A CPI da Covid do Senado suspeita que o empresário cuiabano Danilo Trento tenha "presenteado" com dois relógios da marca Rolex um agente público envolvido na negociação de vacinas pelo Ministério da Saúde. O valor do "presente" chega a R$ 75 mil.
Trento, que é diretor institucional da farmacêutica Precisa Medicamentos, foi ouvido pela CPI nesta quinta-feira (23).
A empresa é investigada na CPI por intermediar a compra da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, pelo Ministério da Saúde. O contrato de R$ 1,6 bilhão entre o Ministério e a Precisa acabou suspenso após o surgimento de diversos indícios de irregularidades.
Em depoimento, Trento uso a prerrogativa de um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que garantiu seu direito de permanecer em silêncio.
O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o silêncio de Trento não interfere nas investigações. E apontou que a comissão tem documentos que comprovam a compra dos relógios de luxo em um shopping de Curitiba (PR).

“Para que foi comprado um Rolex em Curitiba? Dois Rolex comprados na joalheira no Shopping Cidade, para quem foi? Tudo indica que isso é presente para quem intermediou o contrato da Precisa”, afirmou Randolfe em entrevista coletiva nos corredores do Senado.
“Para quem eram as joias? Quem ia receber R$ 75 mil em joias ou relógios? Para qual pulso foi esse relógio? Essa é a pergunta”, emendou.
Para Randolfe, os relógios foram para alguém que facilitou a negociação entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde.
“Minha suspeita é que o pulso de alguém que articulou o contrato da Precisa. Não me parece à toa ser comprado em uma joalheira na cidade de Curitiba. Não me parece ser à toa. Acho que é um pulso que está em investigação na CPI”, disse.
Questionado se o deputado Ricardo Barros (PP-PR) seria um dos suspeitos de ter recebido o Rolex, já que é paranaense e investigado na CPI, Randolfe disse que sim. Barros é líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal.
A oitiva
Trento foi ouvido pela comissão durante todo o dia, mas se negou a responder a maioria dos questionamentos. Além de diretor institucional da Precisa, ele é sócio da empresa Primarcial Holding e Participações.
A CPI suspeita que a Primarcial tenha sido usada para “lavagem” de dinheiro em um esquema com o Governo Federal.
O empresário cuiabano tem empresas ligadas a Francisco Maximiano, que é dono da Precisa Medicamentos.
Ele ainda foi apontado pelo lobista Marconny Faria, em depoimento à CPI, como o verdadeiro “dono” da Precisa, aquele com quem as conversas sobre as intenções da Precisa em contratos com o Ministério da Saúde eram tratadas.
“Eu sou diretor institucional da Precisa Medicamentos”, garantiu Trento quando foi questionado sobre suas acusações.
A comissão ainda apontou que foram recebidas informações de que “Danilo e Maximiano viajaram juntos à Índia para as negociações em torno dos testes de Covid e da vacina Covaxin”.
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1 Comentário(s).
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| Graci Ourives de Miranda 23.09.21 17h14 | ||||
| ATÉ ROLEX? O POVO DESEMPREGADO E FAMINTO, SANTO DEUS ! | ||||
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