A organização criminosa alvo da Operação Rent-A-Business, deflagrada nesta quarta-feira (7), tinha mais de 100 empresas fictícias e sonegou, no mínimo, R$ 100 milhões em tributos.

A informação é do delegado José Ricardo Garcia Júnior, da Defaz (Delegacia Especializada em Crimes Fazendários), que está à frente da investigação.
No âmbito da operação, foram cumpridos treze mandados busca e apreensão e outras medidas cautelares contra pessoas físicas e jurídicas em Cuiabá, Sinop, Chapada dos Guimarães, Cláudia, Novo Progresso (PA) e Itapema (SC).
Segundo o delegado, os R$ 100 milhões sonegados apurados até o momento é um número subestimado e o valor pode ser muito maior, já que o período analisado na investigação corresponde somente aos anos de 2016 a 2021 e não inclui todas as empresas envolvidas.
“Nós já sabemos, com certeza, segundo as informações da Secretaria de Fazenda, que R$ 100 milhões de sonegação houve. Porque eles fizeram essa autuação. Possivelmente, nesse volume, nós temos um valor muito maior”, disse José Ricardo.
“Possivelmente, eu digo, por cautela, porque muito provavelmente o volume de negócios clandestinos que foi feito é muito maior do que esse. Existem outros contabilistas, existe um período maior, existem outras empresas”, completou.
O “serviço”
Conforme o delegado, o grupo teria estruturado uma rede para que o sonegador não fosse identificado. Essa rede era formada, ainda, por contadores que alugavam seu registro para que as empresas fictícias pudessem emitir as notas, e laranjas em nome dos quais estavam as empresas fantasmas.
“Os indícios que a gente tem são de um fornecimento de um serviço para ocultar quem de fato estava praticando o crime contra ordem tributária. O que a gente detectou é um padrão, um grupo que está sendo investigado que oferecia esse serviço”.
“A pessoa, quando ela vende um grão ou faz um negócio, ao invés dela emitir a nota fiscal em nome próprio e recolher os tributos, havia toda uma estrutura formada para que isso fosse feito em nome de empresas fantasmas”, explicou o delegado.
“Com o tempo, [essas empresas] teriam sua inscrição suspensa e deixariam de poder emitir notas, mas sempre havia uma empresa nova ou um laranja novo para ficar com essa dívida. E aí criava uma dívida que o Estado não consegue receber porque essas empresas eram fantasmas”.
Veja o vídeo:
Leia mais:
Polícia faz operação contra fraude de R$ 7,6 bi em notas fiscais
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
|
0 Comentário(s).
|