Na Mitologia Grega, Caronte é o barqueiro servo de Hades. Ele é responsável por carregar a alma dos mortos pelo Rio Estige e Aqueronte. Esses rios dividem o mundo dos vivos e dos mortos. Ele era filho de Nix, a deusa da Noite e de Érebo, o deus da escuridão.
Eis que no Brasil, Caronte assume o poder. Poder poderoso, que não admite nenhum outro sobre o dele.
Aqui quem manda sou eu, enfatiza todos os dias em suas vociferações aos asseclas embevecidos, em aplausos. Talvez Caronte esteja comemorando o sucesso em transportar tantas almas deste mundo brasileiro para o outro lado do Aqueronte, por isso gargalha sem rodeios, à bandeira despregadas, como se dizia antigamente. E Caronte ri!
Soberbo em sua fantasia de bufão de alguma côrte decadente, acena para o nada e para ninguém, pois os seus seguidores deveriam ser nomeados como ‘segue dores’, pois é o que mais produz o seu governo ensandecido, dores, dores de toda natureza: dores no corpo, dores na alma, dores na família, dores que humilham, dores incessantes, dores lancinantes, dores lacrimejantes, dores que matam, dores, nem mais nem menos do que dores.

Caronte assume uma liderança planetária, inigualável, impensável.
Como no 7 a 1 contra a Alemanha, desta vez ninguém irá superar esta contabilidade funérea porque em sua sanha desmedida, a partida tem aliados, sem mesmo perceber, muitos estão ao seu lado, especialmente quando tentam enganar o coronavírus, esticando e encolhendo horários como se o vírus fosse mais idiota do que eles.
Não é para menos, um general estrategista comandado por um falastrão tão egoísta que se assume como o dono da ciência, embora seja o campeão da incompetência.
É impossível acreditar em uma pessoa que o que fala sentado, não garante ao se levantar, o que foi falado é impossível de se acreditar.
E a vacina? Qualquer mãe deve ter para vender a quem quiser, desde que pague o preço de mercado, o mercado negro da morte comandado por Caronte e sua prole sem controle. E a afronta continua nesta saga desmedida, ninguém obedece ao que deve ser seguido, pois estão cansados de tanta quarentena. É uma pena! E nessa cantilena os cemitérios se apequenam para tantos cadáveres esperando insepultos e milhares de famílias em seus lutos.
Cansados estão, quase esgotados, em sua devoção de salvar, sempre, mais vidas, sem proferir nenhuma queixa, os profissionais de saúde, perplexos diante da perversa pandemia, derrubam lágrimas de tanto sofrimento diante das mortes de tantos brasileiros, impotentes, dilacerados em seus sofrimentos, mantêm a calma e a ternura enquanto se abrem mais, e bem mais, incontáveis sepulturas.
Vamos prosseguir nesta jornada impiedosa, sem vacilar em nossa caminhada movida pela eterna esperança e com a fé inabalável em nosso Criador, mesmo que a dor nos sufoque muitas vezes. Não deixaremos de orar todos os dias, pois é só o que nos resta nesta tão profunda agonia, enquanto esperamos nos livrarmos dos revezes dos embates da doença, mas nada nos abatem e nos tiram desta crença de vencer a pandemia.
Caronte nunca foi e nem será eterno, será transportado ao seu lugar...
Só nos resta orar!
José Pedro Rodrigues Gonçalves é médico.
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1 Comentário(s).
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| GENIVALTER DA SILVA GOMES 12.03.21 15h44 | ||||
| Parabens... Como sempre Dr. José Pedro um artigo brilhante. Que Deus lhe proteja para continuar nos presenteando com artigos de tanto conhecimento. | ||||
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