Cuiabá, Terça-Feira, 14 de Abril de 2026
PRAÇA DA MANDIOCA
21.06.2015 | 08h10 Tamanho do texto A- A+

Da elite colonial a reduto cultural, largo vira referência turística

Ponto histórico em Cuiabá volta a ser palco de integração social, reduto de intelectuais e espaço familiar

Bruno Cidade/MidiaNews

Um dos primeiros locais da ocupação imobiliária de Cuiabá, a Praça da Mandioca volta aos tempos áureos

Um dos primeiros locais da ocupação imobiliária de Cuiabá, a Praça da Mandioca volta aos tempos áureos

MAYLA MIRANDA
DA REDAÇÃO
No Centro Histórico de Cuiabá, é muito difícil alguém admitir que sabe onde fica a Praça Conde de Azambuja. Ou o Largo do Sebo, a Praça Real... Muito menos, o Caminho das Trepadeiras.

Quando se fala, no entanto, na Praça da Mandioca, a opinião é unânime: trata-se de um dos locais mais charmosos dessa área nobre da capital mato-grossense, referência turística e um dos principais points noturnos da cuiabania.

Datada do inicio do Século XVIII, a região da praça foi uma das primeiras ocupações imobiliárias da cidade.

Localizada em um importante ponto da Capital - na confluência das ruas do Meio (Ricardo Franco) e de Cima (Pedro Celestino) -, nos primórdios da história, a praça tinha localização considerada estratégica por se situar próximo dos pontos de retirada de ouro, no Córrego da Prainha (a atual Avenida Tenente-Coronel Duarte).

O nome de Praça Real advém da localização de um imóvel construído em 1726 e que foi residência em Cuiabá dos primeiros governadores do período colonial.

Entre os ilustres hospedes da residência dos coronéis está o militar administrador colonial português Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

Bruno Cidade/MidiaNews

Historiadora Neila Barreto: o lugar tem muitos vestígios de nossa história e, como tal, deve ser preservado

De acordo com a historiadora Neila Barreto, o militar foi o quarto governador capitão-general da Capitania de Mato Grosso.

Ele veio a Cuiabá por terra com a sua tropa, direto do Rio de Janeiro, andando cerca de 600 léguas. Usou a Praça da Mandioca como ponto de descanso para seguir viagem à Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital de Mato Grosso, cerca de 500 km adiante.

Entre seus importantes feitos, está a fundação da cidade de Cáceres (225 km a Oeste da Capital).

Com Antônio de Moura Rolim Tavares, o capitão-general nomearam a praça de Conde de Azambuja. O nome foi uma homenagem ao primeiro capitão-general de Mato Grosso, Dom Rolim de Moura Tavares, que, depois de cumprir sua árdua missão por mais de quinze anos, na Capitania de Mato Grosso, foi nomeado 2º Vice-Rei do Brasil.

“Era nesta praça que a elite da época se encontrava. Este era um ponto de efervescência. As mulheres, com seus lindos vestidos longos, andavam pelas ruas de terra da praça. As festas religiosas e profanas eram todas realizadas no local e duravam quase uma semana”, disse Neila Barreto.

Sobre o nome Largo do Sebo, a historiadora revelou que a denominação não tinha um motivo tão nobre assim.

“Na época, matavam-se os animais, tiravam a pele e a estendiam no local. O cheiro era forte e, de longe, se sentia o odor. As pessoas costumavam comentar sobre o "cheiro de sebo". Este fato aconteceu por volta de 1730, permanecendo até 1800”, revelou.

"Era nesta praça que a elite da época se encontrava, este era um ponto de efervescência. As mulheres, com seus lindos vestidos longos, andavam pelas ruas de terra da praça. As festas religiosas e profanas eram todas realizadas no local e duravam quase uma semana"

Já sobre a denominação de Praça da Mandioca, ela contou que a alteração do nome aconteceu um pouco mais tarde.

