Cuiabá, Sábado, 4 de Abril de 2026
RENATO GOMES NERY
15.02.2018 | 09h02 Tamanho do texto A- A+

O homem mais perigoso

A vida do cuiabano Filinto Muller ainda é uma equação em aberto que merece mais estudos

Este é o título do livro do brasilianista R. S. Rose, lançado  pela Editora Civilização Brasileira (2017), a respeito do controvertido personagem histórico  - Filinto Muler, nascido em Cuiabá, em 11.07.1900.

 

Este lançamento coincide  com  a determinação do Governo do Estado de Mato Grosso, que após um curioso processo administrativo, mandou trocar o nome da referida personalidade  de uma Escola Estadual no interior do Estado. Após inúmeras manifestações, inclusive da minha, voltou-se atrás da atabalhoada decisão.

 

Filinto Muller é um nome de destaque na vida nacional do turbulento século XX. Foi Chefe de Polícia da Capital (RJ) Federal do Governo de Getúlio Vargas de 1933 a 1942. Neste período, segundo o livro,  foi sufocada a insurreição paulista, a intentona comunista e as pretensões da extrema direita fascista, a AIB. Bem como foi implantado o Estado Novo, em 1937.  

 

Tudo isto foi feito a peso de censuras, prisões, torturas, deportações e mortes, notadamente no Estado Novo, sob os auspícios da Policia Política da Capital de República. Quando o País começou a se afastar das Potências do Eixo, os seus serviços se tornaram prescindíveis e ele foi afastado da Chefatura de Polícia que dirigiu  por quase uma década.

Filinto Muller é um nome de destaque na vida nacional do turbulento século XX. Foi Chefe de Polícia da Capital (RJ) Federal do Governo de Getúlio Vargas de 1933 a 1942

 

Em seguida, exerceu diversos outros cargos no Governo Federal. E se candidatou e perdeu as eleições ao Governo do Estado de Mato Grosso, em 1950. Foi eleito e reeleito duas vezes Senador da República pelo Estado de Mato Grosso.

 

No Golpe de 1964 teve participação efetiva nos Governos Militares. Tendo papel de destaque no Governo Médici quando morreu em 1973 – vitimado por um acidente de avião no Aeroporto de Orly, na França - quando era Presidente do Senado de República.

 

Segundo o autor do livro referido  - “Filinto foi um representante  da geração de tenentes que pensava que eles, sabiam o que era melhor para país. Sua receita de um Brasil melhor não incluía o comunismo de Luiz Carlos Prestes, mas sim a ditadura dos militares ”sabichões”. Muller serviu aos governos de Vargas, Castello Branco, Costa e Silva e Médici com entusiasmos diferentes, mas serviu.

 

Certamente, Vargas e Médici ganharam o seu fervor infinito. Cada líder usou-o para os seus próprios fins.... Teria sido ele o homem mais perigoso do Brasil? Neste último caso, ele seria apenas mais um “fisiologista”, ou bajulador, para apoiar qualquer líder de direita ou de centro-direita que governasse o a país” -.

 

Segundo o autor, grande parte dos documentos a seu respeito, notadamente da era Vargas foram desviados por funcionários da Delegacia de Polícia, consumidos pelos insetos ou expurgados pela família. O que certamente deixa qualquer avaliação incompleta. É preciso, entretanto,  levar em conta a força de presença do biografado que somente em 2013 “teve nada menos que dez escolas batizadas com o seu nome”. E,  no Estado de Mato Grosso, teve seu nome retirado e resposto de uma  Escola.

 

O trabalho é de vulto e  bem fundamentado. Aconselho –o a todos. A vida de Filinto Muller ainda é uma equação em aberto que merece mais estudos. E não completou 50 anos de sua morte. Segundo, o escritor Sebastião Carlos de Carvalho, somente após este período, é possível fazer uma avaliação de fatos e figuras históricas.  

 

 

 

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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AUREMÁCIO CARVALHO  16.02.18 16h03
A sua atuação como chefe de polícia do governo Vargas- ditadura, é clara, nos anais da história: torturas, morte de desafetos do governo. Não adianta rasgar ou sumir com documentos. Estamos na Polônia?
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Eduardo De Lamonica Freire  16.02.18 06h33
O Senador Filinto Muller é produto de um ciclo histórico mundial caracterizado pelo poder personificado e ditatorial. Na Alemanha, Hitler, na Itália, Mussoline; na Rússia, Stalin; na Argentina, Perón; no Brasil, Getúlio; etc, etc... O Senador Filinto, detentor de personalidade forte e liderança idem dentro das Forças Armadas foi, na realidade, um competente cumpridor de ordens e daí, derrubada a ditadura Vargas (que flertava com a dobradinha Hitler/Mussoline), alguém, saído do tal “Estado Novo”, tinha que ser acusado das maldades ( e ponham maldades nisso!) praticadas pelo Governo Vargas. Se o Ditador Vargas não autorizasse teria a perseguição à Prestes? E à Olga Benário? E a outros tantos? Temos que deixar de sermos hipócritas e montar o retrato de maldades (entre as quais a CLT copiada de Benito Mussolini e, ainda, muitos dos caciques políticos atuais) praticados sob a ditadura Vargas. Para mim o Senador Filinto Muller é a “geni” do Getulismo, Palocci, e outros mais, é a “geni” do lulopetismo... Tudo a ver!
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ANA LUZIA  15.02.18 17h12
Deus que me livre!
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Rogério  15.02.18 11h01
Os militares, os principais articuladores para a emblematização de Filinto, o defendem com unhas e dentes. A esquerda o excomunga, e é responsável pela sua excreção. A família dele parece que se prepara para esse embate pelos 50 anos pós Orly.
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