A desistência do governador Blairo Maggi (PR), de concorrer a qualquer cargo eletivo nas eleições do ano que vem tem dois aspectos importantes, segundo a visão do prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), em entrevista ao MidiaNews.
Primeiro: enfraquece a situação, principalmente no que se refere à massificação do nome do atual vice-governador, Silval Barbosa (PMDB), como candidato a sucessão de Maggi. Segundo: dá uma injeção de ânimo nos partidos de oposição, que apostam na falta de opção da base governista em apresentar um nome forte à sociedade mato-grossense.
Wilson Santos, potencial candidato ao Governo que prefere deixar a definição sobre seu futuro político para o início de 2010, avalia que o fato de Blairo Maggi não disputar a eleição vai ser "uma tragédia" para o PR e para os demais partidos coligados.
O próprio prefeito está entre a cruz e a espada por causa dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da perspectiva de Cuiabá ser escolhida subsede da Copa do Mundo, fato que gerará investimentos de mais de R$ 1 bilhão em Cuiabá, além da vaidade de chegar à cadeira número um do Palácio Paiaguás.
"Eu acho que Blairo Maggi ainda vai ser muito pressionado pelo partido para disputar uma candidatura. Vi as explicações que ele deu a respeito da sua desistência, mas, ainda assim, acho que a pressão vai ser grande. Afinal, os partidos da base do Governo já estão se sentindo meio órfãos", diz Wilson.
Diagnóstico
Em função dessa disposição de Maggi, a oposição ganhou novo fôlego e, de acordo com o prefeito cuiabano, está fazendo um diagnóstico da atual situação do Estado e abrindo conversações com todos os prováveis aliados, para a formação de uma coligação ampla.
"Em nível nacional, temos uma proximidade muito grande com PPS, DEM, PTB, PV e outros partidos e queremos estadualizar essa proximidade para que tenhamos uma frente com pelo menos 14 partidos na base", explica o tucano.
Esse diagnóstico, que começa a ser feito pelos diretórios municipais, será regionalizado e, posteriormente, estadualizado, para que possa se ter uma idéia do tipo de proposta de Governo que a oposição vai elaborar para apresentar à sociedade mato-grossense. "Nas nossas primeiras andanças pelo interior do Estado, pudemos perceber claramente que há um ambiente bastante favorável à oposição. Há o desejo por uma nova proposta de Governo, uma proposta que seja realmente abrangente e para todos", diz Wilson.
Dentro desse clima favorável à oposição, de acordo com o presidente tucano, há também uma pré-disposição de alternância de poder, ou seja, deve-se repetir, mais uma vez, a eleição de um governador que não seja do atual bloco político que comanda o Estado. "É assim desde 1946: Governo não faz sucessor em Mato Grosso. Houve a questão das duas reeleições, de Dante de Oliveira (falecido) e de Blairo Maggi. Fora isso, nunca um governador conseguiu eleger seu sucessor. Isso é histórico e deverá se repetir mais uma vez", afirmou o prefeito.
Dicussão, só em 2010
Pisando em ovos, Santos evita falar da sua eventual candidatura a governador e remete qualquer discussão nesse nível para o ano que vem. Garante que não teme uma pressão do PSDB para que assuma a candidatura ao Governo.
"É natural que a Executiva Nacional do partido queira ter, em cada Estado, uma candidatura forte para dar mais representatividade também ao candidato a presidente da República. O PT vai fazer isso em torno do nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousse; o PSB vai fazer em torno de Ciro Gomes; e o PSDB também, em torno de José Serra. Porém, antes de qualquer coisa, é preciso avaliar a realidade de cada um, cada caso é um caso. Eu tracei a meta de ir até o final do meu mandato como prefeito de Cuiabá e é em cima disso que estou trabalhando. Por isso, vamos deixar 2010 para discutir em 2010", desconversa.