“Devido à concentração de muitos nobres na região, os comerciantes se concentravam no local para vender os produtos trazidos diretamente de fazendas. Posteriormente, foi mantida uma espécie de feira livre e, desde então, ficou popularmente conhecida como Praça da Mandioca”, disse.

Sobre o estilo das construções históricas da praça, a historiadora disse que a casas eram feitas visando a dar segurança.

“Essas casas eram feitas de barro com capim cortado, todas geminadas, para impedir os ataques dos índio paiaguás e também a invasão de animais silvestres. A fachada é rebaixada, com o pé direito baixo, também para não ter problemas de invasões”, explicou.

Hoje, na esquina da Praça com a Rua Pedro Celestino, o antigo Palácio dos Capitães Generais é uma residência, em cujos fundos funciona um bar improvisado.

Para se chegar à Praça da Mandioca é só seguir a Rua Pedro Celestino - antiga Rua das Trepadeiras ou Rua de Cima para os antigos cuiabanos -, passando em frente à Prefeitura de Cuiabá, na Praça Alencastro.

“Sem dúvida, o lugar tem muitos vestígios de nossa história e, com tal, deve ser preservado e dinamizado para servir de memória, de identidade para os cuiabanos. Sua natureza de ocupação é festiva”, observou Neila Barreto.

A historiadora ainda lembrou que a praça, hoje encravada no bairro Araés, no ponto central da Capital, se transformou em um ponto de efervescência cultural. São partes do calendário, por exemplo, o já tradicional Carnaval de Rua e as festas juninas.

“Esse é o Pelourinho de Cuiabá. Passar pela praça é passear por um lugar importante da historia da Capital. É só fechar os olhos e viajar no tempo” completou.

Boemia nos tempos de hoje


Nos "tempos modernos", a Praça da Mandioca se tornou um dos locais preferidos dos amantes da vida noturna.

O movimento em bares e restaurantes tem sido intenso e frenético, praticamente todos os dias, principalmente a partir das quartas-feiras.

Em um pequeno trecho, são pelo menos 10 estabelecimentos.

Bruno Cidade/MidiaNews

Para o dono de bar Luiz Carlos Dorileo, há espaço para todos na Praça da Mandioca



Mas essa ocupação econômica é uma novidade. O proprietário do segundo bar mais antigo da praça (na atualidade), e que também funciona como restaurante durante o dia, Luiz Carlos Dorileo, conta que está na praça há quase sete anos.

“Quando eu abri este bar, tinha apenas o outro da frente da praça e um restaurante, que abria somente durante o dia. Com a procura do público, e eu diria até de uma carência das pessoas por um espaço de lazer, aqui começou a lotar e a atrair a atenção de outros investidores”, comentou.

Ele lembrou que, no inicio, não foi muito fácil se estabelecer, principalmente pela concorrência.

“Me lembro que, quando abri, escutava que aqui só tinha espaço para um bar, mas hoje vemos que não é bem assim: temos espaço para todos”, ressaltou.

Dorileo ainda afirmou que o seu estabelecimento tem se tornado um dos points preferidos pelos “gringos” (turistas) que visitam a cidade.

O “Dom Luiz” tem como principal atrativo, segundo ele, a música ao vivo. “É só música boa. Do MPB, samba de raiz, bolero ao rasqueado”, comentou.

Três restaurantes também marcam presença na região da praça e são tocados pelos comerciantes Marcos Araújo - que é um dos principais organizadores do Carnaval da Mandioca e de outros eventos que marcam a praça -, Paulo César Passos e Adriano Araújo. Além do "Bar da Marri" e de uma sorveteria.

A Pizzaria "Peça Bis", dos comerciantes Guilherme Mendes Pecheco e Cristiane Mendes Pacheco, funciona há quatro anos no largo e é uma das opções gastronômicas da região.

Durante o Carnaval, a Prefeitura emite licenças para a exploração do comércio ambulante no local, mediante o controle da Associação dos Empresários e Moradores da Praça da Mandioca.

O proprietário do Bar Azambuja, Mario César de Carvalho - conhecido como o eterno Rei Momo de Cuiabá -, o primeiro na região, a lotação da praça se deve à retomada de uma parte muito importante da história.

Divulgação

Professor Marcos Araújo, dono do bar que leva seu nome, é um dos organizadores do Carnaval da Mandioca

“Temos o orgulho de receber as famílias neste ambiente e também de ver que a cuiabania genuína se encontra por aqui. Hoje, temos visto muitos intelectuais, pessoas importantes, frequentando aqui. E isso é excelente para a preservação desta história”, afirmou.

Carvalho fez questão de ressaltar que a praça ganhou projeção, nos últimos tempos, pelo Carnaval organizado no local.

“Somente no Carnaval de Rua, nós recebemos mais de 5 mil pessoas na praça. Temos o melhor Carnaval de Cuiabá, Carnaval da família, sem brigas, sem badernas. O legal também é que a população se envolve nesta produção e se diverte junto”, contou.

Para as cabeleireiras Dilza Martins e Glória Martins, a semana cheia de compromissos termina quase sempre com uma pausa na praça para a distração - com a filha, é claro.

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Para a frequentadora da Praça da Mandioca, Gléria Martins, o espaço familiar é extremamente atrativo

“Nós gostamos de vir aqui sempre que dá porque é um ambiente agradável e podemos trazer as crianças para brincar. Além do que dá para dar uma paqueradinha”, disse Glória.

Mas as frequentadoras também fazem questão de pedir mais segurança para a praça.

“Alguns amigos meus já foram assaltados ou tiveram os carros arrombados. Então, com toda esta movimentação acredito que a praça precisa de uma atenção”, observou.

Espaço para a cultura


Com a valorização da Cultura em Cuiabá, principalmente com a ascensão da Rua 24 de Outubro, a Praça da Mandioca passou a ser mais uma opção os produtores culturais da cidade.

Para o proprietário do Gran Bazar Pac, empreendedor cultural Júlio Tavares, se existe uma praça que deveria ser chamada de “Popular”, esta é a Conde de Azambuja.

“Este é um lugar onde todos passam: a classe artística, universitários, o pessoal alternativo e aqueles que gostam de samba”, comentou.

Júlio Tavares mantém o espaço que reúne moda, arte e gastronomia.

“A Praça da Mandioca é um lugar onde a pessoa pode fazer um happy hour, estar em contato com a arte e o sebo, além de dar uma relaxada. Tudo isso, num ambiente confortável e agradável”, afirmou.

Segundo ele, os clientes que frequentam o local são aqueles que estão em constante busca de novidades.

“Abri o local aqui pensando na revitalização e recuperação do Centro Histórico, e também por conta da especulação imobiliária. Primeiro, queria abrir uma loja na Rua 24 de Outubro, mas estava muito caro o preço do imóvel. Então, pensando no retorno da efervescência cultural, optei por esta região”, disse

Ele ainda lembrou que o fotografo Rai Reis tem um estúdio bastante frequentado na Rua Pedro Celestino.

“Aqui está se tornando, definitivamente, um ponto de cultura. Vários produtores culturais e entusiastas da economia criativa também estão vindo para cá”, disse Tavares.

Segurança: problema

Mesmo sendo um dos lugares mais bem frequentados da Capital, a Praça da Mandioca sofre com frequentes ocorrências de arrombamento de carros.

De acordo com os comerciantes e frequentadores da região, os bandidos aproveitam o momento de distração dos frequentadores para entrar em ação.

Nem mesmo com a instalação do novo posto policial nas proximidades - na Rua Sete de Setembro (antiga Rua de Baixo), os bandidos não se intimidam e agem frequentemente no local.

O empresário Júlio Tavares disse que diversos clientes deixaram de frequentar o espaço devido às ocorrências de roubo na região.

“O que acontece por aqui é que o fluxo de pessoas aumentou e, consequentemente, o número de incidentes também, como pequenos furtos, arrombamento de carros, entre outros. Os relatos são frequentes, principalmente quando tem festa por aqui”, disse.

