Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
TENSÃO PRÉ-ELEITORAL
03.04.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

PL, União Brasil e MDB batem cabeça na fase final da "janela"

Partidos têm líderes com diferentes visões para disputa de outubro e não têm sintonia a seis meses da eleição

MidiaNews

Os presidentes dos partidos, Ananias Filho (PL), ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB)

Os presidentes dos partidos, Ananias Filho (PL), ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB)

JONAS DA SILVA
DA REDAÇÃO

O PL, o União Brasil e o MDB, principais partidos que têm pré-candidatos majoritários (Governo e Senado) na eleição de outubro, chegam no fim da janela partidária divididos e sem consenso político sobre o caminho a seguir para serem competitivos na disputa pelo voto do eleitor. 

 

A Federação PRD e Solidariedade, de suporte à chapa governista de Otaviano Pivetta (Republicanos), também foi surpreendido nesta semana. A direção nacional destituiu o presidente estadual, o novo secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho. E os pré-candidatos a deputado estadual da sigla ficaram sem chão.

 

A exceção entre as siglas grandes com pré-candidatos majoritários é o Republicanos, que tem atuado discreto, como o chefe maior, Pivetta. E está em ascensão, por ter filiado o deputado federal Juarez Costa e outras lideranças, como o deputado Eugênio de Paiva, e assumido o comando do Palácio Paiaguás nesta semana. 

 

A janela partidária se encerra neste sábado, dia 4 de abril, e é o período permitido pela legislação eleitoral para deputados estaduais e federais trocarem de sigla sem perder o mandato.

 

Desenho da disputa

 

As decisões finais das siglas sobre chapas, alianças ou apoios e candidatos serão feitas nas convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. Porém, pode-se dizer que a janela partidária mostra praticamente o desenho de como ficarão os competidores da disputa eleitoral.

 

Os dirigentes partidários têm quebrado a cabeça para definirem candidatos e a melhor estratégia para ganhar a eleição. Uma mostra da situação, além do caso do PRD, foi o Podemos. Tinha na quarta-feira (1º) a filiação certeira do deputado federal e ex-secretário da Casa Civil, Fábio Garcia para reforçar sua chapa.

 

Na quinta-feira (2), Garcia não apenas não foi para o partido, como a sigla do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, filiou às pressas o deputado federal Nelson Barbudo, uma das muitas surpresas dos conchavos políticos de 2026 que ainda virão.

 

Algo parecido ocorreu com o União Brasil: na quarta-feira, o ex-governador Mauro Mendes anunciou a filiação na manhã seguinte do deputado Nelson Barbudo ao partido. Ele se filiou realmente, mas no Podemos.

 

Liberais não se entendem

 

No PL, as diferenças de bastidores entre o pré-candidato ao Governo, senador Wellington Fagundes, e o pré-candidato ao Senado, deputado federal José Medeiros, se tornaram públicas na imprensa.

 

Ele chegou a dizer que Wellington não precisa ser candidato. Medeiros também é contra a aproximação do partido com o MDB, cuja presidente, deputado Janaina Riva, disputará o Senado também.

 

Sem contar que os prefeitos das maiores cidades e colégios eleitorais, Abilio Brunini (Cuiabá); Flávia Moretti (Várzea Grande) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis) não têm sinalizado apoio definitivo e vestido a camisa para defender Wellington como nome ao Governo.

 

Abilio e Flávia são bem próximos ao vice-governador Otaviano Pivetta. Abilio já chegou a dizer que tanto faz Pivetta ou Wellington ganhar e vai ficar neutro no apoio. Já Flávia diz ter simpatia pelo governador.

 

União Brasil

 

O União Brasil vive há meses impasse na cúpula do partido, com o presidente da sigla, ex-governador Mauro Mendes, e o senador Jayme Campos querendo caminhos diferentes do partido na eleição.

 

O foco principal da discórdia é a insistência do senador Jayme Campos em ser pré-candidato ao Governo, enquanto Mendes decidiu pelo apoio à Pivetta.

 

O partido teve uma baixa importante essa semana, com a filiação do deputado Eduardo Botelho ao MDB. Já os três deputados do partido que ficaram (Dilmar Dal Bosco, Júlio Campos e Sebastião Rezende) não têm certeza de que terão chapa competitiva para renovarem mandatos na Assembleia Legislativa.

 

Todos eles têm convites de outras siglas. E Dilmar mirava o implodido PRD.

 

O partido está junto com o PP na Federação União Progressistas e precisa lançar 25 nomes para uma chapa para a Assembleia Legislativa. Mesmo com as duas siglas só há 16 a 18 pré-candidatos.

 

MDB: conflito interno

 

Outro partido grande com pré-candidato majoritário e que vive problemas internos é o MDB, da presidente e pré-candidata ao Senado, deputada Janaina Riva. A sigla viveu uma gangorra esta semana. 

 

O partido teve uma baixa na segunda-feira (30), com a saída da presidência da sigla em Cuiabá do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT), Francisco Faiad. Mas na quinta-feira ganhou a filiação de Botelho, para alívio e menos pressão política.

 

Faiad deixou o comando do MDB Cuiabá e explicou os motivos em uma carta pública em que ele aponta divergências ideológicas com a presidente da sigla, deputada Janaina Riva. Faiad sempre foi mais à esquerda. E Janaina já declarou apoio ao candidato a presidente do PL, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 

O MDB ainda perdeu neste mês os deputados federais Juarez Costa para o Republicanos e o Emanuelzinho Pinheiro para o PSD. A deputada Janaina já fez outras filiações para reforçar a chapa e cogita lançar a irmã, Jéssica Riva, como pré-candidata a deputada federal.

 

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