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20.03.2022 | 08h20 Tamanho do texto A- A+

Jovens deixam vida em MT e relatam experiência na Europa

Tylcéia, Nathalia e Caroline arriscaram deixar o país e falam sobre dificuldades e realizações

Arquivo Pessoal

As jovens Tylcéia Tyza, Nathalia Cavalcanti e Caroline Vallim

As jovens Tylcéia Tyza, Nathalia Cavalcanti e Caroline Vallim

VITÓRIA GOMES
DA REDAÇÃO

Carregando apenas a vontade de realizar um sonho e melhorar sua qualidade de vida, jovens que moravam em Cuiabá decidiram se mudar para o exterior e hoje compartilham a vivência como imigrantes na Europa.

 

Apesar de não se conhecerem, Tylcéia Tyza, de 22 anos, Nathalia Cavalcanti, de 23, e Caroline Vallim, de 28, traçaram uma trajetória parecida ao arriscarem deixar o Brasil para experimentar uma nova cultura.

 

Cada uma com suas particularidades, Tylcéia, Nathalia e Caroline perceberam na Europa uma oportunidade de ganhar experiências e melhorar de vida, coisa que não tinham enquanto moravam no Brasil.

 

A mais nova entre as três, Tylcéia conta que sempre teve o sonho de morar no exterior, mas só pôde viver essa experiência durante a faculdade. Foi por meio de um projeto de estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que ela pisou pela primeira vez em terras europeias.

 

Eu sai daí para trabalhar e ganhar um salário que desse para viver, não apenas sobreviver. Sempre foi um sonho, mas quando aconteceu foi inesperado, meio do nada

O ano era 2019 e jovem ainda cursava Jornalismo na instituição. Na época foi estudar na Espanha, onde passou cerca de sete meses até retornar para o Brasil. Foi naquele momento, diz, que percebeu que queria viver na Europa.

 

“Voltei já na pandemia e com a vontade de continuar morando na Europa, explorando outros países, outras culturas”, explica.

 

Tylcéia conta que esperou até terminar sua graduação para colocar os planos em prática, mas já havia decidido tentar se mudar para a França. O país, pelo qual sempre foi apaixonada, surgiu como um local onde ela poderia desenvolver melhor seu quarto idioma, o francês.

 

Já Nathalia, que está pouco mais de um mês em Portugal, conta que deixou a Capital com o intuito de mudar de vida. Trabalhando desde jovem, a cuiabana afirma que nunca percebeu um retorno financeiro.

 

Antes de se mudar em definitivo, a jovem vivia uma rotina exaustiva atuando como vendedora no shopping para ganhar, muitas vezes, apenas um salário mínimo. O dinheiro, ela conta, não era suficiente para dar o mínimo de qualidade de vida.

 

“Eu sai daí para trabalhar e ganhar um salário que desse para viver, não apenas sobreviver. Sempre foi um sonho, mas quando aconteceu foi inesperado, meio do nada”, relembra.

 

Diferente das outras, Caroline contou que nunca pensou em viver no exterior. No entanto, ao enfrentar as dificuldades nos serviços básicos ofertados nas cidades onde morou em Mato Grosso, sentiu pela primeira vez a vontade de deixar o país.

 

Ela já está há quatro anos em Portugal e, assim como Nathalia, percebeu logo de cara a melhora na mudança na qualidade de vida.

 

Não tenho vontade de morar no Brasil novamente. Acredito que ainda tenho muito que viver e aprender. Cada ano tem sido uma aventura e uma experiência diferente”, confessa.

 

Barreiras além da fronteira

 

Apesar de satisfeitas com a vida na Europa, as três jovens não negam que abandonar o país em que nasceram para viver uma cultura complemente diferente tem suas dificuldades. A maior delas, elas concordam, é a saudade da família.

 

Acostumada a viver com os pais, a irmã e cercada de amigos de longa data, Tylcéia fala sobre a solidão que é chegar em um lugar onde quase tudo é desconhecido. Mesmo tendo a experiência anterior ofertada pela universidade, a falta do aconchego da família é algo que marca a jornalista.

 

Arquivo Pessoal

Tylcéia e Nathalia

Tylcéia trabalha de au pair na França e Nathalia em uma consultora financeira em Portugal

No entanto, muito além dos obstáculos emocionais, as jovens também falam das barreiras de cultura e de idioma. Sobre o assunto, Tylcéia afirma que chegou em terras francesas sabendo o básico e, atualmente, luta e estuda para poder se expressar.

 

Sem dúvida o idioma é sim uma barreira para a gente se expressar bem, se comunicar, para a gente se fazer entender e para entender o outro”, afirma.

 

Mesmo não tendo o idioma como um impecílio, as moradoras de Portugal também precisaram superar algumas situações para conseguir viver no exterior. Para Nathalia, sua maior barreira foi o próprio fato de ser uma imigrante.

 

Sendo uma brasileira em um país estrangeiro, a cuiabana conta que nem sempre foi tratada bem e percebeu que há pessoas nativas que não gostam dos imigrantes.

 

Já para Caroline, sua maior barreira foi no momento de competir no mercado de trabalho, já que muitos imigrantes precisam se contentar com empregos mais básicos, que demandam pouca escolaridade.

 

Como brasileira, ela precisou buscar muito conhecimento extra para conseguir uma vaga de trabalho melhor.

 

“A educação básica aqui é muito boa. E isso é refletido no mercado de trabalho e em universidades. E nós imigrantes temos que buscar muito mais aperfeiçoamento, para concorrer ao mercado de trabalho”, afirma.

 

Realização

 

Hoje Tylcéia trabalha como au pair na França, ou seja, oferece serviços de babá e recebe salário e moradia da família em que trabalha. A jovem confessa que gostaria de estar atuando em sua área de formação, mas acredita que todo seu esforço vem refletido como experiência e qualidade de vida.

 

No Brasil ela costumava trabalhar em dois empregos e ainda fazia freelancer para ganhar uma renda extra, mas ainda sim vivia com as finanças apertadas. No entanto, com o salário que tem agora consegue viver uma vida confortável e independente.

 

Arquivo Pessoal

Caroline imigrante

Caroline mora a 4 anos em Portugal

O mesmo acontece com Nathalia e Caroline. Ambas concordam que os aspectos positivos sobressaem qualquer dificuldade que venham passar no país estrangeiro. Caroline, além de trabalhar na administração da empresa Leroy Merlin, também estuda gestão e pretende continuar crescendo na carreira.

 

Nathalia trabalha em uma corretora de investimentos e também quer seguir carreira, mas afirma que se um dia precisar sair, deve investir na área da estética. Sobre voltar para a Capital, ela diz não ter vontade, apesar da falta que sente do calor cuiabano.

 

Aqui a gente não sobrevive, a gente vive, mesmo com um salário mínimo conseguimos pagar um aluguel, comer bem, passear, vestir bem, é possível viver de uma maneira boa”, diz.

 

Aos brasileiros que sonham em sair do país, as jovens encorajam. Para elas que tiveram a coragem de enfrentar o desconhecido, o medo é um sentimento natural, porém todas enfatizam que é importante enfrentar este sentimento para ter a recompensa de viver melhor.

 

Mesmo compartilhando experiências positivas, elas entendem que tudo é uma questão de particularidade de cada um, e orientam que para melhorar a experiência é preciso muita pesquisa e comprometimento.

 

Durante esses quatro anos aqui, conheci muitos imigrantes vindo ou voltando. E minha conclusão é que não importa o quanto você quer isso, mas o quanto você está disposto a lutar e batalhar por tudo aquilo que sonha”, aconselha Caroline.

 

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