Cuiabá, Terça-Feira, 24 de Fevereiro de 2026
PAULO OZAKI
24.02.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

Do pasto ao protagonismo global

Brasil se tornou o maior produtor e o maior exportador de carne bovina

Em 2025, o Brasil alcançou um marco histórico ao se tornar simultaneamente o maior produtor e o maior exportador de carne bovina do mundo. Dados do USDA indicam que o país superou os Estados Unidos em volume produzido, consolidando uma trajetória construída ao longo de décadas. Mais do que um número simbólico, essa liderança representa a consolidação de uma transformação profunda dentro das fazendas brasileiras — uma mudança que envolve tecnologia, gestão, genética e eficiência produtiva.

 

O Brasil já ocupava a primeira posição nas exportações globais de carne bovina há mais de 20 anos, abastecendo mais de uma centena de países. Agora, ao assumir também a liderança na produção, reforça seu protagonismo no abastecimento mundial de proteína animal. Esse avanço não se explica apenas por expansão territorial ou tamanho de rebanho, mas principalmente pelo aumento consistente da produtividade por hectare, pela redução da idade ao abate e pela profissionalização crescente da atividade.

 

Grande parte dessa evolução tem como epicentro o estado de Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país. Ali, uma nova geração de pecuaristas tem transformado a forma de conduzir o negócio: fazendas passaram a operar com indicadores claros de desempenho, controle rigoroso de custos, uso intensivo de melhoramento genético e integração entre pastagens, nutrição e gestão financeira. São produtores que tratam a pecuária como empresa e que entendem que margem é tão importante quanto volume.

 

É justamente esse perfil que será retratado na segunda temporada da série documental “Brasil que Produz”, uma produção do Agro Resenha em parceria com a Silveira Consultoria Pecuária, com apoio da Estância Bahia e da Inbra. Ao longo de dez episódios, a série apresenta pecuaristas que estão na vanguarda da produtividade e da eficiência, demonstrando que os resultados que colocaram o Brasil no topo do ranking mundial são fruto de decisões técnicas, planejamento e visão estratégica dentro da porteira.

 

No entanto, há uma outra face da pecuária brasileira que não pode ser ignorada. A maior parte das fazendas ainda opera com baixa produtividade, pouca organização de dados e limitada profissionalização da gestão. Esse contraste revela tanto um desafio quanto uma oportunidade. 

 

Se, por um lado, a heterogeneidade do setor expõe gargalos estruturais, por outro, evidencia o enorme potencial de crescimento baseado na intensificação sustentável e na adoção de tecnologias já disponíveis. O caminho trilhado pelos produtores mais eficientes mostra que é possível produzir mais sem necessariamente expandir área, aumentando renda e competitividade.

 

Ao assumir a liderança mundial na carne bovina, o Brasil também amplia sua responsabilidade social e geopolítica. A proteína produzida aqui contribui diretamente para a segurança alimentar de dezenas de países, especialmente em regiões onde a produção interna não é suficiente para atender à demanda. 

 

Alimentar o mundo deixa de ser apenas um slogan e passa a ser um compromisso concreto, que envolve padrões sanitários rigorosos, rastreabilidade e melhoria contínua dos sistemas produtivos.

A conquista do topo não aconteceu por acaso. Ela foi construída por produtores que, ao longo do tempo, investiram em eficiência, inovação e gestão. Os pecuaristas retratados na série representam essa força transformadora que impulsiona o setor para frente. São exemplos de que a liderança brasileira nasce da combinação entre tradição e ciência, campo e dados, experiência e estratégia. 

 

Manter essa posição exigirá ampliar esse movimento, levando tecnologia e profissionalização a um número cada vez maior de propriedades. Afinal, o protagonismo do Brasil na carne bovina não é apenas um resultado estatístico: é a soma das decisões tomadas todos os dias dentro das fazendas que ajudam a alimentar o país e o mundo. E é isso que vamos mostrar, a partir do dia 03 de março, nas plataformas de áudio e no canal do YouTube “Brasil que Produz”. 

 

Paulo Ozaki é engenheiro agrônomo.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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