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23.03.2026 | 15h20 Tamanho do texto A- A+

MPE aponta coliformes fecais em água e aciona Prefeitura de VG

Estudo apontou amostras fora do padrão de potabilidade, contaminação fecal e risco elevado à saúde

Reprodução/Vicente Souza

O promotor de Justiça Carlos Henrique Richter, titular da 6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande

O promotor de Justiça Carlos Henrique Richter, titular da 6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande

DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual acionou a Justiça contra o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE) e a Prefeitura da cidade após análises encontrarem coliformes fecais e outras irregularidades no sistema de abastecimento de água.

 

ação civil pública de obrigação de fazer, com pedido de liminar, foi proposta pelo promotor de Justiça Carlos Henrique Richter, titular da 6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande, após a apuração de falhas estruturais e operacionais que se arrastam há anos sem solução efetiva.

 

As investigações tiveram origem em inquéritos civis e revelaram um cenário preocupante de fornecimento irregular e má qualidade da água distribuída tanto pela rede tradicional quanto por meio de caminhões-pipa.

 

Relatórios técnicos da Vigilância Sanitária e do Centro de Apoio Operacional do Ministério Público apontaram que o sistema de abastecimento de Várzea Grande opera em desacordo com a Portaria de Potabilidade do Ministério da Saúde, com falhas no tratamento, na distribuição e no controle da qualidade da água.

 

Entre os dados que chamam atenção, constam resultados de análises laboratoriais que identificaram amostras fora do padrão de potabilidade, inclusive com a presença de contaminação fecal e de risco elevado à saúde pública.

 

Em 2022, das poucas amostras analisadas, 17,31% estavam fora do padrão, sendo que quase um quarto apresentava contaminação fecal. Em 2023, mais de 15% das amostras analisadas estavam irregulares, com registros reiterados de contaminação.

 

Os relatórios também evidenciaram que o Município deixou de realizar o número mínimo de análises exigidas por lei, comprometendo a vigilância sanitária e impedindo a avaliação adequada da potabilidade da água fornecida aos moradores.

 

As inspeções técnicas ainda identificaram estruturas de tratamento antigas, sistemas operando acima da capacidade projetada, reservatórios sem manutenção adequada, ausência de programa de manutenção preventiva e corretiva, deficiência de equipamentos e fragilidade administrativa, inclusive quanto à inexistência de responsáveis técnicos habilitados para operar os sistemas e controlar a qualidade da água.

 

No caso do abastecimento por caminhões-pipa, foi constatado que nenhum dos veículos vistoriados atendia integralmente às exigências sanitárias, além de o DAE/VG não manter contrato com laboratório analítico habilitado para aferir a qualidade da água distribuída por esse meio.

 

Segundo o Ministério Público, apesar de reiteradas tentativas de solução extrajudicial, como reuniões, notificações e requisições de plano de ação, o DAE/VG e o Município permaneceram inertes, sem adotar providências eficazes para corrigir as irregularidades.

 

Na ação, o promotor de Justiça ressalta que o serviço de abastecimento atende cerca de 96% da população de Várzea Grande, o que amplia o impacto social das falhas identificadas e reforça a urgência de intervenção judicial.

 

Diante da situação, o promotor de Justiça Carlos Henrique requeu a concessão de liminar para obrigar o DAE e a Prefeitura a implementar imediatamente o plano mínimo de amostragem, realizar de forma contínua as análises de controle da potabilidade da água, contratar laboratório acreditado para monitoramento dos sistemas, corrigir as irregularidades técnicas apontadas nos relatórios oficiais e apresentar relatórios mensais ao Judiciário pelo prazo de 24 meses.

 

Também foi solicitado o pagamento de multa diária em caso de descumprimento e a condenação por dano moral coletivo, diante da exposição prolongada da população a um serviço público essencial prestado de forma precária e insegura.

 

Outro lado

 

A reportagem procurou a Prefeitura de Várzea Grande, que disse por meio de nota que enfrenta desafios históricos no abastecimento de água, "resultado de décadas de ausência de planejamento, investimentos insuficientes e crescimento urbano desordenado". 

 

"Sobre os apontamentos relacionados à qualidade da água, o DAE-VG esclarece que realiza monitoramento contínuo, conforme os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, com coletas periódicas e análises laboratoriais. Eventuais não conformidades são tratadas de forma imediata, com ações corretivas para garantir a segurança da população. A autarquia reforça que mantém compromisso permanente com a transparência e a melhoria dos processos de controle de qualidade", disse em nota.

 

"No que se refere à regularidade no abastecimento, a gestão municipal já colocou em prática o maior plano de investimentos da história do sistema de água e esgoto de Várzea Grande, com previsão superior a R$ 41 milhões em obras e ações estruturantes. São dez frentes de trabalho em andamento e planejamento, voltadas à ampliação da captação, produção e distribuição de água", acrescentou.

 

"A Prefeitura de Várzea Grande e o DAE-VG reiteram que não se furtam ao diálogo com os órgãos de controle e reafirmam seu compromisso em cumprir todas as determinações legais, bem como em adotar as medidas necessárias para assegurar água de qualidade e regularidade no abastecimento para todos os várzea-grandenses", completou.

 

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