Cuiabá, Segunda-Feira, 26 de Janeiro de 2026
GABRIEL NOVIS NEVES
26.01.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

Janelas abertas

A minha casa acorda sempre antes de mim. A claridade do dia não interfere no meu despertar

A janela estava aberta quando acordei. O vento entrava leve, mexendo a cortina devagar, como se a casa respirasse antes de mim.

A minha casa acorda sempre antes de mim. A claridade do dia não interfere no meu despertar, pois detesto luminosidade para dormir.

 

Não lembro a que horas a abri. Talvez ainda estivesse escuro. O dia já tinha clareado bastante, e o barulho da rua chegava sem esforço.

 

Fechei um pouco, só o suficiente. A luz continuou entrando. A casa parecia acordada antes de mim.

 

Tenho acordado, ultimamente, bem depois do dia, ainda com sono acumulado. Os palpiteiros dizem ser efeito do ansiolítico que tomo para dormir, antes das nove da noite.

 

Os especialistas garantem que ganhei, para me acompanhar na velhice, a disautonomia — doença sem cura, mas que não mata.

 

A minha casa acorda sempre antes de mim. A claridade do dia não interfere no meu despertar, pois detesto luminosidade para dormir.

 

Mesmo zonzo, procuro o escritório para escrever sobre o cotidiano. Depois de uma breve sesta, mais desperto, retorno ao trabalho até o dia se recolher.

 

Tento levar meus dias com resignação, aceitando o que me foi oferecido. É melhor assim.

 

Descobri, observando o cotidiano, a riqueza que existe em compreender as coisas simples do tempo.

 

As pequenas rotinas, os silêncios da casa, a luz entrando pela fresta da janela.

 

Espero com alegria a chegada dos meus dois filhos e de suas famílias para o almoço especial deste sábado. Vamos celebrar os vinte e cinco anos do meu único neto, bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie de São Paulo, aprovado na OAB ainda no último ano do curso.

 

Hoje trabalha em um escritório de advocacia em Cuiabá. Seus pais me homenagearam ao lhe darem o meu nome.

 

Há expectativa da presença da namorada, médica, para o almoço, os parabéns e as fotos do álbum da família.

 

Ele soprará as velinhas e cortará o bolo, como manda o ritual.

 

O avô lhe dará um presente moderno: um envelope perfumado, chamado PIX.

 

E assim seguimos para a festa, com votos simples — que são sempre os mais sinceros: saúde, serenidade e felicidade.

 

Enquanto isso, a janela continua aberta, deixando o dia entrar devagar, como quem sabe esperar.

 

Gabrel Novis Neves é médico e fundador da UFMT.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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