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“NA HORA CERTA”
17.01.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

María Corina afirma que será eleita presidente da Venezuela

Fala da líder foi após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Reprodução

Festa dos venezuelanos após queda do ditador Nicolas Maduro

Festa dos venezuelanos após queda do ditador Nicolas Maduro

ISABELLA MENON E RENAN MARRA
DA FOLHAPRESS

A líder da oposição na Venezuela e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, chamou a líder interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez, de comunista e disse que Donald Trump se preocupa com a população venezuelana.

 

"Delcy é uma comunista. Ela é a principal aliada do regime russo e chinês. Não é o que representa a Venezuela", afirmou. A declaração foi feita durante uma conversa com jornalistas nesta sexta-feira (16) no Heritage Foundation, em Washington, um dia após o seu encontro com o presidente americano.

 

Ela disse que saiu da reunião com Trump "muito emocionada e esperançosa pelos momentos que estão por vir". "Estava ali representando um povo que deu sua vida pela liberdade e vai conseguir [alcançá-la] graças ao apoio do presidente Donald Trump", afirmou.

 

María Corina também acusou Delcy de ter liderado a repressão a opositores do regime chavista na Venezuela e relativizou a aproximação entre a líder interina e Trump. "Neste momento, ela está apenas cumprindo ordens."

 

Em uma entrevista exibida também nesta sexta pela Fox News, a opositora disse espera ser eleita presidente da Venezuela "na hora certa". Trump, por ora, não sinaliza disposição para pressionar Caracas por uma mudança de regime.

 

"Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente", disse María Corina.

 

Questionada sobre o futuro do país, ela respondeu que deseja liberdade. "E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo."

 

O cenário político da Venezuela passa por mudanças após a deposição de Nicolás Maduro, ditador capturado por forças americanas em Caracas, no último dia 3. Delcy Rodríguez, que era vice, assumiu o comando do regime de forma interina e, desde então, mantém diálogos com Trump.

 

Os dois já conversaram por telefone, e o americano descreveu a venezuelana como "uma pessoa formidável" e alguém com quem Washington "trabalha muito bem". O líder republicano também já disse

que María Corina "não tem o apoio interno nem o respeito do país" para governar a Venezuela.

 

Após o encontro desta quinta, no entanto, o americano declarou que deve manter contato com a opositora de Maduro. "Acho que ela é uma mulher maravilhosa e vamos continuar conversando", disse Trump, elogiando a entrega da medalha do Nobel como um "gesto gentil".

 

A opositora deixou o território venezuelano com apoio dos EUA, em dezembro, para receber na Noruega o Prêmio Nobel da Paz. Ela não chegou a tempo da cerimônia de entrega, entretanto, e foi representada pela filha. Na quinta (15), durante o encontro com Trump na Casa Branca, María Corina decidiu entregar a medalha do Nobel ao presidente, num gesto descrito por ele como maravilhoso e de respeito mútuo.

 

Mesmo que María Corina tenha dado a medalha para Trump, a honra continua sendo dela. O Instituto Nobel da Noruega afirmou que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado. Ainda assim, na entrevista à Fox News, a opositora disse que a homenagem a Trump foi emocionante.

 

"Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração", afirmou. Segundo ela, há precedentes históricos. "Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington [o primeiro presidente dos EUA]".

 

Lafayette, militar francês que participou da Guerra da Independência dos EUA, teve papel central também na Revolução Francesa de 1789. "Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha. Neste caso, o Prêmio Nobel", afirmou María Corina.

 

Trump diz que resolveu oito conflitos ao redor do mundo desde que assumiu o cargo, incluindo guerras marcadas por décadas de massacres, caso do conflito entre Camboja e Tailândia. Por esse motivo, manifestava abertamente o desejo de receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, distinção que acabou sendo concedida à venezuelana.

 

A líder opositora foi impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 por decisão da Suprema Corte da Venezuela, controlada pelo regime. Naquele pleito, Maduro foi declarado vencedor sob diversas acusações de fraude. Observadores internacionais consideram que Edmundo González, candidato da oposição, foi o mais votado.

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