"Enquanto o povo não cobrar, não participar ativamente das sessões e pressionar por resultados, muitos que estão na Câmara vão deitar e rolar. Meu compromisso não é com vereador A ou B, e sim exclusivamente com a população cuiabana". Foi o que afirmou o vereador Everton Pop (PP), ao analisar a postura do seus colegas que, na quinta-feira (21), barraram proposta de investigação do ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Lutero Ponce (PMDB), acusado de desviar R$ 3 mil dos cofres públicos, no último ano de sua gestão, em 2008.
O progressista saiu em defesa da criação da Comissão Processante para investigar o peemedebista. Pop criticou o posicionamento de alguns vereadores, inclusive, dos que pregam a ética e transparência, mas foram contra a comissão de investigação.
Pop disse que respeita a opinião dos seus pares que acreditam que o caso deva ser investigado por outros órgãos, como a Delegacia Fazendária, Tribunal de Contas e Ministério Público. No entanto, destacou que cada parlamentar deve ter uma posição e defende-la até o fim.
"Fui eleito pela primeira vez, e não quero decepcionar ninguém. Há vereadores que, conversa entre as quatro paredes, têm um posicionamento político e na, na Imprensa, defendem outro, deixando de lado as questões ideológicas e partidárias. Não estou aqui para desrespeitar ninguém, mas no Legislativo há uma pressão invisível", afirmou.
O vereador Toninho de Souza (PDT) também defendeu que Lutero deveria ser investigado pela Câmara. Segundo ele, o Legislativo não pode ser omisso nesse tipo de questão. "Como vamos cobrar dos outros órgãos, se não fazemos nem o dever de casa? Não fico em cima do muro, marco posição, pois não preciso nem de Lutero e nem de Ralf, para ser o vereador Toninho de Souza", observou.
Vuolo
O vereador Francisco Vuolo (PR), que votou contra a instalação da Comissão Processante, disse que não é homem de duas palavras. Sustentou, ainda, que defende a legalidade do processo e que o caso de Lutero Ponce deve ser analisado, primeiramente, por órgãos julgadores e, depois, tratado no âmbito da Câmara Municipal.
O parlamentar defendeu que haja investigação, uma vez que há indícios de que os cofres públicos foram lesados, mas, segundo ele, o Legislativo Municipal não tem condição técnica para fazer tal apontamento. Disse ainda que essas brigas internas "levam a imagem da Câmara para o buraco".
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