Cuiabá, Domingo, 29 de Março de 2026
LÍDER DA DIREITA
29.03.2026 | 09h30 Tamanho do texto A- A+

“Bênçãos” de Bolsonaro vira eixo de disputa pelo Governo de MT

Professor da UFMT cita poder de "transferência de voto" maior que de Lula e ligação do agro com direita

Montagem/MidiaNews

O vice-governador Otaviano Pivetta e o senador Wellington Fagundes, que são pré-candidatos ao Governo e disputam apoio de Jair Bolsonaro

O vice-governador Otaviano Pivetta e o senador Wellington Fagundes, que são pré-candidatos ao Governo e disputam apoio de Jair Bolsonaro

VITÓRIA GOMES
DA REDAÇÃO

A disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026 já começou, mesmo que não oficialmente, e tem como eixo central a corrida entre o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL) pelo apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Vivemos em um Estado que é banhado majoritariamente pela cultura do agro, que tem vínculo histórico com campo da direita

Segundo o professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Thiago Cury, é a primeira vez que dois nomes competitivos da direita no Estado entram em confronto pela “bênção” de uma liderança nacional.

 

Ele lembra que, em 2022, o apoio de Bolsonaro também esteve presente, mas em um cenário completamente diferente, pois havia um candidato de consenso na direita, o governador Mauro Mendes (União), que acabou reeleito com facilidade diante de um apoio da maioria conservadora.

 

Agora, segundo Cury, com mais de um nome viável no mesmo campo ideológico, o apoio deixou de ser apenas um reforço e passou a ser objeto de disputa.

 

Na prática, essa corrida entre os pré-candidatos começou ainda em 2025, quando o MidiaNews trouxe a público a sinalização inicial de preferência de Bolsonaro por Pivetta na sucessão do Palácio Paiaguás. O movimento deu um impulso inicial ao vice-governador, que passou a ser tratado como o nome mais alinhado ao bolsonarismo no Estado.

 

Já em 2026, o cenário mudou quando Wellington Fagundes passou a afirmar que o ex-presidente endossou seu nome para o Governo após uma visita a ele no começo de março, quando Bolsonaro estava preso na Papudinha, em Brasília. Agora ele está em prisão domiciliar.

 

A fala do senador, porém, foi colocada em cheque pelos adversários, que insinuaram que Bolsonaro não o apoiaria para sucessão do Palácio Paiaguás.

 

Para Cury, embora não haja campanha oficialmente em curso, as movimentações demonstram que o jogo político está em andamento.

 

Força bolsonarista

 

Os políticos de direita em Mato Grosso tem sido consenso entre os eleitores por décadas, principalmente quando se fala em eleição ao Governo. É fato que nunca antes uma liderança da esquerda conseguiu se eleger governador no Estado, apesar de muitos terem tentado.

 

Talvez Bolsonaro tenha uma capacidade de transferência de votos que nem o presidente Lula consiga ter

Segundo Cury, é justamente essa hegemonia que ajuda a explicar o peso do apoio de Bolsonaro em Mato Grosso.

 

“Vivemos em um Estado que é banhado majoritariamente pela cultura do agronegócio e estamos falando aqui de um grupo socioeconômico muito poderoso, que tem um vínculo histórico com o campo da direita”, afirmou o professor.

 

“E nesse sentido, temos um personagem político que desde 2018 tem um capital muito elevado. [...] Então, me parece natural e óbvio que estando em um Estado em que a população é majoritariamente de direita, a gente vai ter uma quantidade maior de políticos alinhados a este campo ideológico e que, consequentemente, vão tentar buscar no artífice, uma certa influência nas disputas regionais”, explicou.

 

Essa força, inclusive, ainda se traduz em votos. Cury avaliou que o ex-presidente mantém capacidade de transferência eleitoral relevante, especialmente em Mato Grosso, mesmo estando afastado da disputa eleitoral este ano.

 

Ele vai além e aponta que, em determinados contextos, Bolsonaro pode ter até mais capacidade de transferência do que outras lideranças nacionais, como é o caso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

“Talvez ele [Bolsonaro] tenha uma capacidade de transferência de votos que nem o presidente Lula, que também é uma figura muito popular, consiga ter”, disse.

 

“Acho que isso ficou evidenciado na eleição de 2022, em que a influência de Bolsonaro conseguiu eleger muitos deputados, senadores e governadores, mas a ele próprio não foi suficiente, porque enfrentou um oponente que também é muito popular”.

 

As direitas em Mato Grosso

 

A disputa entre Pivetta e Wellington também revela nuances internas do próprio campo conservador. Para o professor, não existe uma direita única em Mato Grosso, mas sim diferentes vertentes.

 

Nesse sentido, Wellington, por ser do partido de Bolsonaro, se aproxima de um eleitorado mais ideologizado, ligado diretamente ao bolsonarismo mais forte. Já Pivetta, pode dialogar melhor com um perfil mais moderado, ligado ao conservadorismo tradicional no Estado.

 

O cenário, no entanto, está longe de ser definitivo. Com meses pela frente até as eleições, novas alianças, movimentos e até mudanças de posicionamento podem alterar completamente o quadro atual.

 

“A gente tem, em determinadas regiões do Estado, principalmente mais ao norte de Mato Grosso, uma população que se identifica mais com este viés ideológico mais extremado, acho que as últimas eleições demonstraram isso”, explicou Cury.

 

“Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que há outras regiões em Mato Grosso, que são mais ponderadas, digamos assim, que são conservadoras e não reacionárias, o que pode favorecer o Pivetta”, completou.

 

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