Cuiabá, Sábado, 4 de Abril de 2026
ESQUEMA NO DAE-VG
30.09.2024 | 09h33 Tamanho do texto A- A+

Polícia: servidor usava termo "pocotó" para se referir a propina

Servidores da autarquia municipal foram alvos da Operação Gota D'Água, deflagrada pela Polícia Civil

Divulgação

Deccor cumpriu mandados de busca na sede do DAE, no último dia 20

Deccor cumpriu mandados de busca na sede do DAE, no último dia 20

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

A Polícia Civil diz que servidores do DAE-VG (Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande), alvos da Operação Gota D'Água, usavam a expressão "pocotó" para se referir a propina.

 

Em uma das conversas, um fiscal de corte usa o termo quando tratava de uma ligação de água em uma residência da cidade. “E o pocotó? Vai ter pocotó?”, questiona.

 

A pergunta foi feita pelo fiscal de corte Anderson de Lima Barros ao colega, também fiscal de corte, Edson Ribeiro dos Santos. Ambos foram alvos de busca e apreensão e mandado de afastamento do cargo no âmbito da operação, que foi deflagrada pela Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção) no último dia 20.

 

A operação apura supostas fraudes no sistema do DAE em Várzea Grande, e descobriu que servidores utilizaram sete tipos de esquema para fraudar a autarquia, entre elas, a cobrança de valores por serviços devidos. 

 

Na conversa entre os fiscais de corte, Edson conta a Anderson que o diretor-comercial da autarquia, Alessandro Macaúbas Leite de Campos, determinou que eles fizessem duas ligações de água com material do DAE. Alessandro foi preso na operação.

 

Ao receber a demanda, Anderson questiona se haverá "pocotó". Edson responde: "Não sei se tem o 'pocotó', para mim ele [Alessandro] não falou nada, ele falou que é para fazer!".

 

O inquérito policial ao qual o MidiaNews teve acesso não especifica a data da ligação telefônica.

 

Para a Polícia, a conversa é uma clara demonstração de que a cobrança de propina “se trata da regra” para a realização do serviço de abastecimento de água.

 

Veja fac-símile:

 

 

A operação

 

A Gota D'Água cumpriu 123 mandados judiciais, entre prisões preventivas, busca e apreensão, suspensão de função pública, sequestro de bens e bloqueio de valores e medidas cautelares diversas.

 

A principal medida foi a determinação de intervenção imediata do Município de Várzea Grande na diretoria comercial do DAE, com o objetivo de restabelecer a prestação regular e efetiva do serviço público de abastecimento de água e esgoto, que foi cooptado pelo grupo criminoso.

 

Foram decretadas 11 prisões preventivas, entre elas a do vereador Pablo Pereira e do direto comercial Alessandro Macaúbas, que são apontados como líderes do suposto esquema.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Polícia Civil identifica sete tipos de fraudes No DAE-VG; veja

 

Vereador pressionou para evitar demissão de suspeito de propina

 

Operação da Polícia Civil prende 11 por esquema no DAE de VG

 

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia