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REPRESENTATIVIDADE FEMININA; VÍDEOS
29.03.2026 | 11h40 Tamanho do texto A- A+

Ventilada para vice de Pivetta, Gisela afirma que foco é reeleição

Deputada é apontada como nome forte para vice por ser mulher, negra e ter base na Baixada Cuiabana

Victor Ostetti/MidiaNews

A deputada federal Gisela Simona, que falou sobre a rotina na Câmara Federal e projeto de reeleição

A deputada federal Gisela Simona, que falou sobre a rotina na Câmara Federal e projeto de reeleição

GIORDANO TOMASELLI
DA REDAÇÃO

A deputada federal Gisela Simona (União) afirmou que sua prioridade é disputar a reeleição à Câmara dos Deputados e minimizou a possibilidade de integrar, como vice, uma eventual chapa ao Governo de Mato Grosso encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos) nas eleições deste ano.

 

Hoje, a minha única alternativa é ser candidata a deputada federal

Nos bastidores, Gisela é apontada como um nome forte para compor como vice, posto que é uma mulher, negra e tem reduto eleitoral na Baixada Cuiabana.

 

"Eu nunca nem pensei nisso, nessa possibilidade. Estamos trabalhando mesmo para a candidatura à federal", afirmou ao MidiaNews.

"Mas faço parte de um grupo e quando a gente faz parte de um, entende que aquilo que fortalece o grupo tem que estar aberto para analisar. Mas hoje, a minha única alternativa é ser candidata a deputada federal", completou.

 

Gisela é suplente de deputada federal e está no cargo há mais de 33 meses. Segundo ela, a rotina na Casa de Leis é marcada por embates "pesados" entre os deputados e é mais vigiado que o Big Brother Brasil, reality show que monitora participantes por 24 horas. 

 

Para a parlamentar, que deixará o cargo no início de abril com o retorno do titular da vaga, o secretário-chefe da Casa Civil Fábio Garcia, embora o Congresso seja o espaço mais democrático do país pela pluralidade de ideias, a pressão constante sobre o que se fala e o que se produz transforma o ambiente em um desafio diário de sobrevivência política. 

 

“Nós somos mais do que um Big Brother, somos monitorados ali dentro o tempo todo. Qualquer voto em alguma comissão, qualquer gasto que se tenha, tudo é monitorado. Muitas vezes, diferente de uma Câmara Municipal ou de uma Assembleia Legislativa, em que você tem, por exemplo, possibilidade de voto secreto, no parlamento Federal isso não existe”, disse em entrevista ao MidiaNews

    

Na entrevista, Gisela falou também sobre os conflitos com Érika Hilton, agora presidente da Comissão da Mulher na Câmara, formação de chapas no União Brasil, apoio à candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo, dentre outros assuntos.

 

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews - A senhora deve retornar ao serviço público no próximo mês. Qual balanço da sua atuação na Câmara dos Deputados? Quais foram os principais resultados?

 

Gisela Simona - Na verdade, foram 33 meses de mandato, desde julho de 2023. Acredito que foi um período de muitos resultados, principalmente nas bandeiras que eu tenho uma atuação mais forte. 

 

É um espaço que tem embates muito fortes, muito pesados do ponto de vista, inclusive, emocional, que exige um preparo

 

Considero que a relatoria do pacote antifeminicídio foi uma das minhas maiores conquistas dentro da Câmara Federal. Afinal de contas, temos uma estatística hoje de quatro mulheres morrendo por dia no país. Mato Grosso, que liderou por dois anos consecutivos o primeiro lugar de feminicídio, então poder contribuir com uma pena de 40 anos, que é a pena máxima do Código Penal Brasileiro foi muito importante. 

 

Consegui também a relatoria de um primeiro instrumento de autodefesa para as mulheres brasileiras, que é o spray de pimenta. Ou seja, não é nem a arma que seria uma proteção mais extrema, mas também não é uma ausência de defesa da mulher. Nós tivemos vários embates, em razão de ser um produto controlado pelo Exército Brasileiro, mas que conseguimos essa autoproteção. 

 

No plano das mulheres, é isso. E na defesa do consumidor conseguimos, principalmente, barrar algumas situações que poderiam ser desastrosas para o país, como o enfraquecimento dos PROCONs, e temos alguns projetos importantes como, por exemplo, o fim do cartão de crédito consignado, que é um produto que hoje causa muito prejuízo e endividamento das pessoas. 

 

MidiaNews - Qual a sua opinião sobre o projeto que prevê o fim da escala 6 a 1?

 

Gisela Simona - É uma discussão que a população quer fazer. Eu entendo que essa discussão surge num momento de sobrecarga do trabalhador com relação a jornada de trabalho, mas ela também surge numa tentativa de fazer uma mudança muito radical que o Brasil, muitas vezes, não está preparado economicamente para isso. 

 

Foram duas propostas de emenda constitucional que foram acatadas por Hugo Motta e que estão na CCJ, tratando de uma redução que hoje é de 44 horas semanais para 36 horas semanais, que seria uma escala de 4 por 3. 

 

De novo, entendo que a discussão é importante, mas entendo que não é essa a escala mais adequada para o Brasil. Tanto que o próprio Governo Federal, inclusive, já admitiu que a proposta dele não é igual à inicial. A proposta do Governo é sair de 44 para 40 horas e uma jornada que seria de 5 por 2. 

 

O que vejo é que precisa amadurecer o tema para a gente trazer uma proposta que seja boa para o trabalhador e que seja boa também para a economia brasileira. Sou a favor da discussão desse fim da escala 6 por 1 porque existe muitas realidades no Brasil que precisam ser adequadas. 

 

Por exemplo, Mato Grosso que trabalha com o agro,  temos aí uma situação de trabalhar com seres vivos, manejo de leite, a situação da própria agropecuária que são escalas e horários diferentes de trabalho. Tudo isso precisa ser pensado para não engessar a regra brasileira. 

 

Porque estamos falando de uma alteração no texto constitucional, qualquer mudança ela é, na verdade, mais difícil de se alterar depois. 

 

MidiaNews - A eleição da deputada Érika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara gerou polêmica e controvérsias. A senhora votou nela? Acha que ela a representa?

 

Gisela Simona - A Comissão da Mulher ficou sobre a responsabilidade do PSOL, assim como o União Brasil, por exemplo, está com a CCJ. Logo, cabia ao PSOL fazer a escolha do seu nome para representá-lo na Comissão e ele escolhe a Érika Hilton. 

 

 

Regimentalmente, não existe nenhuma regra que a Comissão tenha que ser dirigida ou presidida por uma mulher. Existe um recurso em andamento junto com o presidente Hugo Motta, porque na primeira votação o número de votos brancos foi maior que o voto sim. Com isso, o nome indicado não teria sido aprovado. 

 

E, na verdade, se submeteu a um segundo escrutínio, mas que não tem previsão regimental. O recurso que está hoje nas mãos de Hugo Motta é no sentido de anular essa eleição, porque a Érika não teria sido eleita. 

 

O que já me manifestei, é que eu fiz uma indagação a ela com relação ao texto publicado, onde como mulher cis, me senti ofendida no contexto de que seríamos todas, as de centro e de direita, esgoto da sociedade ou imbecis. 

 

Diante disso, na reunião pedi um esclarecimento da deputada e ela esclareceu que, na verdade, não se tratava de todas as mulheres cis, mas daquelas que teriam de alguma forma ameaçado e feito ataques em relação a ela nas redes sociais. 

 

MidiaNews - Achou a resposta dela satisfatória? 

 

Gisela Simona - Não foi convincente porque, na verdade, quando você é desapegado de toda a questão ideológica, você lê o texto, você dá uma brecha de que reafirma essa questão de que quem não pensa igual seria esse 'esgoto da sociedade', que seriam 'imbecis'. 

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Gisela Simona

A deputada Gisela Simona: "Sou a favor da discussão desse fim da escala 6 por 1"

 

MidiaNews - E a senhora pode revelar como votou? Em branco ou sim? 

 

Gisela Simona - Eu votei em branco na primeira chamada. Na segunda não votei. 

 

MidiaNews - A senhora irá mesmo disputar a reeleição para a Câmara Federal? 

 

Gisela Simona - Venho disputar a reeleição. Continuo com a bandeira dos direitos dos consumidores, afinal, a grande parte da população mato-grossense ainda me conhece como Gisela do Procon, em razão da minha atuação no órgão.

 

E o fato de ser mulher, o fato de a gente ter enfrentado esse período do Brasil muito crítico de violência, essas continuarão sendo as minhas principais pautas. 

 

MidiaNews - O União Brasil tem tido dificuldades para a formação de chapa, principalmente a de deputados estaduais. A de federais está mais fechada, mas teve uma baixa com a saída do Coronel Assis. Como estão essas discussões e como avalia esse cenário? 

 

Gisela Simona - Na verdade, todos os partidos que têm um grupo muito forte, um número de mandatários forte, quando chega a eleição passa por isso. Novos concorrentes querem entrar em partidos que eles consideram que tem mais chances de vitória. 

 

E é uma realidade do nosso país que as pessoas que tem mandato tem mais chances de ser reeleita. Não adianta você ter uma boa votação e estar dentro de um grupo partidário que não tem condições de fazer nomes da eleição. 

 

Para federal, Mato Grosso nas últimas eleições tivemos apenas três partidos fazendo mandatários: União Brasil, PL e o MDB. Acredito que nesse ano é muito provável que a gente continue ainda tendo apenas alguns partidos fazendo deputado federal. 

 

Todo mundo está calculando um quociente eleitoral em torno de 240 mil votos para fazer um nome, mas que com 180 mil, que seria os 80%, a gente já conseguiria também fazer um novo voto. 

 

A chapa da União Brasil está bem encaminhada para federal. Tivemos uma dificuldade maior na chapa de estadual, mas acredito que isso está ganhando corpo e até o final da janela partidária vamos conseguir ajustar. 

 

MidiaNews - Nessa chapa de federal, de nomes fortes, além da senhora e do secretário Fábio Garcia, quem ali deve ganhar mais votos? 

 

Gisela Simona - Estamos contando com a confirmação da primeira-dama Virginia Mendes, com o Nilson Leitão, porque agora é a Federação União Progressista. Temos o Victório Galli, que também já foi deputado federal, o Coronel Roveri, atual secretário de segurança pública, e temos alguns convites aí ainda não confirmados, mas que poderão fazer essa chapa ainda mais robusta. 

 

Estamos muito confiantes que fazemos dois e vamos brigar na sobra pelo terceiro. 

 

 

MidiaNews - Houve um rumor de debandada, em que os quatro deputados estaduais do União Brasil tinham planos B, prontos para procurar um outro partido. Acha que ainda tem esse risco dessa debandada? Ou já foi feita alguma reunião no partido para alinhar isso? 

 

Gisela Simona - Tivemos já uma reunião nesse sentido e não acredito na debandada. O que inicialmente se cogitou é que um deles poderia sair ou não. Mas agora acredito que isso já se estabilizou, no sentido de que os quatro ficam dentro do União e que, na verdade, estão trabalhando juntos para buscar novos nomes. 

 

Quando você fala de ir para outras siglas, para não inflar de candidatos que têm mandato, elas tem uma certa reserva em aceitar quem já tem mandato. Eles têm lá dois ou três no máximo para não correr esse risco de que novas pessoas que queiram entrar no grupo fiquem resistentes a entrar. Portanto acho muito difícil que haja essa demandada. 

 

Teriam que achar partidos que os aceitassem, no sentido de poder ser mais um com mandato nos outros partidos, o que pode dificultar a formação de chapas nos outros partidos e aqui dentro do União. 

 

MidiaNews - Nos bastidores, tem se comentado que o nome ideal para vice do Otaviano Pivetta na chapa seria uma mulher com base eleitoral na Baixada Cuiabana, e o seu nome foi ventilado entre uma das possibilidades. Consideraria essa possibilidade? 

 

Gisela Simona - Eu nunca nem pensei nisso, nessa possibilidade. Estamos trabalhando mesmo para a candidatura à federal. Faço parte de um grupo e quando a gente faz parte de um, entende que aquilo que fortalece o grupo tem que estar aberto para analisar. Mas hoje, a minha única alternativa é ser candidata a deputada federal. 

 

Eu nunca nem pensei nisso, nessa possibilidade [de disputar como vice]. Estamos trabalhando mesmo para a candidatura à federal

 

MidiaNews - O Pivetta tem questões medidas em pesquisas qualitativas para resolver até as eleições para que seu nome chegue na ponta. Acredita que ele consiga superar esses desafios e alcance a vitória?

 

Gisela Simona - Acredito que ele supera os desafios, quem conhece o vice-governador sabe que essa reserva dele, de muitas vezes não aparecer tanto, é exatamente em respeito e lealdade ao governador Mauro Mendes, mas confirmado o afastamento do governador para se candidatar ao Senado, acredito que a gente verá um novo Pivetta.

