Cuiabá, Segunda-Feira, 13 de Abril de 2026
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13.04.2026 | 14h00 Tamanho do texto A- A+

Carlinhos Brown diz que Anitta faz “um candomblé moderno”

Em entrevista ao POPline, Carlinhos Brown relaciona pop e espiritualidade ao falar de Anitta e amplia reflexão apresentada em sua nova série documental na HBO Max

Reprodução/Instagram

Ilustração

BRUNA CORA
DO PORTAL POPLINE

A estreia da série “Carlinhos Brown em Meia Lua Inteira”, que chega no dia 14 de abril à HBO Max, traz uma série de reflexões profundas sobre música, cultura e identidade brasileira. Entre elas, uma chama atenção por abordar diretamente o impacto de Anitta sob uma perspectiva pouco convencional. Durante entrevista ao POPline, Carlinhos Brown comentou sobre o papel da percussão na música contemporânea e citou a cantora como exemplo ao construir uma analogia.

 

“Uma vez eu falei numa entrevista, Anitta faz hoje um candomblé moderno, um terreiro eletrônico e não foi uma percepção inteligente, não, era por causa da rítmica, e olha o que Anitta faz hoje explicitamente.”

 

A percussão como ponto de partida

Antes de chegar à comparação com Anitta, Carlinhos Brown constrói uma visão ampla sobre a música brasileira. Para ele, a percussão ocupa um lugar central nessa história, muitas vezes subestimado.

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“Eu sempre fui muito tímido com isso, sobretudo em relação às ações sociais [sobre a ideia de ter um documentário próprio]. Mas vi que faz-se importante, com um efeito até educacional para o país, de que figuras como a mim, ou figuras de percussionistas brasileiros, que, por sua vez, deixam claro e afirmam também que existe a música brasileira, mas existe a percussão brasileira e existem seus líderes. E, muitas vezes, esse artista coadjuvante termina inserindo nas canções, em comportamentos, a brasilidade, assim, porque é uma forma imediata de identificar a brasilidade.”

 

Segundo Brown, o percussionista vai além do papel de acompanhamento e atua como um verdadeiro guardião cultural. “Ele é um personagem generoso, alguém que afirma ancestralidade nas bandas, nas batidas”. Essa base rítmica, de acordo com Brown, é o que permite ao Brasil criar uma identidade única. “O Brasil não toca só a música da África. Ele mistura, cria outras formações rítmicas e entrega isso para o mundo inteiro.”

 

Do ancestral aos dias atuais

É a partir dessa construção que a fala sobre Anitta ganha sentido. Ao observar o pop contemporâneo, Carlinhos Brown identifica a permanência desses elementos ancestrais, ainda que em novas formas. Para ele, a música atual, mesmo quando inserida no mercado global, continua carregando estruturas que nascem da percussão e da coletividade. Ele vai além:

 

“Olha o que nós fazemos, olha o que as igrejas estão fazendo, as igrejastodas são rítmicas, então é a percussão que extingue qualquer preconceito de que Deus não pertence a nenhum dos lados, ela vai e diz que Deus está aqui também, porque Deus está nos batuques, Deus é sísmico, é a trovoada, é o rompo do mar, é o sibilar das selvas, então Deus é o som, Deus é a percussão, então o que muitas vezes a política religiosanão faz alcançar. Deus, a percussão, une e diz que é assim que a banda humana da paztoca”, finaliza. 

 

“Carlinhos Brown em Meia Lua Inteira”

Composta por quatro episódios de 60 minutos, a produção terá o lançamento de um novo capítulo toda terça-feira, às 21h, no canal e na HBO Max. Produzida pela Giros Filmes, com coprodução de Candyall Music, a série mergulha na vida e na obra de Carlinhos Brown, cuja carreira ajudou a tornar a cultura da Bahia um fenômeno global e a transformar a comunidade onde cresceu.

 

Ao longo dos episódios, “Carlinhos Brown em Meia Lua Inteira” investiga as origens do músico, educador e empreendedor social no Candeal, em Salvador, e sua profunda conexão com a ancestralidade afro-brasileira que moldou sua identidade artística. A série documental reúne ainda depoimentos de grandes nomes da música e cultura brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Arnaldo Antunes, Bell Marques, Luiz Caldas, Lan Lanh, Márcio Victor, Sarajane, Marieta Severo e Deborah Colker, que ajudam a construir um retrato afetivo e multifacetado de Brown.

 




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