A bancada evangélica do Congresso fortaleceu o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a janela partidária. O movimento, em ano eleitoral, ajuda a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e é um revés para o presidente Lula (PT), que tenta se aproximar do segmento.
A bancada evangélica passou por reorganização. Deputados e senadores migraram para legendas mais alinhadas à direita, especialmente o PL e o Republicanos.
O grupo conta com 235 parlamentares. No total, são 209 deputados e 26 senadores.
A janela partidária permitiu trocas de partidos de 5 de março até hoje. No período, parlamentares puderam mudar de legenda sem risco de perder seus mandatos. Partidos têm usado a janela partidária para reforçar bancadas e ampliar influência nas eleições deste ano.
O PL, de Bolsonaro, foi o principal destino de parlamentares da bancada. Recebeu 15 deputados e senadores (passou a 78 parlamentares da bancada).
Depois do PL, o Republicanos é o partido com mais deputados e senadores da bancada evangélica. Recebeu três deputados e senadores (passou a 39 parlamentares da bancada). Considerada de centro-direita, a legenda tem ligação com a Igreja Universal e abriga políticos como a senadora Damares Alves.
O União Brasil foi o principal prejudicado na reorganização da bancada. Dez parlamentares deixaram o partido, a maioria foi para o PL.
Os movimentos refletem as mudanças ocorridas na Câmara como um todo. A janela partidária movimentou ao menos 73 deputados federais, o equivalente a cerca de 14% da Câmara. O União Brasil lidera as perdas (18 deputados), enquanto o PL foi o principal destino dos que fizeram a mudança (15 deputados).
Impacto nas eleições de 2026
A reorganização da bancada evangélica tem impacto direto nas eleições de 2026. O fortalecimento do PL amplia a base do campo bolsonarista, especialmente entre lideranças religiosas que tradicionalmente têm influência sobre o eleitorado evangélico.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, sai fortalecido. A reorganização ocorre às vésperas da disputa com Lula, que tentará a reeleição.
O peso político do segmento evangélico ajuda a explicar a importância da movimentação. Segundo o Censo de 2022, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, mais de um quarto do país.
Levantamento do Datafolha indicou que Flávio tem até o dobro das intenções de voto de Lula entre os evangélicos. Em alguns cenários, o senador chega a cerca de 50% nesse segmento, enquanto Lula tem no máximo 23%.
A dificuldade com o eleitorado evangélico é vista por aliados como um dos principais desafios do governo para 2026. Avaliação interna do Planalto aponta o segmento como um dos pontos mais frágeis do presidente na disputa eleitoral.
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