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Para o produtor cultural Júlio Tavares, o espaço da Praça da Mandioca tem muito a ser aproveitado pela população

O empresário lembrou que viaturas da Polícia Militar passam frequentemente pelas ruas, mas que isso não tem se mostrado suficiente.

“É interessante perceber que a viatura da polícia passa frequentemente por aqui. De duas a três vezes, por noite. Mas acredito que a praça precisa de mais presença policial, não só motorizada, para que os roubos sejam evitados. Eles precisam caminhar mais por aqui para intimidar os bandidos”, disse.

O empreendedor cultural revelou que ele que nunca sofreu nenhum tipo de assalto dentro do estabelecimento, mas presencia frequentemente, as ações criminosas. Tavares teme que estes incidentes se multipliquem e questionou o poder público em relação ao Plano de Revitalização do Centro Histórico, no qual a praça está localizada.

“Nós produzimos eventos interessantes aqui, como o Carnaval e, recentemente a festa junina, mas, sempre estamos preocupados com a falta de segurança. Eu, como cidadão e empreendedor, faço a minha parte criando alternativas para que o cliente venha ao espaço. Mas, como fazer um plano de revitalização e readequação do Centro Histórico, sendo que as pessoas não se sentem seguras?”, questionou.

Os trabalhadores de alguns escritórios localizados na região da praça também se sentem inseguros.

Aparecida Ribeiro, administradora de um escritório de advocacia, localizado a uma quadra da praça, contou que já viu alguns assaltos.

“Graças a Deus, comigo ainda não aconteceu nada, mas já tive amigos de trabalho que foram assaltados. Aqui é bem complicado, falta policiamento”, disse.

Antonia Maria Pereira da Silva, nascida e criada em um casarão histórico na Rua Pero Celestino, disse que o local, hoje, pouco se parece com o bairro da sua infância.

“Aqui era muito tranquilo, nós brincávamos na rua com a família, era um local simples e alegre. A modernização traz muita coisa boa, mas também coisas difíceis de conviver, como a falta de segurança”, relembrou.

Ela ainda observou que o problema já foi bem pior, mas está bem longe de ficar bom.

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Antonia Dias: infância vivida na praça; um dos problemas hoje é a insegurança, segundo ela



“Há uns anos,  nós tínhamos o problema com os drogados. Aqui, a região ficou esquecida e,, com a instalação da Base da PM, melhorou. Mas, parece que os bandidos também se especializaram”, contou.

“Eu peço, por favor: mais segurança para nós. Aqui tem que continuar sendo um espaço familiar, de diversão”, finalizou.

Promessa de revitalização


Anunciada para este ano,a reforma do Centro Histórico de Cuiabá ainda está no papel.

De acordo com o anuncio, deverão ser reformadas cinco praças e cinco casarões, que fazem parte do PAC Cidades Históricas.

O projeto deve ser executado em parceria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacioal (Iphan) e Ministério da Cultura. O montante estimado é de R$ 10,5 milhões.

A licitação das cinco praças - Doutor Alberto Novis, Caetano Albuquerque, Mandioca, Senhor dos Passos e o entorno do Casarão do Beco Alto - chegou a ser lançadao. Entretanto, a empresa que ganhou o pregão não estava habilitada para tocar a obra.

Em razão disso, um novo edital deverá ser lançado nos próximos dias, juntamente com o dos casarões, que foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan).

A revitalização do Centro Histórico é esperada desde 2013, quando a Prefeitura se inscreveu para ser contemplada. Entretanto, a burocracia seria o principal problema, em decorrência da morosidade para o lançamento do edital.

Bruno Cidade/MidiaNews

O casarão antigo do Palácio dos Capitães Generais de Mato Grosso é uma residência com um bar nos fundos

De acordo com a diretora do Iphan MT, Marina Lacerda, cerca de R$ 5 milhões já estão disponíveis para o inicio da revitalização.

“É importante ressaltar que os recursos disponíveis estão somente à espera da realização da licitação pela Prefeitura Municipal”, disse.

De acordo com o secretário-adjunto municipal de Turismo, Jeferson Preza Moreno, o processo burocrático da revitalização demorou mais do que o previsto.

