
“Minha mãe dizia que Paloma significa ‘pomba’, para voar. Acho que eu quis descobrir qual era o maior voo que eu podia alcançar”, disse em entrevista ao MidiaNews.
Apaixonada pela área de Biologia Molecular, ela relatou que o interesse pela ciência surgiu ainda no ensino fundamental, quando escolheu o desafio de trabalhar com fezes de animais em um projeto com biodigestor para a feira de ciências da escola, que evoluiu até se transformar em algo maior, como a ImpactoBio, uma iniciativa idealizada por ela que busca transformar resíduos em energia limpa.
“Eu acho que as faculdades no exterior não querem que você seja o melhor em tudo. Na realidade, elas querem o contrário: que você seja apaixonado por uma área e tenha um grande impacto nela”, disse.
“Meu currículo foi muito voltado para pesquisa, tanto nessa área de biodigestores quanto em algumas publicações sobre contaminação microbiana no ar em colégios, desenvolvidas com uma professora da escola”.
Apesar da área de interesse definida e das atividades extracurriculares desenvolvidas, a estudante relatou as dificuldades encontradas ao longo do processo. Segundo ela, por ser uma pessoa metódica, precisou aprender a lidar com frustrações e com a falta de informações e relatos de pessoas que, assim como ela, buscaram o ensino superior no exterior.
Yasmin Silva/MidiaNews
Estudante: "Você precisa fazer algo pelo qual você seja apaixonado"
“Para mim, a maior dificuldade foi se sentir meio perdida no caminho. Estando em Mato Grosso e não tendo muitas pessoas que passaram por esse processo para conversar ou tirar dúvidas, foi muito difícil”.
Para driblar as barreiras, ela contou que teve uma rede de apoio fortalecida, com professores do Colégio Ibero-Americano, onde cursou o ensino médio, além de amigos e dos pais, Gabriela Diering e Francisco Côrtes, e também suporte psicológico.
“Foi preciso começar um processo de terapia para tornar tudo mais leve e conseguir entender cada passo que eu estava dando. Porque, às vezes, você vai fazendo as coisas e, se não cuidar da saúde mental, acaba perdendo o sentido no meio do caminho. Ter clareza do propósito desde o início ajuda a passar por todo o processo”.
Dicas a outros estudantes
Segundo a estudante, o currículo é importante, mas deixar claros os objetivos, com base na própria trajetória, é essencial para chamar a atenção dos avaliadores.
“Você não tem que fazer mil olimpíadas, não tem que desenvolver projetos estratosféricos ou curar ‘500 mil cânceres’. Mas precisa fazer algo pelo qual você seja apaixonado e conseguir contar quem você é. Acho que esse é o segredo principal: se você conseguir seguir isso, tem boas chances de dar certo”, aconselhou.
Ainda segundo Paloma, para que as aprovações fosse possível, algumas escolhas precisaram ser feitas, como dar um tempo no processo seletivo e nos vestibulares de universidades brasileiras. Ao perceber sinais de sobrecarga, ela optou, no terceiro ano do ensino médio, por focar no processo internacional, retomando o ritmo de estudos após a conclusão do ensino médio.
Assim como os vestibulares tradicionais, o processo de candidatura para universidades no exterior exige planejamento de longo prazo.
Yasmin Silva/MidiaNews
"Ter clareza do propósito desde o início ajuda a passar por todo o processo"
Sem condições de investir em ajuda especializada durante boa parte da jornada, Paloma recorreu a alternativas como mentorias gratuitas, lives nas redes sociais e instituições como o Prep Program, da Fundação Estudar, que a ajudaram a organizar prazos e revisar documentos sem custo.
“Eu não tinha condições de pagar uma mentoria, como muita gente. Então, fui assistindo a lives disponíveis na internet, pesquisando, encontrando caminhos e desenvolvendo meu processo”, explicou.
Além da ajuda gratuita, a jovem recorreu à realização de rifas nas redes sociais para custear cursos de verão em instituições de ensino superior. Com parte do valor arrecadado, ela conseguiu ir a Boston pela primeira vez, em 2024, onde realizou um curso de verão em Harvard.
Sem a escolha da universidade totalmente definida, ela contou que a maior inclinação por Harvard se deu pela experiência vivida no local.
“Harvard com certeza é apaixonante, mas Boston também é. Sabe quando você está andando na rua com um sorriso de orelha a orelha, se sentindo em casa? Acho que foi muito essa conexão. Isso me deu ainda mais motivação para me dedicar ao processo”, relatou.
O processo foi marcante não só para ela, mas também para a família, que desde o retorno da estudante já acreditava no resultado.
“Teve um momento muito lindo. Eu não sabia se ia passar em Harvard e estava na casa da minha avó, que disse para eu não me preocupar: ‘Eu sei que você vai passar naquela da xícara’. Quando fui para lá, trouxe uma xícara de Harvard como lembrança”, contou.
Veja:
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