O Governo do Estado encaminhou para a Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (31), um projeto de lei que proíbe o transporte, armazenamento e comercialização de pescado nos rios de Mato Grosso pelos próximos 5 anos.

Se aprovada, a lei passará a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2024, sendo permitida a pesca de subsistência e na modalidade pesque e solte - exceto no período da piracema, em que serão proibidas todas as modalidades (confira a íntegra do projeto AQUI).
Segundo o Governo, a medida é necessária em razão da redução dos estoques pesqueiros nos rios, colocando em risco várias espécies nativas de Mato Grosso e estados vizinhos, principalmente pela pesca predatória.
O objetivo do projeto também é fomentar o turismo no Estado e garantir emprego e renda para as famílias que vivem da pesca.
No caso dos pescadores artesanais, será pago auxílio financeiro por três anos, e o profissional receberá qualificação, em programas da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania para o turismo ecológico e pesqueiro e de produção sustentável da aquicultura.
A matéria tramita em urgência e urgentíssima e teve análise suspensa após pedido de vistas. Por conta disso, a presidente em exercício da Assembleia, Janaina Riva (MDB), convocou uma sessão extraordinária para quinta-feira (1) para votar o texto.
Restrição, multas e repesca
Segundo o Governo do Estado, foi iniciada em 2020 uma discussão permanente sobre normas ambientais e impacto na preservação dos rios e sustentabilidade da pesca, por meio de reuniões no Conselho Estadual da Pesca (Cepesca), com debates e troca de informações e sugestões de diversos setores.
“Como resultado, algumas mudanças se mostraram de suma importância como a utilização de uma restrição temporal na pesca para o controle da pesca predatória, ordenamento e manejo dos estoques pesqueiros em Mato Grosso”, diz a mensagem do Governo.
Conforme o projeto, será permitido o transporte e comercialização de peixes apenas em empreendimentos, como barco-hotel, rancho, hotel, pousada e até em barrancos e acampamento, que fiquem às margens do rio destinados ao consumo no local.
Caso qualquer cidadão seja pego fazendo o transporte de peixes em Mato Grosso, o pescado será apreendido, bem como as tralhas e será aplicada uma multa - que em caso de pesca depredatória será de R$ 5 mil a 200 mil, com acréscimo de R$ 150 por quilo de peixe.
E para quem transportar, armazenar, beneficiar, industrializar ou comercializar pescado de rios de Mato Grosso, sem comprovante de origem, haverá multa de R$ 5 mil a R$ 200 mil, com acréscimo de R$ 100 por quilo de pescado.
À exceção da regra são pescadores profissionais. O Governo deverá criar um programa chamado Repesca, que fará o registro dos pescadores profissionais do Estado, por meio da Secretaria de Assistência Social e Cidadania.
Esses pescadores terão que comprovar que faziam da pesca artesanal sua profissão exclusiva, principal meio de vida e única fonte de renda, até a data da publicação da lei.
Um auxílio também será criado e pago aos pescadores profissionais artesanais, fora do período da Piracema, no período de três anos. No primeiro ano, serão pagos um salário mínimo; metade de um salário mínimo no segundo ano e 25% de um salário mínimo no terceiro ano.
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7 Comentário(s).
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| pedro luis 01.06.23 10h41 | ||||
| Apoio 100% o projeto. O peixe tem mais valor dentro do rio do que nas peixaria e restaurantes. Do jeito que vai, daqui alguns anos não teremos peixe nem para tirar fotografia. No mundo inteiro se come peixe de cativeiro....por que no MT tem que ser diferente? | ||||
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| Antonio César 01.06.23 09h41 | ||||
| Concordo e aprovo a pesca esportiva, penso que seria ótimo para o estado e para o turismo, porém deixar a pesca profissional funcionar, não me parece inteligente, basta ir nos rios para ver o quanto de espinhel, anzóis de galho e reneiros existem, muitas vezes atuando como bandidos, de forma ilegal, como se fossem pescadores profissionais, abastecendo os restaurantes com peixe ilícito, e o volume de peixes capturados por estes indivíduos são enormes e isso sim está acabando com os nossos peixes. | ||||
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| mayh 01.06.23 09h15 | ||||
| a verdade é que quem aprovar esse projeto, não conhece a vida das pessoas ribeirinhas e pescadores que vive da pesca pra sobreviver, ainda mais quando há cidades que não tem trabalho pra toda população, e mesmo que tenha trabalho, ninguém consegue viver de um salario mínimo, e se vocês acha que pesca e solta não mata os peixes vocês estão enganados por que muitos morrem, pode ter certeza que os pescadores e os ribeiros estão contra essa aprovação, moradora de Santa Terezinha - MT. | ||||
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| WAGNER MALHEIROS 01.06.23 08h27 | ||||
| Gostaria de ler o estudo que demonstra de forma clara e inequívoca que existe um decréscimo dos cardumes de peixes. O que falta é fiscalização. Pelo que li, em dois anos o pescador profissional recebera apenas um quarto de salário mínimo, ou seja, terá a sua subsistência destruída por pessoas que não se importam, não buscam verdadeira soluções e resolvem criar uma lei sem nenhuma evidência científica, a não ser o "eu acho". A população deve se lembrar muito bem dessas pessoas que estão destruindo famílias para satisfazer os mentores de pautas que não se importam com o homem. | ||||
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| Jucinei 31.05.23 23h54 | ||||
| Tá certo precisamos fazer alguma coisa para preservar a nossa cultura hj o depredador recebe o seguro pescador e alguns continua pescando , precisamos soltar mais peixe nos Rios e esperar crescer e produzir temos que fiscalizar maís. | ||||
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