Se existe uma nova ideia de masculinidade no cinema, ninguém a encarna melhor do que Paul Mescal. O astro irlandês ficou famoso pelas ótimas cenas de sexo na delicada série "Normal People", viveu um jovem pai deprimido no filme "Aftersun" e também já testou a virilidade à moda antiga com "Gladiador 2".
Em "The History of Sound", que estreou em Cannes, ele e Josh O’Connor (de "The Crown") vivem um tocante romance gay todo feito para agradar aos fãs de "Brokeback Mountain".
"The History of Sound" começa no Kentucky, onde Lionel, o personagem de Mescal, cresce numa fazenda rústica. Ele tem um ótimo ouvido para sons em geral e acaba indo estudar música num conservatório na Nova Inglaterra, onde conhece David (Josh O’Connor).
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
A paixão é instantânea, mas estamos em 1917, às portas da Primeira Guerra Mundial. David é convocado para a guerra e eles se separam pela primeira vez.
Mas eles voltam a se encontrar e iniciam uma grande viagem pelo interior dos EUA com uma missão nobre: fazer um mapeamento sonoro das músicas folclóricas (ou folk) que a gente humilde costuma cantar, canções que passam de geração em geração mas nunca foram gravadas por grandes artistas.
A MESMA BARRACA
Mescal entrega uma atuação bastante contida, que alcança grandes voos quando a história dos dois ganha contornos mais trágicos. É mais um papel de macho sensível para a galeria que ajudou a fazer sua fama.
"Essa é uma questão que sempre acompanha o meu trabalho. Não sei se consigo respondê-la. Acho que a masculinidade está sempre mudando. E o cinema está se afastando de uma longa tradição de protagonistas machos alfas", reflete. "Mas não sinto que esse filme quer definir ou redefinir a masculinidade. É sobre a relação entre os dois, e deixamos espaço para o público projetar o que quiser."
O filme está sendo muito comparado a "Brokeback Mountain" – mas é um pouco frustrante perceber que, vinte anos depois, "The History of Sound" consegue ser bem mais careta quando o assunto é sexo.
Nunca vemos mais do que poucas cenas românticas dos dois na cama, sem nenhuma nudez – a única cena mais erótica é quando David brinca de cuspir jatos de água em Lionel.
VICIADOS EM JUJUBA
O diretor Oliver Hermanus e Paul Mescal ficaram incomodados com a comparação entre os dois filmes.
"Não vejo paralelo entre os dois filmes, a não ser pelo fato de que passamos um tempo acampando numa barraca", brincou o ator. "‘Brokeback’ é um filme que lida com a repressão sexual, enquanto o nosso filme é o oposto disso". Tema aberto a discussões.
Não é fácil ser uma estrela. Na coletiva de imprensa, Mescal teve bem mais perguntas do que o diretor, e parecia um pouco nervoso, esforçado em dar a melhor resposta.
Enquanto seus colegas tomavam água, ele preferiu uma Coca-Cola. Uma repórter do Brasil lembrou o dia em que ele apareceu usando uma camisa do Flamengo e quis saber se ele era de fato um torcedor do time. "Aparentemente, sim", ele brincou.
Ele já conhecia há cinco anos o seu parceiro de cena, o britânico Josh O’Connor, que fez o jovem príncipe Charles na série "The Crown" e o filme "Rivais".
"Mas a nossa relação cresceu muito nas três ou quatro semanas em que filmamos juntos. Josh é um cara que pode ser incrivelmente bobo. E nós comíamos cerca de oito pacotes de jujuba por dia", contou. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.
|
0 Comentário(s).
|