Cuiabá, Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2026
DEFESA DO CONSUMIDOR
27.01.2026 | 11h00 Tamanho do texto A- A+

Venda de ingressos de Harry Styles entra na mira do Procon

Cantor fará dois shows no Brasil nos dias 17 e 18 de julho

Reprodução/Instagram

Ilustração

ANA BEATRIZ SOUSA
DO CORREIO 24H

Quem tentou garantir ingresso para os shows de Harry Styles no Brasil sabe que a experiência passou longe de ser tranquila. Reclamações vieram aos montes nas redes sociais, filas físicas e virtuais terminaram em frustração e agora o caso chegou aos órgãos de defesa do consumidor.

 

As apresentações do cantor britânico, marcadas para os dias 17 e 18 de julho, em São Paulo, entraram no radar do Procon após deputados apontarem possíveis irregularidades na venda dos ingressos. As suspeitas envolvem esgotamento considerado anormal, falhas no sistema de vendas e indícios de atuação organizada de cambistas.

 

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou que acionou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Procon-SP para investigar o que chamou de um processo pouco transparente. Segundo ela, há relatos de fãs que estavam entre os primeiros das filas, inclusive filas prioritárias, e mesmo assim não conseguiram comprar entradas, enquanto ingressos já apareciam à venda em plataformas paralelas. 

 

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"Como as primeiras pessoas da fila geral e da fila PCD não conseguiram comprar, mas cambistas já tinham ingressos em mãos?", questionou a parlamentar nas redes sociais. Para Erika, é preciso esclarecer se houve venda antecipada, quebra de limites por CPF ou qualquer tipo de favorecimento.

 

Além disso, a deputada destacou que a Ticketmaster, empresa responsável pela comercialização no Brasil, já enfrentou questionamentos e processos nos Estados Unidos por práticas comerciais envolvendo revenda de ingressos, o que, segundo ela, reforça a necessidade de apuração no caso brasileiro.

 

O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) também entrou no debate. Ele informou que acionou o Procon, o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública, pedindo investigação sobre possíveis atos ilícitos, uso de bots e um eventual "modo de operação" que beneficiaria o mercado paralelo. Para Cortez, existe uma indústria que lucra com a frustração dos fãs, inflando preços e dificultando o acesso do público aos ingressos oficiais.

 

Do outro lado, a Ticketmaster nega qualquer irregularidade. Em nota, a empresa afirmou que não apoia o cambismo, não realiza venda antecipada para revendedores e não mantém parcerias com plataformas ilegais. A companhia disse ainda estar totalmente disponível para colaborar com as autoridades e fornecer todas as informações necessárias.

 

Segundo a empresa, a venda presencial segue critérios rígidos, com limite por CPF, respeito à ordem de chegada e regras definidas pelos organizadores do evento. A Ticketmaster também ressaltou que, em eventos de altíssima demanda, setores podem se esgotar em poucos minutos devido ao grande volume de compras simultâneas.

 

A companhia informou ainda que investe em tecnologia e equipes especializadas para combater bots e práticas abusivas, tanto online quanto nas bilheterias físicas. Ingressos identificados em plataformas não autorizadas, segundo a empresa, podem ser cancelados e recolocados à venda.

 

Enquanto autoridades analisam o caso, fãs seguem usando as redes sociais para relatar experiências frustrantes. Um dos relatos mais compartilhados questiona como um setor inteiro pode se esgotar mesmo antes de atender os primeiros da fila presencial, situação que reacende o debate sobre transparência na venda de grandes eventos no país.




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