Manoel Mendes Xavier
A família do vidraceiro Manoel Mendes Xavier, de 40 anos, está em busca de qualquer informação que leve ao seu paradeiro. Ele está desaparecido desde o dia 31 de dezembro, quando saiu de casa para trabalhar, no bairro Jardim Industriário, em Cuiabá, e nunca mais voltou.

Antes de desaparecer, ele enviou mensagens de despedida para alguns familiares e outras que causaram estranheza aos colegas de trabalho.
A correspondente bancária Elaine Santana, de 38 anos, prima de Manoel, disse que ela e o marido receberam dele um texto que dizia apenas: “Feliz ano novo e adeus”.
“Como a gente conhece a índole dele, sabe que ele não mexe com coisa errada, é muito trabalhador, achei estranho e pensei que alguém tivesse pegado o celular dele e mandado essas mensagens esquisitas”, relatou.
Para a esposa, Manoel saiu para o trabalho dizendo que “não precisava fazer almoço”, pois ele “não ia voltar mais”. A mulher, a princípio, pensou apenas que ele não voltaria para o almoço naquele dia.
Após tentar contatá-lo diversas vezes sem sucesso, a família passou a ligar para clientes e parceiros de trabalho, mas Manoel não apareceu nos serviços que estavam agendados.
Um dos parceiros de trabalho relatou ter recebido uma mensagem emblemática. Nela, Manoel pediu que o colega assumisse um serviço em seu lugar, afirmando que “não estaria mais entre nós”.
Yasmin Silva/MidiaNews
A correspondente bancária Elaine Santana, de 38 anos, prima de Manoel
Segundo Elaine, o comportamento não condizia com o perfil do vidraceiro, descrito pela família como trabalhador e tranquilo.
Carro incendiado
Ainda na manhã do dia 31, a esposa de Manoel recebeu uma mensagem por meio do Instagram informando que um carro havia sido incendiado na região de Santo Antônio de Leverger e que, dentro do veículo, havia um cartão com o nome da empresa em que ele trabalhava.
Familiares foram até o local e reconheceram o veículo da vítima, que ficou destruído com o incêndio. Testemunhas contaram que o homem teria, possivelmente, ateado fogo no próprio carro e, ao ser socorrido, saiu correndo em direção a uma área de mata.
“Disseram que ele estava dentro do carro, com as portas trancadas. Quando tentaram ajudar, ele saiu pela porta do passageiro e correu para o mato. O carro ficou bem destruído por dentro”, contou Elaine.
A última notícia que a família tem de Manoel data da noite do dia 31, quando ele passou por uma fazenda localizada entre Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço. O caseiro confirmou que o homem apareceu no local, pediu um copo d’água e uma corda.
Segundo o relato, Manoel disse que estava passando por um dia difícil e afirmou que precisava “resolver uma situação”. Ao ser questionado sobre a corda, teria dito que pretendia tirar a própria vida.
O funcionário tentou conversar, mas Manoel deixou o local e seguiu novamente em direção à mata.
“Desde esse dia não tem pistas do seu paradeiro, não sabemos que caminho ele fez, fizemos buscas até Rondonópolis”, disse.

Um boletim de ocorrência foi registrado ainda no dia 31. O Corpo de Bombeiros iniciou buscas na região no dia seguinte, mas os trabalhos foram suspensos por falta de pistas.
Familiares seguem fazendo buscas por conta própria, percorrendo estradas e áreas rurais da região.
Elaine afirma que Manoel não apresentava sinais de depressão e que não havia histórico de ameaças. Segundo ela, a única situação atípica relatada pela esposa foi uma discussão do casal no dia anterior ao desaparecimento, em que Manoel dizia estar “cansado”, mas não poder pausar a rotina de trabalho.
“Ele era uma pessoa centrada, não fazia dívidas, só trabalhava. Era autônomo e vivia da produção. Nada indicava que isso poderia acontecer”, afirmou.
Natural de Acorizal, ele morava há mais de dez anos na Capital, era casado e não tinha filhos.
A última vez que Manoel foi visto, estava sem blusa, usando uma calça verde militar, um coturno marrom e uma camiseta amarrada na cabeça.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Manoel pode entrar em contato com a Polícia Civil pelos números 197 ou (65) 98173-0565.
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