própria culpa, imputando a autoria ao outro”, afirmou a delegada.

 

Testemunhas relataram movimentações suspeitas de Mariane no dia do crime e também após o desaparecimento da adolescente.

 

A Polícia Civil também identificou comportamentos considerados atípicos por parte da suspeita. Conforme a delegada, ela procurou veículos de imprensa logo após o crime para apresentar sua versão e, posteriormente, passou a frequentar a delegacia com frequência, sob o argumento de buscar ajuda, mas, na prática, tentava obter informações sobre o andamento das investigações.

 

O laudo de necropsia apontou que a causa da morte foi estrangulamento, provocado por uma peça de roupa de Mariane. O exame também identificou queimaduras em diversas partes do corpo da adolescente.

 

Até o momento, não foram constatados indícios de conjunção carnal forçada, embora a hipótese de violência sexual ainda não esteja descartada.

 

Apesar dos avanços, a investigação ainda não foi concluída. Segundo a delegada, nenhum dos suspeitos apresentou detalhes considerados cruciais para o esclarecimento do crime.

 

 

“Nem ela nem ele dão os detalhes para a elucidação. Ambos tentam se esquivar da autoria, então precisamos realizar uma série de diligências para entender como isso aconteceu”, concluiu.

 

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