O vereador Dilemário Alencar (União), relator da segunda CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da CS Mobi, afirmou que os trabalhos da nova investigação têm o objetivo de trazer, no mínimo, uma repactuação do contrato atual entre a empresa e a Prefeitura de Cuiabá, senão a ruptura total.

A empresa administra o estacionamento rotativo na região central da cidade e realiza a construção do novo mercado municipal Miguel Sutil, localizado na Avenida Generoso Ponce, que será administrado pela empresa pelo período de 30 anos.
Segundo o parlamentar, atualmente o arranjo não traz vantagens para o município de Cuiabá.
“Nessa nova CPI nós vamos cobrar firme do prefeito Abilio que, caso não consiga suspender esse contrato, que busque então renegociar. Não é possível, tem que ter alguma espécie de vantagem para o município de Cuiabá”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.
O prefeito Abilio Brunini (PL) é um dos grandes críticos do contrato e já se manifestou publicamente a favor do rompimento. Entretanto, a multa por uma rescisão é de mais de R$ 100 milhões.
O vereador também criticou a qualidade dos serviços prestados pela empresa.
“Qual o trabalho que eles estão fazendo? Vai lá em frente ao restaurante popular e você verá as rachaduras que estão nas calçadas que eles acabaram de fazer. Vários permissionários do antigo mercado que pagavam por volta de R$ 1.200 por mês e agora a CS Mobi quer cobrar R$ 20 mil de aluguel. Um abuso, um absurdo, vai até descaracterizar a cultura cuiabana”, afirmou.
Em 2025 a Câmara realizou uma CPI para investigar o contrato da Prefeitura com a empresa e no relatório final recomendou o indiciamento do ex-prefeito Emanuel Pinheiro e de alguns de seus ex-secretários.
No fim do ano, o vereador Tenente Coronel Dias (Cidadania) apresentou a segunda CPI, esta com foco no processo de licitação. A investigação está em andamento e pode ser prorrogada por mais 120 dias.
“Mega-negócio” da ex-gestão
Dilemário criticou o que chamou de “mega-negócio” deixado pela gestão anterior para a empresa, que segundo ele, é a única a ter vantagem. Segundo ele, há inúmeras desvantagens para o município, como a empresa receber um repasse mensal de R$ 5 milhões da Prefeitura.

“O que eu deixei muito claro no relatório da primeira CPI da CS Mobi é que esse contrato feito na gestão anterior é totalmente desvantajoso para o município de Cuiabá. Como pode? Estão fazendo um mercado municipal que estão transformando um shopping center, mas com o dinheiro da prefeitura”, disse.
“A prefeitura todo mês é obrigada a passar por volta de R$ 5 milhões para essa empresa. Aí ela constrói o mercado municipal e vai ficar explorando todos os bens desse mercado por 30 anos e ainda explora o estacionamento rotativo”.
“Foi um mega negócio que a ex-gestão deixou para essa empresa. Então, o que nós apontamos foi essa desvantajosidade”.
Segundo Dilemário, atualmente o foco das investigações está em levantar dados junto à agência Cuiabá Regula e outros órgãos, como a Procuradoria Geral do Município, antes de iniciar os processos de oitiva.
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