Cuiabá, Sexta-Feira, 6 de Fevereiro de 2026
SALÁRIO DOS SERVIDORES
13.01.2016 | 17h58 Tamanho do texto A- A+

Sindicalistas classificam mudança na data como "retrocesso"

Reunião entre classe e Governo foi reagendada para terça-feira (19)

GCom

Reunião de sindicalistas com representantes do governo do Estado

Reunião de sindicalistas com representantes do governo do Estado

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

A alteração na data de pagamento dos salários dos servidores públicos estaduais está gerando revolta entre integrantes do Fórum Sindical. Nesta quarta-feira, líderes sindicais voltaram a mostrar descontentamento com a mudança proposta pelo governador Pedro Taques (PSDB). O adiamento de uma reunião que deveria ocorrer nesta quarta-feira (13) acirrou os ânimos da categoria.

 

A proposição é alterar o pagamento dos servidores, que atualmente acontece no último dia do mês, para uma data entre 5 e 10 do mês subsequente ao trabalhado.

 

Segundo Taques, a alteração no pagamento ocorrerá somente após consenso com o Fórum Sindical.

 

De acordo com o governador, as medidas são necessárias para enfrentar a crise econômica.

 

Segundo ele, o Estado tem uma folha salarial de R$ 610 milhões por mês, e a maior parte de arrecadação do ICMS cai na conta do Estado entre os dias 5 e 10.

 

A nova forma de pagamento, porém, gerou revolta entre líderes sindicais, que agendaram uma reunião para esta quarta-feira (13) com representantes do Governo. O encontro, porém, foi adiado para terça-feira (19).

 

Essa alteração é uma penalização aplicada ao trabalhador, pois o Fórum Sindical conseguiu, há dez anos, alterar a data de pagamento para o final de todo mês

Conforme comunicado do Governo, a alteração na data do encontro com o Fórum Sindical aconteceu a pedido do secretário de Fazenda do Estado, Paulo Brustolin.

 

Durante a reunião reagendada, os sindicatos receberão informações oficiais sobre dados referentes à situação econômica e financeira do Estado.

 

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma), Oscarlino Alves, contou que as alterações na data de pagamento irão prejudicar os servidores.

 

“Essa alteração é uma penalização aplicada ao trabalhador, pois o Fórum Sindical conseguiu, há dez anos, alterar a data de pagamento para o final de todo mês. Muitos servidores vão ter prejuízo”, disse.

 

Ele afirmou que a medida, caso passe a ser adotada no Estado, representará um atraso para os trabalhadores, que deverão demorar para se habituar ao novo período de pagamento.

 

“Toda essa situação é um grande retrocesso, porque os servidores têm um calendário de pagamento e fazem seus planejamentos a partir disso. Isso pode deixar muita gente sem dinheiro”, explicou.

 

Entre outros itens que devem ser alterados na remuneração do servidor público está o 13º salário, que é pago no mês de aniversário do trabalhador. Na proposta de Taques, o pagamento passaria a ser feito nos dois últimos meses do ano.

 

A reposição inflacionária salarial (Revisão Geral Anual) também foi alvo de alterações planejadas pelo governador.

 

Para ele, a indexação no salário dos servidores alimenta a “cultura inflacionária”.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Pedro Taques

Governador Pedro Taques também propôs alterações no RGA e no pagamento do 13º

O presidente do Sisma entende que não realizar o reajuste também é um retrocesso. Ele explicou que não há posicionamento do Governo sobre a revisão.

 

“O RGA deveria ser de 11,27% neste ano, em maio. Mas o governador disse que não iria fazer a revisão porque o Estado não tem dinheiro. E não apresentou nenhuma nova proposta”, declarou.

 

Sindicalistas não aprovam alteração

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Técnicos da Educação Superior da Unemat, Luiz Wanderlei dos Santos, que está representando o Fórum Sindical na discussão, mesmo com a reunião com o secretário de Fazenda, é provável que os sindicatos continuem contrários às alterações.

 

 “Os sindicalistas entendem que não é necessário fazer alteração porque é possível, sim, que o governo mantenha o pagamento conforme está atualmente”, pontuou.

 

O presidente do Sinterp-MT, sindicato que reúne os servidores da Empaer, Gilmar Brunetto, revelou que não concorda que a mudança seja feita “repentinamente”. Porém, ele disse que a medida está dentro da Lei.

 

“O Sinterp-MT tem um acordo coletivo de trabalho que permite que o pagamento seja feito até o quinto dia útil do mês. Mas, de qualquer forma, essa alteração repentina seria prejudicial”, contou.

 

Para Brunetto, o governador deve esperar algum tempo para que possa implantar as novas medidas referentes aos salários dos servidores.

 

“Ele deveria dar um prazo para que o trabalhador seja informado sobre essa mudança e passe a se adaptar a esse novo dia de pagamento. Acredito que três meses seria um bom período para efetivar essas mudanças, pois as pessoas já teriam se preparado”, argumentou.

 

Mobilização

 

Depois da reunião com o secretário de fazenda, na terça-feira (19), os servidores terão um prazo de cinco dias úteis para debater sobre os documentos apresentados à classe.

 

A assembleia do Fórum Sindical foi agendada para o dia 25 de janeiro, às 14h, na Praça das Bandeiras, em Cuiabá.

 

Os servidores irão discutir as alegações do governo e quais medidas deverão ser adotadas pela classe, caso o governador mantenha a alteração nas datas de pagamento.

 

No dia seguinte, em 26 de janeiro, deverá haver uma nova reunião entre o governo e os sindicalistas, que apresentarão o que foi debatido durante a reunião da categoria.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Pedro Taques fala em pagar salário até o quinto dia útil

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5 Comentário(s).

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André  14.01.16 09h01
Muda a data de pagamento dos contratos para a segunda quinzena, e mantém a folha salarial do jeito que está, assim mantém o fluxo no comércio de forma contínua.
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ROBSON  14.01.16 08h54
Não estou sentindo firmeza nos sindicatos, já está havendo muito conversa, e isso preocupante, os servidores não devem aceitar de maneira alguma essas mudanças.
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Gimenes Alcaraz  14.01.16 07h51
Toda vez que voce necessitar do atendimento de um servidor publico,voce vai poder avaliar realmente o que eles merecem, e o que pedem para a sociedade pagar.
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Simone  14.01.16 07h33
Estamos vivendo um retrocesso na economia. Não é justo a população inteira sofrer as consequências de um desgoverno. Mas agora que tudo está acontecendo, precisamos ter jogo de cintura... assim todos podemos passar por isso com o menor efeito colateral possível.
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salustiano soares  13.01.16 21h35
Toda e qualquer mudança que traga prejuízo ao servidor é um retrocesso que não se deve admitir. Os impostos federais,estaduais e municipais estão sendo majorados constantemente bem como os elementos que constituem a cesta básica e outros bens de consumo.O servidor a cada dia já tem seu poder de compra reduzido e o que menos precisam é de medidas que venham agravar sua situação.Senhor Governador e senhor Prefeito existem outros caminhos que não seja o sacrifício daqueles que os ajudam a governar.
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