Pela primeira vez, pesquisadores encontraram um campo de tectitos no Brasil. Eles são vidros naturais formados pelo impacto de objetos extraterrestres contra a Terra.
O achado, descrito em um novo estudo, evidencia que houve um evento dessa magnitude no nosso país há cerca de 6,3 milhões de anos.
Os fragmentos foram detectados nos municípios de Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, em Minas Gerais – o que levou os objetos a serem chamados de “geraisitos”. Posteriormente, também foram encontrados exemplares na Bahia e no Piauí.
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O trabalho mais recente foi liderado pelo geólogo Álvaro Penteado Crósta, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com cientistas de outras instituições brasileiras e também da Europa, Oriente Médio, Austrália. Os resultados foram publicados em dezembro na revista Geology.
Para se ter uma ideia de como o achado é raro, antes do brasileiro, apenas outros cinco grandes campos de tectitos já haviam sido identificadas mundialmente: na Australásia (região que inclui a Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e outras ilhas), Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize.
Achado e análise dos vidros naturais
As primeiras peças encontradas no norte de Minas Gerais se estendiam em uma faixa extensa, com cerca de 90 km. Posteriormente, com as achadas no território baiano e piauiense, a área de extensão se elevou para 900 km.
Ao todo, mais de 600 fragmentos já foram reunidos pelos pesquisadores.
“Esse crescimento da área de ocorrência é totalmente compatível com o que se observa em outros campos de tectitos no mundo. O tamanho do campo depende diretamente da energia do impacto, entre outros fatores”, explica Crósta, em entrevista à Agência Fapesp.
Os vidros naturais pretos e opacos são pequenos e leves, variando entre menos de 1 grama a no máximo 85,4 gramas. Quando colocados na luz, os exemplares brasileiros se tornam verde-acinzentados, ao contrário dos achados na Europa durante a Idade Média, que ganham coloração verde intensa.
Testes de datação dos isótopos de argônio, material geralmente presente em tectitos, indicaram que a colisão com a Terra aconteceu há cerca de 6,3 milhões de anos.
“A idade de 6,3 milhões de anos deve ser interpretada como uma idade máxima, pois parte do argônio pode ter sido herdado das rochas extremamente antigas que serviram de alvo ao impacto”, avalia o pesquisador.
Apesar da descoberta, os cientistas ainda estão em busca da cratera causada pelo impacto. Algumas pistas indicam que o buraco pode estar no cráton do São Francisco, uma região que abrange Minas Gerais, Bahia e Sergipe e uma das mais antigas do nosso continente.
Os especialistas ainda especulam que o tamanho do objeto que colidiu com a Terra não era pequeno. Investigações futuras poderão ajudar a encontrar a cratera e recriar como tudo aconteceu há 6 milhões de anos.
Fonte: https://www.metropoles.com/ciencia/vidros-revelam-colisao-no-brasil
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