Segundo os estudiosos do mundo bíblico, a Páscoa pré-Israelita era uma festa primitiva, de pastores nômades, celebrada na primavera, para agradecer a Deus pelo nascimento das ovelhas e pedir a proteção Divina contra os maus espíritos, manifestados nas doenças e pestes contra o rebanho, e contra as famílias; e, também, para pedir a fertilidade do rebanho. O ritual primitivo consistia no sacrifício de um animal e com o sangue dele era tingido a entrada da tenda.
A Páscoa pré-Israelita foi judaizada e incorporada no calendário das festas litúrgicas dos judeus, como a mais importante festa do povo de Deus, com um profundo sentido salvífico (conf. Lv. 23,5).
A festa da páscoa foi ressignificada pelos Judeus como a memória da libertação, da opressão e escravidão do povo hebreu no Egito. Esta festa no Antigo Testamento é registrada no livro sagrado do Êxodo (Ex.12,1-28). A narrativa da instituição da Páscoa começa com estas palavras: “Este mês será para vós o começo dos meses: será o primeiro mês do ano” (Ex. 12,2). O rito da páscoa consistia na celebração de um banquete no primeiro mês do ano.
O cordeiro devia ser assado inteiro e partilhado em família. Os comensais comiam-no em pé, com sandálias nos pés, acompanhado de pão sem fermento, ervas amargas, para lembrar a amargura da escravidão e prontidão para a viagem (sandálias nos pés).
Os símbolos litúrgicos da páscoa Israelita, expressam a pressa de sair da escravidão para uma nova vida e o desejo ardente de libertação. Com o sangue do cordeiro imolado era tingido os umbrais das portas, como sinalizador, para que o anjo destruidor “passasse por cima” (Pessach=Páscoa judaica) e não exterminasse os primogênitos, pessoas e animais. A morte dos primogênitos foi a décima e última praga enviada por Deus sobre o Egito, relatada no livro sagrado do Êxodo (Cfr. cap. 11-12).
Conforme a narrativa bíblica, à meia-noite, todos os primogênitos, desde o filho do Faraó, dos prisioneiros e até dos animais foram exterminados, poupando os hebreus que marcaram suas portas com o sangue. Com os acontecimentos do Êxodo e a passagem do mar vermelho, a páscoa transforma-se numa instituição perpétua. Era celebrada anualmente para reavivar a fidelidade ao Deus libertador e aos compromissos da aliança. A Páscoa Cristã ou nova páscoa é realizada por Jesus Cristo, o cordeiro imolado para a salvação da humanidade.
Os evangelistas situam a morte de Jesus, por volta das 15:OO horas, “hora nona”, no sistema de contagem judaico, coincidindo como horário em que os judeus faziam a matança dos cordeiros no templo, na sexta-feira, para o sacrifício pascal do Sábado. Jesus é o novo e verdadeiro cordeiro a ser imolado.
Com seu precioso sangue Jesus consolida, definitivamente, a nova e eterna aliança, reconciliando os homens com Deus e entre si. “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim (Jo 12,32) A Páscoa de Jesus constitui o eixo ou núcleo central de toda obra salvadora de Deus e o ato supremo da nossa salvação.”.
É, indiscutivelmente, o acontecimento mais importante da história da salvação. O Pai entrega o seu filho, num gesto de amor sem limite pelos homens, o filho, por sua vez, entrega sua vida num gesto de total generosidade e obediência à vontade do Pai. Assim, a nossa Páscoa é a participação na Páscoa de Cristo. Somos chamados a morrer com Cristo e ressuscitar com ele, conforme as palavras de São Paulo “Portanto, se ressucitastes com Cristo Buscai as coisas do alto (Col 3,1)”. Esta vida nova da páscoa deve refletir na convivência humana. Sim, precisamos viver uma vida reconciliada com a família, com os amigos, com os colegas de trabalho, com a comunidade e com a natureza. Precisamos de um mundo mais convivente e harmonioso.
O Papa Leão XIV, nos convoca, nesta páscoa, para uma corrente de oração pela paz mundial e pelo desarmamento. Rezemos para que os líderes das nações escolham o diálogo e a diplomacia em vez da violência e da guerra para solução dos conflitos. Não há nenhum coração humano que não se sente bem quando ao seu redor reina a paz. Mas a paz é um valor universal que deve ser buscado diariamente através das nossas pequenas ações e do desarmamento interior.
Que a luz da ressurreição brilhe em todas as pessoas, famílias e instituições! Uma feliz e renovadora páscoa para todos!
Deusdédit de Almeida é padre Diocesano, da Catedral de Cuiabá.
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
|
0 Comentário(s).
|