A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza, criticou o projeto de lei do deputado estadual Wilson Santos (PSD) que transferiu o território onde ficará localizado o novo Hospital Júlio Muller, de Cuiabá para Santo Antônio do Leverger.

Com a justificativa de que a mudança seria apenas o Morro de Santo Antônio, o projeto foi aprovado pelos deputados estaduais e já está em vigor. Entretanto, as novas linhas divisórias também colocam o local que o hospital está sendo construído, na MT-040, entre os territórios que foram transferidos para a cidade vizinha.
Com isso, o município que tem orçamento de pouco mais de R$ 100 milhões, teria que ajudar na administração da unidade, que se estima consumir quase R$ 300 milhões anualmente.
Além disso, todos os alvarás foram emitidos até o momento por Cuiabá, que também é responsável pelos serviços de abastecimento e coleta de resíduos do local. Com a mudança, tudo isso passaria para Santo Antônio.
As mudanças preocupam a reitora, que afirmou que a Universidade, que administrará a unidade, não foi consultada pelo deputado.
“Foi uma surpresa desagradável, a UFMT não foi convidada para participar ou opinar a respeito dessa nova definição. Assim que fomos procurados fizemos uma avaliação técnica e o hospital dificilmente funcionará dentro de um município que tem R$ 113 milhões de orçamento anual”, disse ela em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real.
“Nós precisamos de uma estrutura robusta, para oferecer recursos, abastecimento de água, de transporte, manutenção nas vias e sistema de contratualização seguro para o SUS. Vamos atender 20 mil pessoas. Ter um hospital desse porte ligado a um município pequeno pode nos trazer riscos importantes”, acrescentou.
A reitora também reclamou da burocracia que a troca pode gerar. O hospital está na fase final de obras e tem previsão para começar a operar até o final do ano.
“Todos os recursos até então demandados durante a construção, como registros e certidões negativas foram emitidas por Cuiabá. Fazer essa mudança a essa altura do campeonato nos trará muitas dificuldades”, reclamou.
“Amamos Santo Antônio, mas o município precisa entender: Ele tem água suficiente para abastecer a necessidade diária do hospital? Sua capacidade orçamentária vai dar conta de garantir infraestrutura e serviços para um hospital que atende média de 20 mil pacientes por dia? É a resposta que queremos ter”, encerrou.
Polêmica
Em fevereiro o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também criticou a transferência e disse que Wilson induziu os deputados ao erro ao apresentar o projeto focando no Morro. Ele se reuniu com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (PSB), para discutir a revogação da lei.
O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, também disse ser contrário à transferência e chamou a mudança de “sem lógica”.
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1 Comentário(s).
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| Luciano 03.03.26 08h03 | ||||
| Isso demonstra que nossos deputados votam sem ler os projetos | ||||
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