Como processo histórico, transformador e modernizante a Primeira Revolução Industrial ficou marcada pela industrialização originária ocorrida na Inglaterra, por volta de 1730 a 1750, com o tear mecânico revolucionando a produção têxtil.
Posteriormente, outros países, Estados Unidos, Alemanha, França e Japão, também fizeram suas revoluções produtivas conhecidas como industrializações retardatárias.
Finalmente, surgem as industrializações restringidas ou tardias em países como o Brasil, Argentina, Itália, dentre outros, após ter ocorrido tanto a primeira revolução industrial (força mecânica) como a segunda revolução industrial (força eletro-mecânica).
Há que se pontuar, que a revolução industrial tardia caracterizou-se pela insuficiência de bases técnicas e financeiras de acumulação para que se implantasse e efetivasse, de uma só vez, o centro básico da indústria de bens de capital, que daria condições para que a capacidade produtiva crescesse a frente da demanda, garantindo um processo autônomo do desenvolvimento industrial.
Para bem ilustrar essas ponderações imediatamente anteriores, recordemo-nos do processo de industrialização brasileiro, quando a acumulação cafeeira foi insuficiente para promover todo um processo de industrialização completo pelo "continente" brasileiro.
Foi preciso ir além da industrialização primária com a moagem, o ensacamento, a torrefação e a própria exportação do café in natura.
É por isso que, quando se fala em industrialização, existe a necessidade de se pensar na taxonomia da mesma conforme segue: industrialização de base (siderurgia, petrolífera), industrialização pesada (ferroviária, naval, máquinas pesadas), industrialização de bens de capital (bens para produção de outros bens), industrialização de bens duráveis (geladeiras, fogões, automóveis) e industrialização de bens de consumo corrente (alimentos, vestuários, higiene pessoal).
Em plena terceira revolução industrial dos dias de hoje (eletro-microeletrônica) é oportuno indagarmos: o que industrializar em Mato Grosso? Ou por outra, qual industrialização estimular ou implantar em Mato Grosso?
Antes de qualquer decisão a esse respeito é importante mencionar que, mesmo a duras penas, o processo de industrialização no Brasil é um caso dado, todavia, a questão mais difícil para formular e equacionar, será manter a rota da unidade e integração produtiva entre as 27 unidades da federação evitando, dessa maneira, a fragmentação nacional e o desperdício de recursos, com os olhos decisórios centrados em custos de oportunidades, decorrentes do estágio de desenvolvimento da região sul-sudeste, e das próprias oportunidades decorrentes da globalização produtiva, principalmente.
Bem assim, Mato Grosso, hoje com seus excedentes agro-primários decorrente da modernização do rural, altamente tecnificado, é uma oportunidade sem comparações e precedentes na recente história econômica do Estado, porém, perder de vista suas diversas possibilidades de produção industrial sem observar a interdependência produtiva inter-estadual e a interdependência produtiva setorial será um falha de mercado dispendiosa, juntamente com os recursos públicos disponibilizados via políticas de incentivo.
Enfatiza-se, que não estamos aqui negando a relevância do espírito empresarial inventivo e inovador local, nacional e global, e, muito menos, as políticas de incentivos fiscais existentes, todavia, a agenda a ser seguida é aquela que esteja consubstanciada numa industrialização onde as taxas de investimento produtivo tenham um limite mínimo para manter um crescimento econômico pantaneiro que garanta sustentação econômica e dinamismo ao Estado e a sua gente.
Portanto, a industrialização primária (bens de consumo correntes) mato-grossense, também conhecida como agregação de valor e/ou verticalização produtiva, contribui fortemente para o PIB estadual nos segmentos de alimentação, construção, energia, água, curtimento de couros, extrativa, gráfica, madeireira, metalúrgica/mecânica, mobiliário, química e vestuário, o que, sem dúvida, potencializa e estimula investimentos em bens de capital tanto para produção de bens primários como de bens secundários, o que fortalecerá, sobremaneira, na formação bruta de capital fixo estadual.
Ernani Lúcio Pinto de Souza é economista do Paradigma Estudos e Pesquisas, associado da Aprocecon, vice-conselheiro do Corecon-MT e representante pelo Corecon na Fiemt([email protected]), expressando seus pontos de vista de maneira pessoal.
João José de Amorim é economista, professor aposentado da UFMT e assessor econômico da Fiemt ([email protected])
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1 Comentário(s).
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| Fabiano Fratta 30.01.12 18h08 | ||||
| vc está preocupado com um nível de industrialização aqui que sequer alcançou o básico? vamos sonhando que isso vai acontecer.... principalmente com um governo que não tem capacidade de atrair investimentos e principalmente fazer com que o custo de industrialização aqui seja competitivo... sonhar sempre é bom mesmo.... isso não vai acontecer nunca... não com esse modelo pobre...kkkk | ||||
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