“Para a realização dessas obras, é necessário todo um processo burocrático. Nós ainda tivemos algumas ponderações da procuradoria e tivemos que realizar algumas alterações no projeto. Mas, a expectativa é de que o edital de licitação da revitalização das praças seja lançado em, no máximo ,uma semana e que as obras comecem neste ano”, disse.

O secretario ainda revelou que o certame para revitalização de cinco casarões históricos de Cuiabá será realizado no dia 22 de julho.

No projeto de revitalização das praças, estão previstas as mudanças na parte elétrica, paisagismo, renovação da iluminação, pavimentação e acessibilidade, com a implantação de piso tático e rampas para portadores de necessidades especiais.

PAC Cidades Históricas

O PAC Cidades Históricas é uma Programa de Aceleração do Crescimento que visa à preservação do patrimônio brasileiro, a fim de valorizar a cultural regional e promover o desenvolvimento econômico e social da população.

Segundo Moreno, o valor global de todas as reformas necessárias apenas será conhecido após a elaboração do projeto básico-executivo.

No entanto, o Governo Federal já anunciou, quando do lançamento desse segmento do PAC, que iria destinar R$ 1 bilhão apenas para atender projetos referentes à restauração de 44 cidades históricas.

Posteriormente, a União divulgou a liberação de mais R$ 300 milhões, que serão usados para o financiamento de restauração de imóveis históricos particulares em 94 cidades brasileiras. O edital para as cidades que quiserem fazer uso desse financiamento será lançado apenas em abril.

Praça teve bondinho


A Praça da Mandioca foi um dos trechos do Bondinho, que funcionou entre 1891 e 1918.

Parte pouco documentada e pouco conhecida da história local, o rudimentar transporte sobre trilhos fez parte do cotidiano na capital.

Planejado para interligar o Centro de Cuiabá ao Porto, o antigo bondinho funcionou entre os anos de 1891 e 1918 e se locomovia puxado por burros ao longo de trilhos que se estendiam desde o Largo da Mandioca (Praça da Mandioca), passando por áreas centrais como o Beco do Candeeiro, Praça Alencastro e Praça da República, entre outras.

De acordo com a historiadora Neila Barros, esse era o único transporte coletivo da cidade.

“As pessoas diziam 'vou à cidade”, principalmente os moradores da afastada região portuária, antes de embarcar rumo ao centro. A fala era recorrente, mas pouco restou de registros sobre este hábito”, relatou.

“Os jornais davam listas de nomes de quem desembarcava de barco aqui, mas não falavam do cotidiano da cidade. Falta muita informação. Há menos de 3% da informação que deveria existir sobre o bonde”, explicou a historiadora.

De fato, não são muitos os documentos preservados. As fotografias da época não raro continham trechos dos trilhos, mas não em primeiro plano ou com a população a bordo.

Bruno Cidade/MidiaNews

O proprietário do Bar Azambuja, Mário César de Carvalho, diz se orgulhar da região que escolheu para trabalhar e viver



O livro “Cuiabá – Imagens da cidade” (Editora Entrelinhas) é um dos poucos com esse registro.

Nele, a historiadora Maria Auxiliadora de Freitas conta que a Câmara de Cuiabá debatia o problema dos deslocamentos urbanos desde 1871, mas só em 1889 portugueses e cuiabanos formaram a Companhia Progresso Cuyabano, Ferro, Carril e Matadouro para, finalmente, consolidar as linhas de bonde puxado a burro entre as duas principais partes da cidade num prazo de dois anos.

Antes disso, não havia meios de transporte coletivo entre o centro (1° distrito) e o porto (2° distrito); a população se via diante de “desafios a serem vencidos, pois eram quase dois quilômetros a pé, a cavalo ou de carroça por ruas em pedra bruta, formadas por derrame de rochas cristalinas extraídas do rio ou vindas de Chapada dos Guimarães. Um caminho cheio de bifurcações estreitas e poeirentas”, diz o livro.

