Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
AVANÇO CIENTÍFICO
09.04.2025 | 16h19 Tamanho do texto A- A+

Pesquisadores em MT desenvolvem novo detector de anticorpos contra vírus

Estudos estimam que aproximadamente 500 espécies de arbovírus identificados no mundo, cerca de 200 já tenham sido encontrados na Amazônia, dessas pelo menos, 40 podem causar doenças em humanos.

Arquivo/Pesquisadora

Clonagem e expressão da proteína NS1

Clonagem e expressão da proteína NS1

DA REDAÇÃO

Pesquisadores de Mato Grosso estão desenvolvendo um ensaio imunoenzimático (ELISA), para a detecção de anticorpos contra o vírus da encefalite de "Saint Louis" (SLEV), uma doença ainda pouco diagnosticada no Brasil, mas que apresenta potencial de impacto significativo na saúde pública.

 

O arbovirus é transmitido por mosquitos do gênero Culex e pode atingir o sistema nervoso central, causando inflamação no cérebro. Os principais sintomas são a febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, estupor, desorientação, coma, tremores, convulsões ocasionais e paralisia espástica.

 

Estudos estimam que aproximadamente 500 espécies de arbovírus identificados no mundo, cerca de 200 já tenham sido encontrados no bioma Amazônia e desses, pelo menos 40 podem causar doenças em humanos.

 

Nesse cenário, uma pesquisa desenvolvida no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (LIBM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop/MT, está desenvolvendo um método inovador para melhorar a detecção de SLEV no Sistema Ùnico de Saúde (SUS). 

 

O projeto é  coordenado  pela doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade Ana Lucia Scarpin Ramos, e fomentada pela Governo do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), dentro do Edital nº 004/2023-Doutorado com Produto Tecnológico.

 

A metodologia envolve a clonagem e expressão da proteína NS1 recombinante do vírus, utilizado como antígeno em testes de ELISA para detecção de anticorpos IgG e IgM. O processo segue rigorosos protocolos.

 

O RNA viral é extraído, amplificado por RT-PCR, e a proteína NS1 é clonada e expressa em células de Escherichia coli. Após a purificação, a proteína recombinante é empregada em testes laboratoriais para determinar sua eficácia na detecção de infecções por SLEV.

 

“Esses processos serão posteriormente validados com amostras humanas previamente processadas, garantindo alta sensibilidade e especifidade. Os resultados esperados desse estudo vão além do laboratório. Um teste diagnóstico eficaz e acessível, como o proposto, pode transformar a forma como as arboviroses são monitoradas e tratadas no Brasil”, afirmou a pesquisadora.

 

A equipe de pesquisadores do Laboratório de Imunologia realizam há mais de dez anos a vigilância humana e ambiental no município de Sinop e região.

 

“Realizamos testes com amostras coletadas da população nos laboratórios municipais e parceiros, onde conseguimos monitorar o tipo de arbovirose em circulação,  aumentando o controle e um melhor atendimento clínico a população, porque os sintomas das arboviroses  são semelhantes”, afirmou Ana Scarpim

 

O teste de ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), é uma técnica de imunoensaio que detecta e quantifica antígenos ou anticorpos usando uma enzima ligada a um anticorpo. Quando essa enzima entra em contato com um substrato específico, ocorre uma reação colorida que pode ser medida, geralmente usa-se um leitor de microplacas.

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