Cuiabá, Quarta-Feira, 25 de Fevereiro de 2026
PENDURICALHOS; VEJA GRÁFICO
25.02.2026 | 10h00 Tamanho do texto A- A+

MPE pagou R$ 15,3 mi extras a procuradores e promotores, diz estudo

Valores engordam supersalários e em MT houve repasse de extras já extintos, como auxílio-moradia

Victor Ostetti/MidiaNews

Fachada do Ministério Público de Mato Grosso, que pagou penduricalhos a seus membros

Fachada do Ministério Público de Mato Grosso, que pagou penduricalhos a seus membros

JONAS DA SILVA
DA REDAÇÃO

O Ministério Público Estadual (MPE-MT) pagou R$ 15,3 milhões retroativos na forma de penduricalhos a procuradores e promotores entre 2023 e 2024, segundo um levantamento das organizações Transparência Brasil e República.Org.

Nos MPs da Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Norte, os retroativos garantem até mesmo a sobrevida de penduricalhos extintos

 

Os valores referem-se aos chamados penduricalhos ou extras, como férias não tiradas, adicionais de tempo de carreira, indenizações por folgas e acúmulo de serviço, que a direção dos Ministérios Públicos entendem que devem ser pagos. Em Mato Grosso, o órgão é chefiado pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca da Costa.

 

As organizações apontam pagamento de extras já extintos por lei, como o auxílio-moradia, no caso do MPE de Mato Grosso. O mesmo ocorre na Bahia e Rio Grande do Norte.

 

“Nos MPs da Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Norte, os retroativos garantem até mesmo a sobrevida de penduricalhos extintos, como é o caso do auxílio-moradia: apesar de extinto em 2018, resultou em R$ 33,9 milhões distribuídos a 323 promotores e procuradores desses órgãos”, consta em trecho do documento.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta quarta-feira (25) se mantém ou não a suspensão do pagamento dos penduricalhos acima do valor definido na Constituição ao funcionalismo público, de R$ 46,3 mil mensais.

 

O ministro Flávio Dino determinou a suspensão dos valores de penduricalhos no âmbito dos três Poderes acima do teto constitucional no dia 5 de fevereiro.

 

Descontrole e supersalários

 

O estudo descreve ainda o descontrole desses retroativos ou penduricalhos. O valor contribuiu para os supersalários dos membros do MPE, que não devem ser acima do teto constitucional.

 

“Proporcionalmente, o volume de retroativos pagos pelos MPs estaduais é superior aos MPs da União, indicando um maior descontrole nos Estados”, afirmaram as organizações do estudo.

 

A Transparência Brasil e República.Org defendem maior rigor nesses supersalários do Judiciário e do Ministério Público.

 

“O efetivo combate aos supersalários no funcionalismo público passa, necessariamente, pelo controle dos pagamentos de retroativos, especialmente no Judiciário e Ministério Público”, dizem.

 

“É imprescindível barrar todo e qualquer pagamento validado somente pela via administrativa, especialmente os já instituídos e não pagos ou em processo inicial de pagamento”, acrescentam.

 

Em todo o Brasil, o estudo mostra que foram pagos R$ 2,9 bilhões a 27 dos 30 órgãos dos MPs Estaduais e da União, como o Ministério Público Federal (MPF). Os órgãos que mais pagaram aos seus membros foram do Rio de Janeiro e do Paraná.

 

Dentro da lei

 

Ao MidiaNews, o MPE disse que segue a lei sobre remumeração dos seus membros. E que fará a adequação necessária quando a justiça determinar. 

 

"O Ministério Público segue as normas vigentes relativas às suas remunerações e estará atento às decisões que indiquem a necessidade de adequações", descreveu a assessoria.

 

Veja gráfico do pagamento de penduricalhos dos MPS:

 

Infográfico sobre pagamento de retroativos ao MP

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