Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
APÓS CASO NEYMAR
20.03.2025 | 06h52 Tamanho do texto A- A+

Modelos protestam contra uso de 'modelo' para garota de programa

'Se ela recebeu para fazer sexo, não é modelo', diz diretor de agência sobre o caso de Neymar

Reprodução/Instagram

Any Awuada, que diz ter recebido para fazer sexo com Neymar -

Any Awuada, que diz ter recebido para fazer sexo com Neymar -

ANAHI MARTINHO
DA FOLHAPRESS

Um grupo de modelos está se manifestando contra o uso indevido de seu título profissional para se referir a garotas de programa.

 

O eufemismo, utilizado há décadas, voltou a ficar evidente — e irritar as profissionais — nos últimos dias, após uma suposta festa de Neymar com trabalhadoras sexuais. Any Awuada, que se intitula modelo, afirmou a um podcast ter recebido R$ 20 mil para passar a noite com o jogador (ele nega).

 

Anderson Baumgartner, diretor de uma agência de modelos, se queixa de parte da imprensa, que vem empregando a palavra de forma irresponsável, segundo ele.

 

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"Tenho lido inúmeras matérias com a chamada: 'Modelo recebeu valor X para fazer sexo com fulano. Então não é modelo. Trabalhar de fato nesta indústria é vender produtos, roupas, sapatos e cosméticos", diz ele ao F5.

 

O agente reitera que, para trabalhar em desfiles, campanhas e ensaios fotográficos, os profissionais da área precisam ter o chamado DRT, ou seja, registro na Delegacia Regional do Trabalho.

 

Nas redes sociais, as tops brasileiras Cintia Dicker, Amira Pinheiro e Lola Gleitch reproduziram parte do discurso de Baumgartner.

 

"Ninguém fala para o professor que ele é ginasta. Ninguém fala para o arquiteto que ele é professor. Cada um tem sua ocupação. Está tudo bem ser garota de programa, só é preciso denominar corretamente", diz um trecho.

 

Hugo Gross, presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated-RJ), que também abriga os profissionais da moda sob seu guarda-chuva, acrescenta:

 

"Hoje em dia todo mundo diz que é ator, atriz, modelo, influencer. Quem realmente é, é sindicalizado. Tem documentação com registro", diz. "Quando o trabalhador é sindicalizado, ele tem o respaldo de uma instituição séria que o protege."

 

'NOMENCLATURA É O DE MENOS'

 

Modelo desde a década de 1980, Luiza Brunet conta que o ofício era marginalizado na época. "As modelos eram julgadas como garotas de vida fácil. Havia uma crença de que realmente era possível contratá-las para programas."

 

Baumgartner também lembra da forte estigmatização dos anos 1980 e 1990. "Era uma forma preconceituosa de tachar a profissão das modelos genuínas. Mães e meninas tinham receio do mercado da moda. Foi feito todo um trabalho da indústria, que é uma indústria muito importante para a economia brasileira, de profissionalização e mudança de rótulos", diz.

 

Se hoje essa situação mudou, Brunet diz, no entanto, não se incomodar particularmente com a questão da nomenclatura.

 

"Fora do Brasil, as garotas de programa são registradas, pagam impostos, é uma profissão como outra qualquer. Muitas se intitulam modelos porque são bem cuidadas, bonitas e se sentem no direito de se intitular assim. Isso não é uma preocupação para mim. O que me preocupa é a exposição dessas mulheres, o fato de que muitas ainda se deixam colocar nesse estado de vulnerabilidade."

 

"A nomenclatura é o de menos. A gente está lutando por igualdade de gênero, para que as mulheres sejam reconhecidas nas posições que ocupam. Lutamos por paridade econômica, paridade de respeito. Não é a nomenclatura que me incomoda, e sim o estado de desvalorização em que algumas mulheres jovens ainda se colocam", diz ela ao F5.




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