Cuiabá, Sexta-Feira, 6 de Fevereiro de 2026
DELEGACIA DE SORRISO; VEJA
06.02.2026 | 17h25 Tamanho do texto A- A+

Denúncia expõe supostos confrontos forjados e abusos de policiais

Mensagens foram vazadas após furto de celular da delegacia; Polícia Civil apura autenticidade

Reprodução/SBT Comunidade

Prints de conversas atribuídas a policiais civis de Sorriso

Prints de conversas atribuídas a policiais civis de Sorriso

LIZ BRUNETTO
DA REDAÇÃO

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) encaminhou uma denúncia ao corregedor-geral da Polícia Judiciária Civil, Jesset Arilson Munhoz de Lima, após o vazamento de áudios e prints de um grupo de WhatsApp que expõem uma série de supostas condutas ilegais atribuídas a policiais civis da Delegacia de Sorriso. 

Médico falou que só pode bater em vagabundo a partir da segunda quinzena de março

 

Entre as conversas extraídas do grupo nomeado "DHPP/Assuntos Oficiais", há referências a supostos confrontos forjados, agressões contra investigados, monitoramento clandestino de celulares e sexualização de detentas. 

 

O caso veio à tona após o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, ter sido indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade contra uma detenta dentro da delegacia da cidade. Exames periciais confirmaram o crime, que aconteceu durante o plantão do servidor. 

 

Em nota, a Polícia Civil informou que um aparelho celular foi furtado da delegacia em outubro de 2025 e negou que as denúncias atuais tenham relação com o caso de estupro cometido pelo servidor Manoel em dezembro de 2025. 

 

“A Delegacia de Sorriso instaurou procedimento investigativo para apurar a autoria do furto do aparelho celular, que é do conhecimento do Ministério Público. Portanto, as mensagens de conversa que constam no aparelho celular, se verdadeiras, não têm nenhuma relação com o caso de estupro de uma mulher que aconteceu no mês de dezembro de 2025”, diz trecho de nota. 

 

Segundo a Polícia Civil, a Corregedoria Geral irá apurar a autenticidade dos prints e o contexto em que foram postados, assim como possível desvio de conduta dos policiais.

 

Prints e áudios

 

A ideia é dar uma pressão nele na DP antes de devolver o celular, pra ver se depois ele fala alguma coisa no zap

Em um dos prints divulgados pelo programa SBT Comunidade, um dos supostos policiais questiona sobre forjar uma prisão em flagrante: “Meter flagrantão no pelo mesmo?". 

 

No print seguinte, outro afirmou: “Médico falou que só pode bater em vagabundo a partir da segunda quinzena de março”. “O jeito é machucar com papel e caneta”, respondeu outro. 

 

O período citado como “permitido” para agredir detentos, faria menção ao período em que um médico legista da cidade que, supostamente deixaria de constatar as lesões, voltava de férias. 

 

Já no trecho, "o celular dele tá com o *** instalado", faria menção à instalação de um aplicativo espião, para monitorar de forma ilegal ligações, mensagens e demais movimentações de um investigado. 

 

“A ideia é dar uma pressão nele na DP antes de devolver o celular, pra ver se depois ele fala alguma coisa no zap”, diz outro trecho da mensagem. 

 

Em outro print, um dos policiais afirmou: "A gente tá pegando uma arma e rodando ela pelos confrontos". A mensagem indicaria que a mesma arma estaria sendo “plantada” em confrontos policiais.

 

Nesse mesmo print, outro diz "bom era a PM trincar mais 2 esse fds”, e complementou com “pessoal está em choque com os confrontos marotos”. 

 

Já vi polícia se apaixonar por bandida várias vezes. Amor de grade

Em outro, os policiais se referem a uma suposta detenta: “Conquistando os outros com pen drive”. O termo é usado para tornozeleira eletrônica. 

 

Outro policial respondeu: “Já vi polícia se apaixonar por bandida várias vezes. Amor de grade”. Esse mesmo policial complementa, “dá uma escaldada na piranha rapaz, pode come kkk”. 

 

Em um dos áudios, um policial cogitou agredir um investigado para conseguir informações. 

 

“Tô pensando aqui, será que esse maldito não entrega pra nós o pintinha na testa. Tá faltando só ele para nós fechar com chave de ouro, não sei se eu dou um cacete nele. Tô”. 

 

Em outro áudio, os policiais discutem se um caso foi execução ou confronto. 

 

“Isso tá com cara que foi confronto mesmo, porque no meio do Poção, sem testemunha, os caras matar um e trazer dois vivos. Deve ter sido um confronto de verdade mesmo, porque se fosse o padrão era para estar os três pulado”, disse um. 

 

“Confrontinho maroto no mato, ninguém traz dois sobreviventes vivos pra dar depoimento. Quem vai matar um cara executado no mato e trazer duas testemunhas”, completou.

 

 

 

 

Confira as notas na íntegra:

 

Nota da OAB-MT 

 

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e o seu Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) encaminharam ofício solicitando providências ao Corregedor-Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, Jesset Arilson Munhoz de Lima, com informações, documentos e arquivos referentes a supostos fatos ocorridos no âmbito da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso.

Nota da Polícia Civil

 

A Polícia Civil esclarece que o aparelho celular furtado na Delegacia de Sorriso aconteceu no mês de outubro de 2025.

 

A Delegacia de Sorriso instaurou procedimento investigativo para apurar a autoria do furto do aparelho celular, que é do conhecimento do Ministério Público.

 

Portanto, as mensagens de conversa que constam no aparelho celular, se verdadeiras, não têm nenhuma relação com o caso de estupro de uma mulher que aconteceu no mês de dezembro de 2025.

 

A Corregedoria Geral da Polícia Civil irá apurar a autenticidade dos prints e o contexto em que foram postados, assim como possível desvio de conduta de policiais.

 

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