O Santuário dos Elefantes do Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, afirmou que tem sido alvo de uma campanha de "medo e desinformação", cujo objetivo seria descredibilizar a atuação e alimentar interesses de empresas privadas.

A declaração foi publicada nas redes sociais após a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) suspender temporariamente o recebimento de novos animais no santuário por 60 dias, contados a partir de 23 de dezembro de 2025, data da notificação.
Segundo o santuário, a medida não impacta a vida dos elefantes que já vivem na instituição, mas afeta a credibilidade do espaço.
“Acolhemos com seriedade investigações e fiscalização rigorosas e acreditamos que uma análise regulatória bem informada é essencial. Esse processo oferece uma oportunidade para que os órgãos governamentais compreendam melhor a profundidade, a complexidade e o rigor do cuidado que oferecemos a elefantes que sobreviveram a décadas de condições comprometidas”, disse na nota.
Segundo o grupo, os ataques se intensificaram em especial após a morte da elefanta africana Kenya.
"A máquina anti-santuários reagiu com entusiasmo — algo por si só repulsivo — e essa perda trágica passou a ser usada para alimentar uma campanha antiga de descredibilização dos santuários. Há relatos de que pressões políticas significativas estão sendo exercidas sobre órgãos reguladores por pessoas com interesses diretos em determinados elefantes que atualmente estão sob ações judiciais, com o objetivo de impedir que esses animais sejam transferidos para o santuário".
A nota cita a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) como responsável por denúncias que levaram à suspensão, apesar de uma reunião recente entre a entidade e o santuário para discutir transparência e a possibilidade de visitas ao espaço.
“Embora os representantes da AZAB tenham demonstrado abertura e receptividade durante a conversa, ainda assim optaram por essa ação — uma ação que não atinge apenas o nosso santuário, mas mina deliberadamente o trabalho e a missão de santuários em todo o mundo”, diz trecho da nota.
O santuário também divulgou a elaboração de uma petição pedindo fiscalização justa quanto aos cativeiros que abrigam elefantes. E disse que acionará a Justiça contra grupos que espalharem mentiras.
"Já acionamos nossos advogados, que estão preparando medidas legais contra aqueles que disseminam informações que sabem ser falsas. Além disso, lançamos uma petição referente a elefantes que morreram prematuramente ou em circunstâncias trágicas, bem como a outros que seguem sem o cuidado adequado, solicitando que os órgãos reguladores estaduais, Ibama e Sema, investiguem esses casos com o mesmo rigor e as mesmas exigências de documentação impostas ao SEB", disse.
O caso
A notificação à instituição foi expedida cerca de uma semana após a morte da elefanta Kenya, transferida da Argentina para o santuário em julho de 2025. Antes dela, a elefanta Puppy faleceu em outubro de 2025; ela estava no santuário desde abril do mesmo ano.
O Santuário é especializado em receber elefantes que passaram décadas em cativeiro.
Segundo a Sema, o santuário tem o prazo de 60 dias para encaminhar os documentos e informações solicitados. A notificação visa analisar “informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo adotados pelo santuário”.
Ao MidiaNews, o Ibama informou que acompanha o caso e ressaltou que o Santuário possui licença de operação expedida pela Sema, que deve fiscalizar o local.
O órgão destacou que o santuário possui área maior do que a exigida para zoológicos, com estruturas adequadas para manejo, cercas fortes, e equipe de biólogos e veterinários para atendimento aos animais.
Ainda conforme o Ibama, não é possível afirmar se a morte dos animais foi causada por maus-tratos ou manejo inadequado, já que a maioria dos elefantes vem de circos ou de outros países. Uma equipe da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realiza exames de necropsia nos animais.
“Sabe-se que boa parte desses elefantes é idosa, apresenta comorbidades e possui histórico delicado. Eles foram direcionados para esse criadouro para ter mais qualidade de vida e manejo adequado”, informou o órgão.
Diante da situação, o santuário se pronunciou criticando a atuação de grupos que questionam seus cuidados de forma seletiva.
“De repente, pessoas que nunca questionaram os cuidados oferecidos por zoológicos e que nunca defenderam esses elefantes antes de sua chegada ao santuário agora expressam convenientes preocupações com mortes ocorridas aqui. Quando elefantes de zoológicos, com apenas 20 e poucos anos, morreram no Brasil e na Argentina, esses mesmos grupos não exigiram nenhuma investigação. Não houve protestos naquela época”, afirmou o SEB.
Veja a publicação:
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