 

O que a gente precisa também para Mato Grosso é ter um bom braço de gestão, para que o estado continue crescendo e avançando. 

 

MidiaNews - Recentemente a vereadora Michelly Alencar, de Cuiabá, quis sair do partido e essa saída não foi autorizada. A vereadora argumentou que não tinha espaço para se candidatar, mas o partido entendeu que não queria abrir mão desse mandato na Câmara. A senhora foi uma das defensoras para ela não sair do partido. Por que? 

 

Gisela Simona - Não fui defensora de nada, absolutamente. Primeiro porque o diretório municipal não tem esse poder de decidir quem fica e quem sai nessa questão, em razão de uma resolução que foi expedida pelo próprio diretório estadual, onde ele avocou para si essa responsabilidade. 

 

Toda eleição os partidos estão buscando formas de se fortalecer. E nós queremos que o grupo, que hoje está em mandato, que já participou das eleições conosco, com investimento da legenda, continue dando esse apoio ao partido. 

 

E a vereadora Michelly, ela é uma pessoa que foi candidata pelo União e quem diz que o mandato é do partido, não sou eu, não é ela, são as regras eleitorais. É por isso que precisa da autorização do partido, porque houve um investimento nela para que hoje ela seja uma vereadora da Capital. 

 

E, na verdade, em nenhum momento houve uma situação de, por exemplo, aqui você não pode ser candidata. Pelo contrário, tem vagas e estamos ainda com a esperança de que ela possa ser uma candidata. Não é uma questão que envolve Michelly, é uma questão que envolve o União Brasil no estado.

 

Tivemos outros pedidos também no interior do estado e que todos aí acabaram ficando com a regra da resolução. Como presidenta municipal, recebi formalmente o pedido da vereadora, a minha resposta foi no sentido de que em razão da publicação da resolução por parte da estadual, que esse pedido teria que ser formulado para a estadual. 

 

 

MidiaNews - Mato Grosso hoje tem um número alarmante de feminicídios. Por que temos esse número? É falta de ação do governo na prevenção ou é falta de conscientização das pessoas?

 

Gisela Simona - Fomos por dois anos consecutivos, infelizmente, campeão de feminicídio. Mas em 2026, agora que recebemos dados de 2025, Mato Grosso cai para a terceira posição. E ainda é gravíssimo. É um conjunto de ações que acredito que fazem com que esses números aconteçam.

Quando falamos de políticas públicas também há falhas, por parte do governo federal, estadual e do municipal

 

Primeiro do ponto de vista preventivo e educativo mesmo, cultural. Existe um machismo estrutural em nossa sociedade que precisamos de alguma forma para deixar de naturalizar a violência contra a mulher. Tanto que, quando analisamos os números, a gente verifica que a maior parte dos feminicídios acontece dentro de casa, por maridos e ex-maridos.

 

Do ponto de vista de segurança pública, não tem como ter um policial em cada casa brasileira, é algo que depende sim da questão educacional. E quando falamos de políticas públicas também há falhas, por parte do governo federal, estadual e do municipal. 

 

Por que eu digo isso? Não se faz política pública sem dinheiro, precisamos investir cada vez mais. 

 

É preciso que você tenha tornozeleira para quem está sob medida protetiva, que tenha casas de acolhimento, delegacias 24 horas, é preciso que você tenha várias formas de acolher essa mulher e dar um respaldo para que ela não acabe entendendo que é melhor continuar naquele ciclo de violência. 

 

Você não pode acusar também que essa falha depende do Estado porque há uma minoria de mulheres que foram vítimas de feminicídio e que estavam sob medida protetiva. Se muitos não estão buscando a medida protetiva, ou é porque não sabem, ou porque não confiam que o Estado realmente protege. Então isso precisa ficar mais claro para as mulheres. 

 

Tenho apresentado algumas propostas, conseguimos aprovar um projeto de lei que todos os homens que estão sob medida protetiva usem a tornozeleira e a mulher, por outro lado, tenha o botão do pânico. 

 

Outra situação importante que apresentei, ainda não foi aprovada, mas a questão da delegacia virtual. Nós entendemos que como há um custo e que os estados brasileiros não estão preparados ainda para ter uma delegacia 24 horas em todos os municípios, já é possível implantar uma delegacia virtual.

 

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