Cuiabá, Sexta-Feira, 30 de Janeiro de 2026
ENTREVISTA PARA VARIETY
30.01.2026 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

EUA não sabem o que é viver sob uma ditadura, afirma Wagner Moura

Ator indicado ao Oscar relaciona 'O Agente Secreto' ao avanço do autoritarismo no mundo

Divulgação

Ilustração

ADRIELLY SOUZA
DA FOLHAPRESS

Em entrevista à revista americana Variety, o ator Wagner Moura falou sobre ditadura, democracia e o papel da arte em tempos de crise, traçando paralelos diretos entre o passado autoritário do Brasil e o cenário político atual dos Estados Unidos.

 

Indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, o ator brasileiro afirmou que parte do público americano não compreende plenamente o que significa viver sob um regime autoritário.

 

"Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso", disse, ao comentar a recepção da obra fora do Brasil.

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

Ambientado nos anos 1970, "O Agente Secreto" acompanha Armando, ex-professor perseguido pelo regime militar que tenta fugir com o filho enquanto a repressão se intensifica. Para Moura, a história não fala apenas do passado, mas serve como alerta para o presente. Segundo ele, regimes autoritários raramente se impõem de forma abrupta —avançam aos poucos, muitas vezes normalizados pela sociedade.

 

O ator explicou que o projeto nasceu de inquietações compartilhadas com o diretor. "Este é um filme que nasceu de como eu e Kleber nos sentíamos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. De como nos sentíamos sobre nossos papéis como artistas", afirmou, reforçando a dimensão política da obra.

 

Ao longo da conversa, Moura demonstrou preocupação com a fragilidade das democracias contemporâneas e com o impacto da desinformação no debate público. Para ele, o problema central do mundo atual é a erosão dos fatos como base comum de discussão. "O que mais me preocupa na humanidade hoje é que não existem mais fatos. Fatos não importam mais", disse.

 

O ator destacou que, no passado, divergências políticas partiam de uma realidade compartilhada. "A gente costumava brigar —esquerda e direita— pela mesma coisa. Hoje em dia, não é sobre fatos. É sobre versões da verdade", afirmou. Ele citou como exemplo a fragmentação da informação nas redes sociais, em que diferentes grupos recebem narrativas completamente distintas.

 

Moura também comentou o que vê como uma resposta insuficiente das instituições democráticas diante de ameaças autoritárias, especialmente nos Estados Unidos.

 

"Sinto que os Estados Unidos e suas instituições não estão respondendo com a firmeza adequada —estabelecendo limites, fazendo com que as pessoas enfrentem consequências", disse.

 

Além de "O Agente Secreto", o ator lembrou sua participação em "Guerra Civil" (2024), distopia que imagina um conflito interno nos EUA a partir de uma radicalização política extrema. Para ele, a ficção tem servido como espelho de um mundo cada vez mais instável.




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia