Mesmo com algumas dúvidas ainda em relação ao monkeypox, conhecida como varíola dos macacos, os especialistas são enfáticos em relação a como ela é transmitida: por contato.
Até agora, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), já são quase 30 mil casos no Mundo. No Brasil, até a última sexta (5), eram 1.860.
Em Mato Grosso, havia também até sexta dois casos confirmados e outros seis suspeitos.
Em entrevista ao Midianews, o secretário adjunto de Atenção e Vigilância à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Juliano Melo, esclareceu dúvidas e desmitificou algumas inverdades sobre a doença.
Melo explica que como é algo de cunho mundial, é importante ficar atento e estabelecer cuidados, já que a varíola dos macacos é transmitida pelo contato.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews - Com o surgimento destes casos em Mato Grosso, há motivo para nos preocuparmos?
Juliano Melo - A Organização Mundial da Saúde declarou como uma emergência de interesse internacional, justamente porque ela oferece riscos, sim, já que ela tem uma transição por contato. Uma transmissão ativa ainda e pode, sim, circular no Brasil no caso. Então, é uma doença de importância, sim. A gente já tem alguns estados com volume de casos confirmados e nós [estamos] com casos suspeito agora. Mas por isso que a gente está fazendo os alertas e divulgando.
MidiaNews - O senhor acredita que haja subnotificação de casos aqui no Estado?
Juliano Melo - É uma doença que cabe notificação, porque toda doença que é uma sintomatologia mais leve, ela pode acabar passando despercebida ou até autolimitada, onde a pessoa nem procura unidade de saúde nem ajuda médica e, com isso, acaba melhorando. Mas em compensação também ela pode aumentar os índices de transmissão, já que não houve nenhum isolamento, nenhum manejo adequado. Isso é possível. Eu acho que ainda não estamos nesse momento. Possibilidade de isso acontecer existe.
MidiaNews: - Se pessoa estiver com sintomas, o que ela deve fazer imediatamente?
Juliano Melo - Em qualquer sintoma de feridas na pele, sendo essa com febre ou não, a pessoa precisa procurar ajuda médica numa unidade de saúde mais perto dele ou médico de confiança. Se ela teve contato com alguém positivo ou alguém suspeito ou alguém que acaba nessas condições, tem que procurar ajuda médica.
MidiaNews - Como é a taxa da letalidade?
Juliano Melo - Naturalmente essa doença tem um percurso benigno. Ela não evolui para grave em 90% dos casos. A grande preocupação em relação às formas mais graves é o imunossuprimido. Esse, sim, pode apresentar um quadro um pouco mais intenso. E aí vir associado a infeccioso também, que evolui para uma internação. O que acontece é que ela ratifica um desconforto importante que deixa a pessoa pelo menos uns quinze a vinte fora de ação, totalmente isolada. E é bem desconfortável em si a doença.
MidiaNews - É preciso que a pessoa faça uma quarentena assim como no caso da Covid?
Juliano Melo - Sim. A pessoa também precisa pegar uma quarentena, assim como no caso da Covid se ela for constatada [com o vírus], ou até mesmo a questão dos sintomas da doença. Em todo caso, a recomendação é que a pessoa faça o “autoisolamento”, e dentro do isolamento é um isolamento de contato em casa. Então, assim, separar as coisas que usa. Ter um ambiente mais controlado nessa técnica. E isso se estender até que sumam todas as lesões. Essa quarentena pode levar de duas a três semanas em média para sumir todas as lesões. Aí vai depender muito da intensidade que a doença em si apresentou.
MidiaNews - Existe alguma vacina específica para a doença? E o senhor acredita que, como no caso da Covid, vai ser preciso vacinar a população em geral?
Juliano Melo - Existe vacina. Inclusive, a variante em si foi desenvolvida para uma variante muito próxima que funciona para ela. Óbvio que pra isso acontecer o Brasil tem que ter todo um programa do Ministério da Saúde, vai precisar de uma articulação internacional, tanto para adquirir a vacina quanto para autorizar o uso delas aqui no Brasil de forma emergencial. Se isso acontecer, ela não deve ser para toda a população. Vai ser muito bem direcionada a grupos específicos.
MidiaNews - Como as pessoas devem agir para prevenir a doença?
Juliano Melo - A transmissão nesse caso é mais por contato. São importantes as precauções por contato. Ações de contato que a gente fala é em relação a contato direto com a pessoa. E quanto mais intenso esse contato, maior é o risco de contágio. E aí tem de troca de talheres, de utensílios e contatos em todas as ordens. Isso é uma das formas de transmissão.
Então, é importante esse controle em relação aos contatos mais próximos. Então o contato que a gente está falando é um contato mais próximo e direto. Daí a importância da lavagem das mãos, e aqueles que apresentam um desses quadros sintomáticos fazendo isolamento até sumir as lesões e passar o período de maior risco.
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