Cuiabá, Sexta-Feira, 16 de Janeiro de 2026
MEMÓRIA VIVA
16.01.2026 | 16h46 Tamanho do texto A- A+

Curta sobre Festa de São Sebastião estreia em Bocaina e Cuiabá

Gravações acompanharam dois dos três dias de programação do festejo em 2025 na Comunidade de Bocaina, distrito de Santo Antônio de Leverger (MT)

Divulgação

Cena do documentário “Bocaina Terra de Fé e Raízes”

Cena do documentário “Bocaina Terra de Fé e Raízes”

DA REDAÇÃO

O documentário “Bocaina Terra de Fé e Raízes” será exibido pela primeira vez na própria Comunidade de Bocaina, distrito de Santo Antônio de Leverger (MT), na próxima terça-feira (20).  A obra também terá uma exibição no dia 3 de fevereiro, no Cine Teatro Cuiabá.

É uma honra integrar esta produção audiovisual ao lado de grandes nomes da cena cinematográfica mato-grossense

 

O curta registra a tradicional Festa de São Sebastião, realizada há aproximadamente 100 anos, a partir das memórias, contos e músicas preservadas pelos moradores mais antigos.

 

As gravações começaram em 25 de janeiro do ano passado, data que marcou também o início da programação de três dias da Festa de São Sebastião. O filme acompanha o festejo por meio da sabedoria oral dos idosos, destacando a fé, a coletividade e a religiosidade como elementos centrais na construção da identidade local. 

 

O projeto é realizado com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Paulo Gustavo. As sessões contarão com recursos de acessibilidade. 

 

Idealizado pela proponente Thamara Luiza, que assina o roteiro, a direção de produção e faz sua estreia como co-diretora geral, o documentário também se faz parte de sua trajetória acadêmica.

 

A direção geral foi dividida com Juliana Segóvia, que também assina a direção de fotografia. “É a primeira vez que assino um projeto como proponente, responsável, pesquisadora e diretora. Dividi a direção com a Juliana, que é uma diretora que eu admiro, com um olhar super técnico, sensível e assertivo, que é exatamente o que eu queria para contar essa história”, afirma Thamara. “É a história da minha vida, da minha família e da minha comunidade”.

 

O filme reúne personagens que fazem parte da organização e da vivência da festa, como Dona Diva, uma das chefes da cozinha; Oreste Castelo, capelão que explica a simbologia do mastro, das rezas e do cururu; Maria do Carmo, presidente da Associação dos Devotos de São Sebastião (ADESSCOB); Ana Rosa, responsável pela equipe de liturgia; e Creonice, conhecida como a “primeira-dama”, dona do bar da comunidade e voz do Hino de São Sebastião.

 

Para Thamara, o processo de produção foi marcado por envolvimento coletivo. “Foi um processo que materializa um desejo e um sonho coletivo. Estar em set, conversar com os entrevistados, fazer a decupagem e ver a equipe alinhada foi uma experiência muito forte. Todo mundo estava inteiro, comprometido e entregue”. 

 

Ela também ressalta a etapa de pós-produção e a atuação da equipe técnica, destacando Pedro Brites, responsável pelo acompanhamento do processo brilhante de montagem e finalização; os músicos Augusto Krebs e Igor Carvalho, que assinam a trilha sonora original; e Andressa Mendes, que conclui a produção executiva e assina o jurídico do projeto. 

 

Segundo ela, “é uma honra integrar esta produção audiovisual ao lado de grandes nomes da cena cinematográfica mato-grossense, mas, sobretudo, acompanhar o amadurecimento profissional da co-diretora Thamara Luiza, que compartilha comigo, desde o final de seu mestrado, o sonho de transformar a história de sua comunidade em um registro fílmico e documental, em homenagem a seus ancestrais”.

 

O documentário propõe um registro do patrimônio histórico, cultural e imaterial da baixada cuiabana, evidenciando como a devoção a São Sebastião atravessa gerações. “Cresci vivenciando esse universo da festa de santo, dormindo e acordando com fogos, com cheiro de comida no fogão de lenha, com as rezas do cururu, com o povo dançando no salão. Cresci vendo minha avó e minhas tias o ano inteiro trabalhando para a festa”, relembra.

 

Tecnologia de resistência 

 

Para a co-diretora Juliana Segóvia, a relevância do documentário está no registro da memória como uma tecnologia de resistência. Segundo ela, a Festa de São Sebastião, com mais de 100 anos de existência, é um elemento fundamental para manter a comunidade coesa, criando laços que vão além da família da proponente e idealizadora do projeto, Thamara Luiza, e se estendem a toda Bocaina por meio de uma herança comunitária construída em torno do festejo. 

 

“Todo o processo que existe para fazer todo esse momento da festa acontecer, desde a procissão até o levantar do mastro, tudo isso envolve técnica, uma elaboração do conhecimento que só uma festa de santo, que é uma expressão cultural que acontece em todo o Brasil, mas cada uma muito única e com a própria lógica. Para mim, enquanto diretora, me senti muito honrada e acredito que a Thamara confiou muito na coletividade da qual eu faço parte, que é o Aquilombamento Audiovisual Quariterê”.

 

Segóvia ressalta que o documentário foi estruturado a partir de uma lógica respeitosa, atenta à forma de representação e à dinâmica da própria comunidade, com destaque para o protagonismo das mulheres negras que coordenam e sustentam a realização da festa.

 

“A festa é fundamentalmente coordenada e gerida por essas mulheres que são as grandes protagonistas disso tudo. Estou muito contente e feliz de podermos circular esse projeto, apresentando, ainda que seja um recorte, parte do que nos constitui enquanto população de território, que é o território mato-grossense, que é tão rico e que precisa cada vez mais ser valorizado e reconhecido, projetos como esse tem esse poder de fazer isso acontecer também”. 

 

Após as exibições em Bocaina e no Cine Teatro Cuiabá, a intenção é levar o curta para outras regiões do país. “Mesmo sendo uma festividade local, acredito que as pessoas ao redor do Brasil vão conseguir se identificar com alguns elementos: as cores, as bandeirolas, e a fé”, conclui Thamara.

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