O cartão de crédito é conhecido como “dinheiro de plástico”. Um alívio para muita gente e um grande desafio para a maioria das pessoas. É uma forma de pagamento eletrônico, que vem ganhando adeptos a cada dia que passa.
O cartão de crédito é um plástico contendo um chip. Eu utilizo este tipo de cartão no aplicativo: Samsung Pay, Google Play etc. têm a mesma finalidade, e, é claro, com maior praticidade. O cartão tem 16 números, com quatro dígitos de validade do cartão e três números para o código de segurança. Você pode pagar uma conta inserindo o cartão em uma máquina, por aproximação (tecnologia NFT — em que o cliente aproxima o cartão da maquininha), pela internet, ou outro meio válido.
São várias instituições financeiras físicas (ex.: Banco do Brasil, Bradesco, Santander), ou digitais (ex.: Nubank), que emitem o cartão de crédito. É muito fácil conseguir o crédito, desde que não haja restrições com seu CPF.
Você consegue crédito com muita facilidade! Porém, desconfie de propostas de crédito fácil. Isso pode ser um ponto positivo como também negativo, a depender das suas características mental e emocional. Dentre as vantagens de utilizar o cartão de crédito estão: socorrer a pessoa em momentos de apuros, ou seja, de forma excepcional, gerar pontos para serem trocados por passagens aéreas, produtos, antecipação do consumo, condições para aproveitar as oportunidades etc.
É muito prático utilizar o cartão de crédito, porém, se não houver o devido cuidado, o “cartão se tornará o seu maior inimigo”. O crédito é conhecido como um grande vilão da saúde financeira. Um exemplo clássico é não pagar fatura até a data de vencimento, aí a coisa começa a se complicar, pois a taxa de juros do crédito rotativo é muito alta.
Sobre os juros rotativos do cartão, acompanhe a matéria do site “UOL”, de 21/1/2022: “Em meio ao ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 21,8 pontos percentuais em 2021, informou nesta sexta-feira (28) o Banco Central. A taxa passou de 327,8% em dezembro de 2020 para 349,6% ao ano no fim de 2021, o maior valor desde agosto de 2017. A taxa subiu 3,7 pontos percentuais só em dezembro, em relação ao mês anterior. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 148,9% para 168,5% ao ano entre o término de 2020 e 2021. Em novembro, era de 167,4%”.
Vamos ampliar a visão sobre o cartão de crédito. Na realidade, essa forma de pagamento é a mais utilizada pelos brasileiros. Segundo o site “Mercado & Consumo”, de maio/2022: “Para 69% dos entrevistados, a principal forma de pagamento tem sido o cartão de crédito”. Isso movimentou um valor expressivo em 2021 (site “FDR”, 11/2/2022): “Por meio do cartão de crédito, houve a movimentação de R$ 1,6 trilhão no período — equivalente a uma elevação de 36,6%”.
Quando você não tem dinheiro, o cartão te oferece a oportunidade de comprar algo quando desejar. A lógica é: comprar coisas com o dinheiro que hoje você não tem, isto é, gerando uma obrigação para o futuro. Exemplo: você não dispõe de dinheiro para comprar uma televisão de 60 polegadas à vista, no valor de R$ 5.000,00. Como a vontade e o desejo são grandes, você decidiu comprar a televisão parcelada em 10x sem juros, com uma parcela mensal de R$ 500,00 por mês. A princípio, a situação atende a sua vontade no presente e não sobrecarrega tanto o seu orçamento pessoal.
Do exemplo dado, você repete a mesma atitude para outros desejos da sua vida, como: você utiliza o cartão na academia, para se alimentar, comprar roupas, para o lazer etc. E aquela parcela pequena inicial cresce de forma exponencial e, quem sabe, se transforma em um monstro financeiro na sua vida.
O uso impensado e excessivo de crédito pode causar-lhe superendividamento, o que pode comprometer seriamente o seu bem-estar financeiro. Nessa situação, a preocupação e a ansiedade são alargadas.
Outro ponto que vale a pena mencionar é sobre a sua receita ou renda. Exemplo: você é um assalariado e não tem outra renda. Hipoteticamente, você recebe R$ 3.000,00 de salário. As suas despesas estão próximas do valor do salário. Você recebeu um cartão de um banco com o limite de R$ 5.000,00. O que fazer nessa situação? A minha recomendação é não aceitar, pois a tendência é que você se endivide brevemente. Como pode receber um limite de crédito maior do que o seu salário? Não faz sentido e é sem lógica. Penso que o máximo que você poderia aceitar como crédito é o limite do seu salário.
E se o indivíduo tem a capacidade de gerenciar as suas finanças? Creio que nessa situação não há problema. Entretanto, pense: o cartão de crédito é sorrateiro e tem provado para as pessoas que ele é atraente e convincente.
Um princípio básico na gestão financeira é: apenas compre aquilo que cabe no seu bolso, isto é, só gaste aquilo que você possui. As despesas não podem ser maiores do que a receita.
Um fator que contribui para o endividamento da população é ter muitos cartões de crédito disponíveis em suas mãos, conforme aponta a pesquisa do site “CBN Brasil”, 11/5/2022:
“A maioria dos brasileiros tem três ou mais cartões de crédito, diz a Serasa. Segundo a pesquisa, 29% das pessoas dizem ter cinco ou mais cartões, 18% afirmam ter quatro cartões, 23% falam em três cartões e 21% responderam ter dois cartões, enquanto apenas 9% dos entrevistados dizem ter somente um cartão. As compras para as quais os consumidores consideram que o uso do cartão de crédito é mais importante são, segundo a pesquisa, supermercado e alimentação (17%), farmácia (15%), eletrodomésticos (14%) e roupas (11%). As demais despesas pagas por essa modalidade são móveis (10%) e viagens (10%). Na escala de importância, o pagamento de boletos representa a menor proporção: apenas 6%. Ao mesmo tempo em que o uso de cartão aumenta, o número de brasileiros endividados e inadimplentes voltou a bater recorde em abril. Do total de famílias do país, 77,7% estão com dívidas ou contas em atraso no quarto mês do ano”.
A crise financeira no Brasil e no mundo deve ter contribuído para o aumento de gastos no cartão, por desemprego ou outro motivo e, ao mesmo tempo, um crescimento no endividamento das famílias.
O assunto é sério e precisa ser encarado com responsabilidade pelas famílias brasileiras. O cartão traz alguns benefícios, contudo é indispensável que o seu autocontrole seja ativado para não cair nessa cilada.
Se há momentos excepcionais, trate-os como merecem, entretanto, na nossa vida cotidiana, precisamos controlar bem os nossos recursos e repensar a forma como estamos lidando com isso.
Que tal repensar a forma como tem trabalhado os seus recursos? Pense no seu histórico e faça uma projeção para o futuro, e veja se é possível melhorar as suas finanças! Ah, lembre-se de reduzir a quantidade dos cartões e das despesas com a sua utilização.
Francisney Liberato é auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso e escritor.
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