Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
ARTE NA FLORESTA
26.01.2025 | 08h00 Tamanho do texto A- A+

Cineasta, indígena de MT faz série para mostrar a vida no Xingu

Produção mato-grossense vai abordar cotidiano em aldeia indígena no território

Jair Cineasta Kuikuro/ Reprodução

Naia Waurá, Takumã Kuikuro e Kalutata Kuikuro, durante produção

Naia Waurá, Takumã Kuikuro e Kalutata Kuikuro, durante produção

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

Desde que iniciou sua carreira no mundo do audiovisual, Takumã Kuikuro, da etnia Kuikuro, usa a arte para documentar a história e a vida cotidiana de seu povo. Agora, com um novo projeto, o cineasta mato-grossense procura abordar o protagonismo dos indígenas do Xingu ao falar sobre a vida cotidiana nas aldeias.

 

Intitulada "Gente do Xingu", a obra será uma série documental composta por nove episódios que vão retratar a rotina de diversas profissões na região do Xingu.

 

Para que eles possam conhecer um pouco de nossa realidade através do cinema

A data de estreia do novo projeto ainda é incerta, mas a perspectiva é que o trabalho vá ao ar ainda este ano.

 

“Eu quero mostrar isso para o mundo e para a sociedade não indígena, para que eles possam conhecer um pouco de nossa realidade através do cinema”, diz.

 

Com uma equipe formada majoritariamente por cineastas indígenas, a obra é uma coprodução da produtora Xingu Filmes, do Coletivo Kuikuro de Cinema, Lamiré, Palmira Filmes e Olho-Pião Filmes.

 

Apesar da produção já estar em andamento, Takumã relata que o canal de distribuição da série documental ainda não foi definido. 


“Nós ainda estamos em busca de uma tela para poder exibir isso em alguns lugares. E uma ideia mesmo é a gente fazer isso na TV Brasil ou em outros lugares”. 

 

O interesse pelo cinema

 

Reprodução/ Redes sociais

Gente do Xingu Takumã Kuikuro

Takumã Kuikuro durante produção

 

O interesse de Takuma Kuikuro pelo cinema nasceu a partir do projeto Vídeo nas Aldeias, criado em 1996 pelo antropólogo Carlos Fausto e pelo cineasta Vincent Carelli.


Ainda adolescente, ele compreendeu a importância do registro como forma de resistência na aldeia e através de muito estudo passou a produzir obras que retratasse a sua cultura. 


Com o passar dos anos, o cineasta foi ganhando visibilidade por meio de circuitos de premiação nacionais e internacionais e, por meio do seu aperfeiçoamento, passou a idealizar projetos em busca de visibilidade e resistência indígena.

 

“Cinema é uma ferramenta de luta, uma ferramenta de resistência, onde nós podemos nos tornar protagonistas da nossa própria história, porque nós sabemos a língua, sabemos aquelas histórias, sabemos qual é a função de cada uma das pessoas”.

 

Diretor de outras obras premiadas, como o curta “Território Pequi”, vencedor em 2023 do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria curta-documentário, Takuma retorna em um novo projeto para abordar as profissões e sua importância dentro da comunidade.

 

A produção 

Cinema é uma ferramenta de luta, uma ferramenta de resistência


As gravações começaram no dia 18 de dezembro de 2024 e têm previsão para se encerrar nas próximas semanas. Nas redes sociais, a equipe compartilha o dia a dia das gravações e mostra os bastidores das entrevistas realizadas com os profissionais que atuam na aldeia.

 

Entre profissionais ouvidos pela equipe de documentaristas, estão professores, advogados, enfermeiros, cineastas, agricultores, brigadistas e cantores responsáveis pelos cantos tradicionais.

 

“Eu quero contar essa história porque nós já temos vários tipos de evolução. Cada tipo de trabalho na aldeia. Como professores que estão atuando nas escolas indígenas, ensinando as próprias línguas indígenas, a língua portuguesa, matemática e outras coisas. É isso que eu quero contar”.

 

Para o diretor, a obra busca quebrar paradigmas e minimizar os preconceitos ao mostrar o dia a dia e a importância de cada ocupação dentro das aldeias para a garantia da educação, cuidado e sustentabilidade. 


“Então, assim, nós podemos contar a história para a sociedade não indígena e também para o povo daqui. E a gente quer também essa visibilidade fora das nossas  comunidades, porque é uma coisa muito importante para a gente: ter esse respeito. Nós queremos respeito pelo que estamos fazendo, pelo que estamos vivendo, pelo que estamos lutando”.

 

“Eu falo sempre: eu não sou comunicador indígena, eu não sou cineasta indígena, eu não sou fotógrafo indígena. Eu posso dizer que sou cineasta, sou diretor, e que posso produzir qualquer coisa”, relata.

 

Leia mais 

 

Premiado, diretor indígena de MT faz do cinema uma arena de luta

 

 

 

 

 

 

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Gente do Xingu Takumã Kuikuro

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Gente do Xingu

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