A revelação da cantora Ana Castela sobre ter sido diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) chamou a atenção dos fãs e reacendeu uma discussão bastante comum nas redes sociais: existe realmente diferença entre TDA e TDAH? Para esclarecer o tema, o portal LeoDias conversou com a médica psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação feminina.
A artista, de 22 anos, contou nos stories do Instagram que recebeu o diagnóstico após uma consulta médica e disse que a descoberta ajudou a explicar comportamentos que a acompanhavam há anos. “Acabei de sair da consulta e vou te falar: agora minha vida fez sentido. Agora eu entendi tudo já”, afirmou.
Segundo relato da cantora, o diagnóstico não envolve hiperatividade. “Vocês estão falando que eu esqueci o ‘H’ do TDAH, mas eu não tenho o ‘H’, só tenho o ‘A’”, disse ela, acrescentando que ainda passará por uma avaliação com neuropsicóloga para aprofundar o acompanhamento.
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De acordo com a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, descobrir o transtorno apenas na fase adulta é algo mais comum do que muitas pessoas imaginam. “Hoje sabemos que um número significativo de adultos descobre o transtorno apenas depois de anos convivendo com sintomas que nunca haviam sido compreendidos ou corretamente identificados”, explica.
A especialista destaca que, durante muito tempo, acreditava-se que o transtorno afetava principalmente meninos hiperativos na infância, o que fez com que casos com sintomas mais silenciosos, ligados principalmente à desatenção, passassem despercebidos.
Estudos indicam que entre 60% e 70% dos adultos com TDAH nunca receberam diagnóstico quando eram crianças. Atualmente, estima-se que entre 2,5% e 5% da população adulta mundial conviva com o transtorno, embora muitos casos ainda não tenham sido identificados.
TDA ou TDAH: qual é a diferença afinal?
Segundo a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, tecnicamente o termo TDA já não é mais utilizado nos manuais diagnósticos atuais. O diagnóstico oficial hoje é o de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que pode se apresentar de diferentes formas.
“O que muitas pessoas costumam chamar de ‘TDA’ corresponde, na verdade, ao TDAH com apresentação predominantemente desatenta”, afirma a especialista em entrevista ao portal LeoDias.
Nesse tipo de manifestação, os sintomas mais comuns incluem dificuldade de concentração, esquecimento frequente, desorganização, problemas para iniciar tarefas e tendência à procrastinação, mas sem a presença clara de hiperatividade física.
Em outros casos, no entanto, o transtorno pode incluir sinais como inquietação, impulsividade, dificuldade para esperar e fala excessiva. Apesar de muitas vezes ser identificado apenas na vida adulta, os sinais geralmente aparecem ainda na infância ou adolescência.
Entre os indícios mais frequentes estão distração constante, dificuldade em terminar tarefas, perda de objetos e problemas para manter organização e rotina. Na adolescência, essas dificuldades podem surgir como sensação de estar sempre “correndo atrás do prejuízo”, impulsividade em decisões e instabilidade emocional.
“Como muitos jovens conseguem compensar essas dificuldades com inteligência, criatividade ou apoio familiar, os sintomas acabam sendo interpretados apenas como desorganização ou falta de disciplina”, explica Dra. Thaíssa Pandolfi.
A especialista ressalta que o diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissionais de saúde mental, com base em entrevistas detalhadas e avaliação do histórico do paciente. Com acompanhamento adequado, estratégias de organização e, em alguns casos, medicação, pessoas com TDAH podem ter uma vida produtiva e equilibrada.
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