O bondinho passava lentamente por vias que hoje são algumas das de tráfego mais intenso da capital, como as avenidas XV de Novembro e a própria Prainha, atualmente com o córrego oculto sob o pavimento.

A principal linha, porém, era a Rua Treze de Junho. Nos tempos iniciais da República, segundo a historiadora, a Treze era uma das mais movimentadas ruas da cidade - que só em 1938 passaria a ter mais de dois quilômetros quadrados de perímetro urbano.

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COMENTÁRIOS
9 Comentário(s).

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Padilha Jr  22.06.15 21h00
Ótima reportagem, que organizem a região e melhorem a cada dia, com segurança.
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Alex  22.06.15 16h07
Ótima matéria, gosto muito deste lugar, mas o quesito segurança deixa a desejar!
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julio  22.06.15 12h34
Simples,é só repeitar,li uma entrevista e compilei alguns trecho que acho pertinente à matéria veja;Vivemos numa sociedade individualista. E que prega a liberdade do indivíduo como bem maior. Acontece que individualidade e liberdade nem sempre produzem bons resultados. podem fazer muito mal.Nessa entrevista um professor colocou o TEMA a relação que temos com nossos vizinhos.Uma participante pediu a palavra e disse;um vizinho resolveu fazer churrasco na calçada da casa dele. Som ligado, gente bebendo, rindo, falando alto, fumaça da churrasqueira invadindo todos os espaços… Incômodo total para quem queria um domingo mais tranquilo, para quem desejava estudar, ver televisão.Outra participante comentou que, no prédio dela, uma das vizinhas deixa os filhos brincarem nos corredores, entre as portas de entrada dos demais apartamentos. Os baixinhos espalham brinquedos e outros objetos por todo o espaço. As crianças gritam, riem, brigam… E quando alguém precisa sair ou chegar, tem que desviar daquelas coisinhas todas.nessas situações e em outras as pessoas se divertem. Entendem ser o direito delas. Respeitar quem está dormindo parece significar um cerceamento à liberdade delas. a gente pode pedir para as pessoas fazerem diferente. A chance de a pessoa aceitar de bom grado a reclamação é pequena. Quem age dessa maneira quase sempre acha ter direito de “ser assim”, “fazer assim”. Entende estar no direito dela. Atender pedido do outro é sentido como uma agressão a sua liberdade. Esse tipo de gente tem dificuldade para respeitar o vizinho, porque está centrada em si mesma. É a tal da individualidade em ação. Não gosto desse tipo de liberdade. Liberdade boa é liberdade com responsabilidade. E não apenas na relação com o vizinho. Mas em todas as práticas diárias. Esses comentários não são meus com disse mas, demonstra que a convivência na minha opinião é simples,no caso em tela é só abaixar o som,pois ninguém é surdo, verificar onde colocar os restos do consumo afinal é uma área de preservação,é um local histórico,de visitação e não de show,nada contra como já disse,eu como vizinho fico tranquilo se o som for moderado e nos limites das disposições postas a respeito,até tal hora como manda e não pede a lei,interessante é uma vistoria dos técnicos de algum departamento de conservação histórica a respeito do uso inadequado do local.Mais uma vez Parabéns ao MIDIA NEWS é um dos únicos espaços que o povo tem vez e voz,mantém essa matéria como disse o comentarista o Simplicio.
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FABIO   22.06.15 11h57
O MAIS CORRETO SERIA OS DONOS DE BARES FAZEREM PARCERIA ENTRE ELES E A PREFEITURA E TRASNFORMAR A RUA NUM CALÇADÃO, MAS ELES SO QUEREM SABER DE LUCRO LUCRO E LUCRO E INTRIGAS ENTRE DONOS.
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leandro  22.06.15 11h55
CURTO MUITO A PRAÇA , MAS O BAR VERMELHO SE ACHA DONO DO LOCAL ONDE DETERMINA QUANTAS MESAS DEVEM OCUPAR A PRAÇA, SENDO QUE NENHUMA PODE OCUPAR ALI.
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